A pandemia e os impactos para as famílias com pessoas autistas

 

No atual contexto da saúde global, diversos desafios foram postos à população. O surgimento do novo coronavírus trouxe transformações para os núcleos familiares, os quais tiveram que se adaptar ao isolamento e aos protocolos de distanciamento social.

As famílias que possuem pessoas com quadro de Transtorno do Espectro Autista (TEA) têm sofrido impactos durante a quarentena. As modificações cotidianas e limitações do atual contexto aumentaram de maneira expressiva os dilemas dessas famílias.

O Transtorno do Espectro Autista (TEA) caracteriza-se por afetar o neurodesenvolvimento, causando prejuízos na comunicação e interação social. As crianças/adolescentes com quadro de TEA costumam apresentar movimentos estereotipados, repetitivos e dificuldades com as alterações em suas rotinas.

Apesar de o autismo não ser considerado um fator de risco por si só para a COVID-19, suas peculiaridades dificultam a adoção de ações preventivas, visto que as pessoas com TEA, devido ao quadro clínico, podem apresentar dificuldade de compreender o cenário de pandemia, sendo, consequentemente, mais expostas ao risco da contaminação.

Além disso, as interrupções da rotina causadas aos indivíduos com TEA pela pandemia - como a descontinuidade do tratamento terapêutico e diminuição das interações sociais - podem ter efeitos negativos, visto que, por apresentarem dificuldade de lidar com mudança de rotina, acabam manifestando sintomas de ansiedade, estresse e, até mesmo, comportamento agressivo.

A assistência social, em parceria com a saúde, por meio do Programa de Atendimento Especial (PAE), atende cerca de 1.600 pessoas com deficiência. Destaca-se que a grande maioria desses usuários possuem diagnóstico de autismo, sendo, nesse contexto, um desafio para os profissionais que atuam diretamente com esse público.

Os Órgãos de Execução do Serviço de Assistência Social ao Pessoal da Marinha (OES) e Grupos de Avaliação e Acompanhamento a Pacientes Especiais (GAAPE) têm buscado dar continuidade, de forma criativa, ao tratamento dos usuários com autismo e ao apoio prestado aos seus respectivos familiares, por meio de teleatendimento, protocolos mais rígidos para atendimentos presenciais, grupos de conversa e atividades on-line.

As modificações nos hábitos são um desafio, no entanto, é inegável que as transformações impostas com a crise de saúde têm ressignificado a vida das pessoas com TEA, de seus respectivos familiares e dos profissionais que trabalham com esse público. Apesar dos aspectos negativos, a proximidade entre pais e filhos, a descoberta de novas possibilidades para tratamento, os grupos de apoio mútuos e desenvolvimento interpessoais têm se apresentado como uma realidade concreta e positiva.

A pandemia representa uma nova forma dessas famílias viverem e uma atuação profissional recém-adquirida, que, apesar das limitações impostas, traz boas experiências, melhora os vínculos afetivos e promove a utilização de novos recursos, que certamente contribuem para o desenvolvimento dos usuários e o fortalecimento de seus respectivos familiares.

 

CT (T) Thatiana da Conceição Passos Telles

Encarregada do NAS/Com6°DN



 

Opinião

 

A 1T (T) Raquel Penteado, psicóloga do SSPM, lembra, em entrevista ao Comitê do Saúde Naval, que o período de pandemia tem representado um grande desafio para os pais. Alguns têm, inclusive, despertado um novo olhar tanto em relação à criança quanto ao autismo, tentando compreender as dificuldades e as potencialidades que possuem. “O convívio mais intenso no seio familiar passou a ser uma maneira natural para se treinar as habilidades sociais de forma a perceber que esse aspecto pode ser trabalhado primeiro na família (com brincadeiras, jogos que visem o cognitivo e o contato afetivo de forma lúdica) e depois no mundo externo”, afirma.