Page 49 - Livro - Economia Azul
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Mais recentemente, os anos de 2010   rentes  indicam questões e agendas distin-
 testemunharam um aumento nos temas,   tas. Entretanto, é possível argumentar que   Figura 7. Conceitos relacionados à Economia Azul
 atores  e  sua  frequência. Ao contrário das   a década de 2010 é o período que compre-
 análises temporais anteriores, é difícil iden-  ende a discussão a partir da abordagem de
 tificar a discussão (e sua natureza) que con-  governança, destacando sua relevância nas
 duz o período, uma vez que termos dife-  seguintes questões:




 . Econômico: crescimento econômico,   petróleo  offshore, recursos marinhos,
 competitividade e comércio;  gestão ambiental e proteção ambiental;

 . Políticas: políticas públicas, política  . Mudança climática e poluição: con-
 marinha, planejamento espacial, gestão   trole de emissões, plâncton, eutrofiza-
 de ecossistemas, tomada de decisões,   ção e poluição marinha; e
 abordagem integrada, gestão da zona
 . Atores e instituições: China, União
 costeira e gestão de projetos;
 Europeia (UE), EUA, Austrália, Cana-
 . Sustentabilidade na exploração de   dá, Oceano Pacífico, Mar Báltico e Di-
 recursos marinhos: pesca, aquicultura,   reito do Mar.






 3. Principais conceitos e definições


 Baseado principalmente nos resulta-  3.1. Economia do Mar
 dos da subseção anterior, é apresentada
 uma discussão conceitual mais detalhada   Nos anos 1970 e 1980, os conceitos
 baseada nos resultados da análise biblio-  de economy of the sea (GESSNER, 1971) e
 métrica, contextualizando-a a partir dos   sea economy (ANTIA, 1989; DOLMIERSKI;
 debates centrais na literatura especializa-  NITKA, 1976) lideraram a discussão. Mais
 da. Em relação à Figura 5, é possível tirar   recentemente, o conceito tem sido utiliza-  Fonte: Santos (2021b)
 várias conclusões, que até motivaram a   do para analisar metodológica e quantitati-
 pesquisa e justificaram algumas das ques-  vamente o caso brasileiro (SANTOS, 2019;   (2020) e Chen e Zhou (2020). Em alguns ca-  criado o Grupo Técnico (GT) “PIB do Mar”,
 tões orientadoras deste capítulo.   2020, 2021a, 2021b, 2022; ALERJ, 2021;   sos, tal discussão aparece como “financia-  sob coordenação do Ministério da Econo-
  A Figura 7 sintetiza as principais temá-  REGAZZI  et al., 2021; SANTOS; CARVA-  mento azul” (YOSHIOKA et al., 2020; BER-  mia. O GT tem como finalidade: “Definir
 ticas relacionadas a cada um desses concei-  LHO, 2020a; 2020b; PwC, 2019; CARVA-  GLOF; VELASCO, 2019) ou “financiamento   o conceito de economia azul/do mar para
 tos, que, novamente, não devem ser enten-  LHO, 2018). Embora não apareça como um   oceânico” (WABNITZ; BLASIAK, 2019).  o  Brasil;  identificar  seus  setores  e  ativida-
 didos como sinônimos. Ela foca nos quatro   termo-chave na Figura 6, o aumento das   No caso brasileiro, ainda não existe   des; elaborar proposta de metodologia para
 conceitos mais usados, nomeadamente:   publicações recentes sobre a interface entre   uma definição oficial de economia azul,   mensurar o PIB do Mar do Brasil; e apre-
 economia azul, economia do mar, econo-  financeirização e questões relacionadas a   economia do mar, economia costeira e/ou   sentar sugestão para consequente institu-
 mia marítima e economia marinha.  mares e oceano é notável, como em An e Li   economia oceânica. Em julho de 2020, foi   cionalização”. Sendo assim, o país adotará



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