HISTÓRICO

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A nossa Força de Fuzileiros da Esquadra (FFE) tem suas origens na decisão, da alta Administração Naval, adotada após a II Guerra Mundial, no sentido de construir uma Força moderna, com capacidade anfíbia e destinada a atender as necessidades previsíveis de aplicação do Poder Naval Brasileiro.

Em consequência desta decisão, resultaram três iniciativas fundamentais para que a nossa Marinha dispusesse de Forças especialmente aprestadas para a realização de Operações Anfíbias.

A primeira foi a aprovação do Regulamento para o Corpo de Fuzileiros Navais (CFN), em 1950, que previa a existência de uma FFE, no seu art. 21, abaixo transcrito:

“Art. 21 - O Corpo de Fuzileiros Navais, para os fins da alínea “A” do artigo 3º mantém uma Força de Fuzileiros da Esquadra constituída de Agrupamentos Operativos, prontos para ação, de acordo com as determinações do Estado-Maior da Armada. A esses Agrupamentos, em caso algum será atribuído o serviço efetivo da guarda, nem poderão ter parte de seu efetivo destacado para fins estranhos ao seu preparo e ação de guerra”.

 

 

Impunha-se, pois, um grande esforço orientado para o preparo de pessoal qualificado e seleção de material apropriado – vale dizer, os meios – que uma vez combinados deveriam permitir o emprego de Forças de Desembarque no quadro de uma Operação Anfíbia. Surge então a segunda iniciativa, com o envio de Oficiais para cursos, estágios e visitas nas organizações de Fuzileiros Navais estrangeiras, particularmente nos Fuzileiros Navais Norte-Americanos.

Merece ser destacado que os Oficiais, quando retornavam dos cursos, estágios e visitas eram orientados, quase que na sua totalidade, para atividades de ensino na Escola de Guerra Naval, Escola Naval e nos Cursos de Pessoal Subalterno. Em seguida, ocorreu a terceira iniciativa, indispensável para composição do “Combinado Anfíbio”, representada pela aquisição dos Navios-Transporte e embarcações de desembarque, o que facilitou a prática de procedimentos estimulantes da mentalidade anfíbia, na época, em fase de desenvolvimento na nossa Marinha.

Somente sete anos após a previsão da existência da FFE, pelo Regulamento de 1950, concretizaram-se condições mínimas para sua criação e ativação. Essas condições eram as seguintes:

- existiam Oficiais com conhecimentos sobre estruturação, equipamentos e adestramento, de Forças de Desembarque, decorrente de visitas e de observações de exercícios;

- os Aspirantes da Escola Naval estavam recebendo uma orientação anfíbia na sua formação;

- o Centro de Instrução do CFN fora inaugurado, estava funcionando e transmitindo, às Praças, conhecimentos sobre Operações Anfíbias;

- haviam sido incorporados à Marinha os Navios-transporte, as Embarcações de Desembarque de Viatura e Pessoal e a Embarcação de Desembarque de Viatura Militar; e

- existia disponibilidade de pessoal (Oficiais e Praças), qualificados, para a organização do 1º Grupamento Operativo da FFE.

 

Criação da FFE

Foram, então, assinados pelo Excelentíssimo Senhor Presidente da República dois Decretos, abaixo transcritos:

“Decreto nº 40.862, de 6 de fevereiro de 1957:

1º - Fica criada a Força de Fuzileiros da Esquadra; e

2º - A lotação das Unidades da Força de Fuzileiros da Esquadra será fixada pelo Ministério da Marinha, mediante proposta feita pelo Estado-Maior da Armada e obedecida a Lei de Fixação de Forças.”

“Decreto nº 41.352 "A", de 22 de abril de 1957:

1º - A Força de Fuzileiros da Esquadra (FFE) tem a seguinte organização:

- Núcleo da 1º Divisão de Fuzileiros Navais;

- Tropa de Reforço; e

- Comando de Serviços.

2º - O Comando da Força de Fuzileiros da Esquadra é exercido pelo Comandante-Geral do Corpo de Fuzileiros Navais."

 

 

 

As condições favoráveis, existentes à época, respaldadas por estes dois Decretos, possibilitaram o início de exercícios de natureza anfíbia (como por exemplo: ARAGEM, BADEJO, CORVINA, ARFAGEM, ABELHA e depois a série de exercícios chamados de DRAGÃO).

Simultaneamente aos novos exercícios de natureza anfíbia no Brasil, Unidades da FFE passaram a participar de exercícios interaliados, que permitiram aos Oficiais e Praças a aquisição de novos conhecimentos e certo grau de experiência.

Nesta época, o Comandante da FFE era, cumulativamente, Comandante-Geral do CFN, cujo Estado-Maior tratava dos problemas do Corpo de Fuzileiros Navais como um todo. Esta situação perdurou de 1957 até 1981, quando o Almirante de Esquadra (FN) DOMINGOS DE MATTOS CORTEZ passou o Cargo de Comandante da FFE ao Vice-Almirante (FN) CARLOS DE ALBUQUERQUE, em 22 de maio de 1981.

