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Ilha Fiscal completa 137 anos de história, legado e tradição

  • Publicado em 27/04/2026 - 13:05
  • Atualizado em 27/04/2026 - 13:28
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          Localizada na Baía de Guanabara, no Rio de Janeiro, a Ilha Fiscal é conhecida por seu cenário encantador. Com vista para o Pão de Açúcar e para o Corcovado, o palacete, que completou 137 anos, em abril 2026, chama atenção por sua arquitetura com estilo neogótico-provençal e por ter sido palco do último baile do Império, um dos eventos mais emblemáticos da época. 

 


Arquitetura da Ilha Fiscal chama atenção em meio à Baía de Guanabara

 

          A festa, realizada em 9 de novembro de 1889, às vésperas da Proclamação da República, marcou a história da ilha, e aconteceu em homenagem à oficialidade do Encouraçado chileno Almirante Cochrane para retribuir a recepção dada à guarnição do Navio-Escola Almirante Barroso, que, no ano anterior, esteve no Chile em uma viagem de circunavegação.

 


A réplica da pintura “O último baile da Ilha Fiscal”, de Aurélio de Figueiredo, encontra-se disponível à visitação na sala de exposição da Ilha

 

 

História da Ilha

 

          O início da história da ilha data do final do século XIX, quando o Imperador Dom Pedro II ordenou sua construção, obedecendo às necessidades econômicas da época: reprimir o contrabando e diminuir os custos com a tarefa de vigilância sanitária. Inicialmente chamado de “Ilha dos Ratos”, o local abrigava o posto da Guarda Fiscal para atender o porto da capital do Império, inspirando seu nome atual. Sua localização era estratégica devido à proximidade aos pontos de fundeio dos navios mercantes estrangeiros, que atracavam na Baía de Guanabara.

          Durante a construção do palacete, o Imperador realizou inúmeras visitas para inspecionar o andamento do projeto, e, em uma delas, teria afirmado que “a Ilha é um delicado estojo digno de uma brilhante jóia”, reverenciando a paisagem que envolvia a obra. A inauguração ocorreu em 27 de abril de 1889, com a presença de Dom Pedro II e uma comitiva de ministros e autoridades.

          Popularmente conhecido como “Castelinho da Ilha Fiscal”, o local teve sua arquitetura desenvolvida pelo então diretor de obras do Ministério da Fazenda, Adolpho José Del Vecchio, que se inspirou nos trabalhos do arquiteto neogótico francês Eugène Viollet-le-Duc. 
No ano de 1893, a Ilha sofreu avarias quando parte da esquadra brasileira se rebelou contra o governo de Marechal Floriano Peixoto, na Revolta da Armada. Seus vitrais foram quebrados e suas paredes atingidas com balas de canhão. 

 

 


A Ilha Fiscal durante a Revolta da Armada

 

 

          Em 1913, foi autorizada a transferência do domínio da Ilha Fiscal do Ministério da Fazenda para Marinha, em troca do vapor Andrada, proposta realizada pelo almirante Alexandrino Faria de Alencar, então ministro da Marinha. Logo no início dos anos 1930, a Ilha Fiscal foi ligada à Ilha das Cobras através de um molhe de pedra. Em 1990, foi tombada pelo Instituto Estadual do Patrimônio Cultural e aberta ao público, no ano de 1999.

          Anos após sua consolidação como uma das atrações turísticas mais cobiçadas da cidade do Rio de Janeiro, a Ilha Fiscal segue com seu papel de preservar a história naval e difundir a mentalidade marítima. 

          Admirado pelo público, o Torreão, parte superior do palacete, foi projetado para ser o ponto de observação do posto alfandegário da Baía, da época. Nele, encontram-se os vitrais de Dom Pedro II e de sua filha, Princesa Isabel, confeccionados com cristal inglês. Recentemente, a atração passou por um processo de recuperação estrutural e restauração e se encontra novamente aberto à visitação.

 

Passeio à Ilha

 

          Além de conhecer o Torreão, o público terá a oportunidade de explorar diferentes atrações presentes na ilha. Pertencente ao Complexo Cultural da Diretoria do Patrimônio Histórico e Documentação da Marinha (DPHDM), o local abriga, atualmente, a exposição de longa duração “Ilha Fiscal: Neogótico em Terras Tropicais”, além da Galeota Real de Dom João VI, embarcação utilizada para transportar a Família Real.

          Os passeios à ilha acontecem de quinta a domingo, em três horários: às 12h45, 14h15 e 15h30 e os ingressos dão direito à visitação do Espaço Cultural da Marinha, onde é possível visitar meios navais, como o Contratorpedeiro Museu Bauru, navio que esteve na Segunda Guerra Mundial e o helicóptero Sea King, utilizado pela aviação naval em missões antisubmarinas, busca e salvamentos. O acesso à Ilha é feito por embarcação ou micro-ônibus. De acordo com programação disponível no site da DPHDM, é possível, ainda, presenciar visitas encenadas e visitas guiadas pelo historiador Milton Teixeira.

          Os ingressos custam R$ 60 (inteira) e R$ 30 (meia) e podem ser adquiridos no site www.ingressocomdesconto.com.br, pelo aplicativo “Marinha Cultural” ou na bilheteria do ECM - Espaço Cultural da Marinha, de acordo com disponibilidade. O ECM fica localizado na Orla Conde (Boulevard Olímpico), s/n, Praça XV, Centro - Rio de Janeiro,  RJ, e funciona de terça a domingo, das 11h às 17h.

 

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