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Patrono

 

O Almirante Joaquim Marques Baptista de Leão nasceu no Rio de Janeiro, em 6 de janeiro de 1847. Ingressou na “Escola de Marinha” em 23 de fevereiro de 1863, concluindo sua formação acadêmica, com notável desempenho, sendo o segundo colocado de sua turma.

Foi promovido a Guarda-Marinha em 29 de novembro de 1865.

No ano de 1866, o Guarda-Marinha Marques de Leão, no início de sua carreira militar, por ocasião da guerra do Paraguai, embarcou no Encouraçado “Barroso”, onde teve seu batismo de fogo, na passagem de Três Bocas.

Como destaque nos combates durante a guerra, recebeu as seguintes condecorações, que hoje podem ser apreciadas entre as relíquias deste Centro:

  • Medalha de Bravura Militar da Campanha do Paraguai;

  • Medalha de Bravura Militar da Campanha do Paraguai com Passador nº 2

  • Medalha da Passagem de Humaitá; e

  • Medalha Argentina da Guerra do Paraguai.

Foi Imediato do então Capitão de Mar e Guerra Custódio de Mello, na célebre viagem de circunavegação, realizada pelo Cruzador “Almirante Barroso”, entre outubro de 1888 e julho de 1890. Durante a viagem, assumiu o comando do navio, devido à promoção do Comandante Custódio de Mello ao posto de Contra-Almirante.

Dentre as principais comissões ao longo de sua carreira, o Almirante Marques de Leão comandou o Cruzador “Almirante Barroso”, o Cruzador “Amazonas”, as Escolas de Aprendizes Marinheiros de Santos e do Rio de Janeiro. Como Capitão de Mar e Guerra, foi nomeado Capitão dos Portos do Rio de Janeiro, entre os anos de 1901 e 1903. Já no posto de Contra-Almirante, comandou a Escola Naval por dois períodos, sendo o primeiro em 1906, e o segundo entre os anos de 1907 e 1908.

Foi promovido a Contra-Almirante em 1903 e, posteriormente, durante o governo do Presidente Hermes da Fonseca, assumiu o cargo de Ministro da Marinha, em novembro de 1910. Dentre os diversos feitos enquanto Ministro, destacam-se a assinatura do Decreto nº 8.650 de 4 de abril de 19111, que aprovou um novo regulamento da Escola da Naval e criou o “Curso Superior de Marinha”, que deu origem à Escola de Guerra Naval. Além disso, criou a Sub-Comissão Naval na Europa, em La Spezia, Itália, para fiscalizar a construção de três submersíveis encomendados ao Governo italiano2.

No Governo Hermes da Fonseca, em 11 de janeiro de 1912, uma época conturbada na história desta, então, jovem República, Marques de Leão insurgiu-se contra o bombardeio da cidade de Salvador por tropas federais, em cumprimento a uma decisão judicial, enredada por interesses políticos envolvidos nas eleições do governo da Bahia. Embora reconhecendo a legalidade da decisão, recusou-se a enviar navios de guerra para a Bahia, por considerar o bombardeio injusto e perverso, o que culminou em sua renúncia ao cargo de Ministro.

A renúncia, materializada através de carta endereçada ao Presidente da República, entrou para a História como a “Carta de Ouro”, pois o povo baiano, em forma de reconhecimento, mandou gravar as palavras da carta em um livro confeccionado em ouro3.

Faleceu, já compondo o quadro de militares da reserva, no posto de Vice-Almirante, em 4 de novembro de 1913.

1 Decreto nº 8.650, de 4 de abril de 1911: Dá novo regulamento à Escola Naval. Disponível em: https://www2.camara.leg.br/legin/fed/decret/1910-1919/decreto-8650-4-abr....

2 MARINHA DO BRASIL. Comando da Força de Superfície. A Idéia do submarino na Marinha do Brasil. Disponível em: https://www.marinha.mil.br/comfors/?q=node/41.

3 COSTA, Afonso. [Correspondência]. Destinatário: Almirante Dídio Costa. Rio de Janeiro, 18 jan. 1950. 1 cartão pessoal [reprodução].

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