Essa experiência, adquirida ao longo de quase um quarto de século, ofereceu variados ensinamentos, capazes de influenciar, beneficamente, o futuro da FFE em termos de estruturação de seus principais componentes e conceito de emprego.

 

FFE nas décadas de 80 e 90

Esta fase da FFE teve seu início em 1981 através do Decreto nº 85.825, de 22 de novembro daquele ano, que prescreveu sua atribuição principal, determinando sua organização e estabelecendo seu novo posicionamento, com Comando autônomo, no âmbito do Comando de Operações Navais.

Em 1995, a FFE sofreu uma reorganização administrativa, passando a ser constituída por duas Forças Subordinadas (FS) - Divisão Anfíbia e Tropa de Reforço - e por duas Unidades Subordinadas (US) - Batalhão de Operações Especiais de Fuzileiros Navais, “Batalhão Tonelero” e a Base de Fuzileiros Navais do Rio Meriti.

Paralelamente a essa reorganização, ocorreu a aquisição de novos meios de desembarque, como os Navio de Desembarque-Doca, o Navio de Desembarque de Carros de Combate “Mattoso Maia”, os Carros-Lagarta Anfíbios e os Helicópteros SUPER PUMA, os quais, além de incrementar mobilidade a FFE, proporcionaram a consolidação da capacidade de nossa Marinha projetar poder sobre terra, por meio das Operações Anfíbias.

Em 1997, o Comando da Força de Fuzileiros da Esquadra transferiu sua sede para a Rodovia Washington Luiz, Km 124, no Município de Duque de Caxias-RJ.

 

 

FFE no Terceiro Milênio

Em 2000, foi realizado o simpósio “O Corpo de Fuzileiros Navais do Terceiro Milênio”, com o propósito de delinear, em um horizonte de dez anos, o futuro conceito de operações de Grupamentos Operativos de Fuzileiros Navais (GptOpFuzNav) e as reestruturações necessárias na FFE.

A partir de 2001, o Comando-Geral do Corpo de Fuzileiros Navais e o Comando de Operações Navais iniciaram um trabalho, alicerçado nos estudos realizados no simpósio de 2000, e balizado sob a égide da economia e da preocupação permanente com a modernização administrativa do Setor Operativo do CFN, para atender ao requisito de potencializar o emprego dos recursos humanos e materiais disponíveis para garantir o aprestamento dos GptOpFuzNav.

Como resultado deste trabalho chegou-se a uma nova organização, de forma a permitir uma rápida transição de uma Organização Administrativa para uma de Combate.

A FFE, que na estrutura do CFN é responsável pelo atendimento dos requisitos estratégicos e operativos, ficou estruturada da seguinte maneira:

- Comando da Divisão Anfíbia, organizada para realizar Operações Anfíbias e Terrestres de amplitude limitada, necessárias ao desenvolvimento e a consolidação de uma campanha de Caráter Naval;

- Comando da Tropa de Reforço, organizada para prover os elementos de apoio ao combate e de apoio de serviços ao combate, que são imprescindíveis às missões desenvolvidas pelos Fuzileiros Navais;

- Comando da Tropa de Desembarque, este Comando de Força, ao acompanhar, ininterruptamente, as situações potenciais de crise, possibilitará à FFE invulgar agilidade na organização, ativação e emprego de seus GptOpFuzNav ao nuclear-lhes o Componente de Comando até o nível de Unidade Anfíbia e, nas situações de emprego de uma Brigada Anfíbia, o comando do seu Componente de Combate Terrestre;

- Batalhão de Operações Especiais de Fuzileiros Navais, o Batalhão Tonelero, é estruturado para emprego em ambientes hostis, com a finalidade de destruir ou danificar objetivos relevantes em áreas defendidas, capturar ou resgatar pessoal ou material, retomar instalações, obter informações, despistar e produzir efeitos psicológicos;

- Batalhão de Combate Aéreo tem como missão prover os meios para o controle aéreo e para o desdobramento  em terra de meios aéreos, bem como realizar a defesa antiaérea dos Grupamentos Operativos de Fuzileiros Navais, a fim de contribuir para a organização e o aprestamento da Força de Fuzileiros da Esquadra, para a realização de Operações Anfíbias, ribeirinhas e terrestres de caráter nava;e

 

- Base de Fuzileiros Navais do Rio Meriti, cuja atividade principal é prover os meios de comando, controle e administração necessários ao Comando da Força de Fuzileiros da Esquadra e às demais Unidades situadas no Complexo Naval Caxias Meriti.

Esta nova organização proporciona à Força de Fuzileiros da Esquadra condições para explorar, em sua máxima extensão, a versatilidade e a flexibilidade no emprego de suas Unidades, culminando a sua evolução, ao adotar as concepções de emprego do Poder Naval.