Page 167 - Livro - Economia Azul
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5. A educação e a cultura oceânica
COI-UNESCO a ser trabalhado na Década do SQUARCINA e PICORELLI, 2017; COSTA
Oceano. Mais do que promover o conheci- et al., 2020; MOKOS et al., 2020; DE-
Historicamente, as iniciativas de cultura a preservação do oceano e motivá-los a se mento sobre o oceano, é necessário desen- VENPORT et al., 2021). Após analisar a
oceânica têm privilegiado o setor da educa- unir e a agir para transformar os proble- volver estratégias, ferramentas, recursos e presença de tópicos relacionados ao am-
ção. É globalmente reconhecida a urgência mas inerentes a ele, é imprescindível que práticas educativas mais holísticas e transdis- biente marinho no currículo escolar de al-
de criar uma geração capaz de assumir mu- estas estratégias provoquem as crianças e ciplinares, focadas na ação e nos resultados guns países, Gough (2017) constatou que
danças de atitude necessárias para conti- os jovens a encontrarem sentido, significa- de transformação que se almejam (SANTO- estes tópicos não aparecem ou são escas-
nuarmos a ter o oceano que necessitamos. do e significância no que estão fazendo. É RO et al., 2017; UNESCO-IOC, 2022). sos nos planos curriculares, evidenciando
É também unânime que este é um dos fundamental que eles encontrem a causa, Um estudo recente realizado na Escócia o quanto a educação marinha é margina-
setores prioritários. Assim, é normal que, o motivo, o porquê de se envolver. Assim com jovens entre 11 e 26 anos demons- lizada na educação formal.
quando analisamos as iniciativas que se como é fundamental que desenvolvam trou que a grande maioria possui interesse A autora ainda destaca a importância do
desenvolvem no mundo, a grande maioria sentimentos, paixão e amor por esta causa. em se envolver em processos de tomadas papel dos especialistas da área marinha em
seja dedicada a crianças e jovens, em con- Somente dessa forma poderão se apropriar de decisão nos planos de gestão do am- incorporarem ações de educação marinha
textos educativos formais e não formais. como legítimos agentes de transformação, biente marinho do seu país (DEVENPORT em seus planos de ação junto às escolas, a
Em termos da Economia Azul, crianças e como cidadãos oceânicos, ou verdadeiros et al., 2021). Os resultados da pesquisa fim de fomentar a cultura oceânica nos pla-
jovens são consumidores, influenciam os guardiões deste Planeta Azul. demonstraram que os jovens valorizam e nos curriculares de ensino. Segundo a auto-
familiares e, mais importante, serão os pro- No livro Inteligência socioemocional: reconhecem o ambiente costeiro como um ra, a cultura oceânica se enquadraria muito
fissionais do amanhã que estarão atuando ferramentas para pais inspiradores e pro- importante espaço de lazer, recreação e de bem nos planos curriculares de Ciências e de
nas diferentes áreas da cadeia produtiva. fessores encantadores, do psiquiatra Au- interações sociais, fatores estes que des- Geografia. Contudo, a autora enfatiza que
Portanto, esta é uma oportunidade única gusto Cury (2019), o autor enfatiza que: pertam o seu interesse pelo mar. Baseado é fundamental que se vá além do modelo
de formar cidadãos que chegarão ao mer- “A emoção determina a qualidade do re- em suas próprias experiências, eles suge- tradicional de ensino baseado no conheci-
cado de trabalho compreendendo a impor- gistro. Quanto maior o volume emocional rem que realizar visitas à costa é um im- mento, promovendo uma aprendizagem
tância da Economia Azul e poderão desen- envolvido em uma experiência, mais o re- portante fator precursor para promover o mais ampla, que envolva os estudantes e os
volver ações em suas atividades ações que gistro será privilegiado e mais chances terá interesse e o envolvimento dos jovens com ensinem a saber lidar com as questões socio-
beneficiem a Economia Azul. de ser lido”, ou seja, mais enraizado na o mar, assim como sugerem outras diversas ambientais através de uma reflexão crítica,
É importante que este envolvimento da memória e na estrutura do indivíduo es- estratégias para se alcançar este objetivo, da negociação social e da organização para a
sociedade comece a ser fomentado desde tará. Neste sentido, Santos e Costa-Pinto tais como: ações práticas, saídas a campo, ação, visando ao alcance dos objetivos do de-
a infância, e que esteja integrado de forma (2005) trazem o conceito de potência de visitas técnicas, adotar uma praia, confe- senvolvimento sustentável (GOUGH, 2017).
transversal no currículo escolar. Entretanto, ação, que está relacionado à nossa capa- rências de jovens, estágios com profissio- Estudos realizados com alunos do En-
como promover a cidadania oceânica se cidade de agir no mundo e de transformar nais da área marinha, programas de tele- sino Fundamental e Médio revelaram que,
crianças e jovens não têm a oportunidade a realidade em que vivemos na direção do visão e melhor exploração das plataformas embora os estudantes demonstrassem in-
de se conectar com o oceano e ter expe- que desejamos, do que nos dá prazer e digitais, principalmente das redes sociais. teresse, preocupação e atitudes positivas
riências de aprendizagem que os toquem, do que nos faz sentido. De acordo com os Os jovens ainda colocam que seria im- em relação ao mar, possuíam um nível
os motivem e os mobilizem a agir em prol autores, conhecer algo de forma efetiva é portante integrar mais conteúdos relacio- de conhecimento geralmente de baixo a
da sua conservação? É preciso desenvolver “conhecer pela causa”, portanto, é fun- nados ao oceano ao seu currículo escolar, moderado sobre o oceano, inclusive, em
estratégias educativas que promovam opor- damental que tenhamos consciência da fator este que é fortemente apontado na alguns casos, com a presença de equívo-
tunidades de os aprendizes vivenciarem um causa primeira de nossos desejos, pois são literatura como uma das principais defici- cos relacionados ao tema (MOKOS et al.,
contato profundo e transformador, que lhes estes que impulsionam e aumentam nossa ências que dificultam a promoção tanto 2020). Os autores ressaltam que há uma
impacte de diversas formas, que deixem força ou potência de existir e agir. da cultura quanto, consequentemente, da necessidade de uma abordagem integrada
uma “marca”, um registro emocional, um Mas como promover esta potência de cidadania oceânica (FLETCHER e POTTS, para se promover a cultura oceânica desde
vínculo que perdure ao longo de suas vidas. ação direcionada para o desenvolvimento 2007; MCKINLEY, 2010; MCKINLEY E os primeiros anos escolares, combinando o
Se quisermos de fato conectar e enga- da cultura oceânica no âmbito escolar? FLETCHER, 2010; 2012; FAUVILLE, 2017; trabalho de desenvolvimento profissional
jar os estudantes com a Economia Azul e Este é um dos desafios apontados pela GOUGH, 2017; SANTORO, et al., 2017; do professor no tema, o fortalecimento de
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