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ARTIGO
EXPRESSÃO
“MOSTRA DE ARMAMENTO”
guesa", de D. Rafael Bluteau e An- das tradições, podemos perceber
tonio de Moraes Silva, natural do que, em que pese em um primei-
Rio de Janeiro, de 1789, apresen- ro momento o termo “armação” se
ta “armamento” como “as armas relacionar aos panos que adorna-
do soldado”, ao passo que “arma- vam igrejas, enquanto “armador”
dor” seria quem adorna às Igrejas era aquele que executava tal traba-
ou “o que arma navios, e os apa- lho. E ainda, que “armador de na-
relha para navegação [...]”. Já “ar- vios” era aquele responsável por
mação do navio” aparece como “o armar navios contra um inimigo. O
casco ou a fábrica do esqueleto” e vocábulo “armamento” seguiu sem
“a ação de armar navios para na- relação com os panos do velame
vegação mercantil ou de guerra”. ou com a mastreação dos navios.
No Brasil Independente, o "Dic- Contudo, com o passar do tempo,
cionario da lingua brasileira", pu- “armação” passou a se relacionar
Robert Wagner Porto da Silva Castro blicado em 1832, estabelece “ar- tanto ao próprio ato de armá-los
Primeiro-Sargento (AM) mamento” como “aparelhos de (com armas), quanto a seus panos
Doutor em História, editor da Revista Navigator,
pesquisador da Diretoria do Patrimônio Histórico guerra”, enquanto “armação” está e estrutura. Enquanto “armamen-
e Documentação da Marinha como “tudo o que serve de adorno to”, que antes compreendia apenas
às casas, templos etc”. Já o "Di- suas armas e petrechos, passou a
Estabelecida na Marinha do Bra- cionário Marítimo Brasileiro", de abarcar os aparelhos dos navios.
sil como “a cerimônia em que é in- 1877, refere-se a “passar mostra” Nesse sentido, a expressão “mos-
corporado ou reincorporado qual- como sendo “examinar o estado tra de armamento”, cujo emprego
quer navio à Armada”, conforme das guarnições dos navios, e dos observou-se no português brasilei-
Decreto nº 95.480 de 13 de dezem- corpos de marinha [...]”. Enquan- ro, possivelmente, trata-se de uma
bro de 1987, a expressão “mostra to o termo “armamento” é definido adaptação linguística de palavras
de armamento” não se aplica ape- como “aparelho dos navios; a to- afetas aos exércitos, para as práti-
nas aos navios de guerra, mas tam- talidade dos objetos de que está cas, costumes e tradições navais;
bém àqueles destinados ao empre- munido”, e “armar” aparece como cuja utilização na Marinha do Bra-
go civil. Entendimento expresso, dotar navio, esquadra ou frota de sil se verifica desde os primeiros
inclusive, nas Normas a Respeito todo o necessário para sua finali- anos de nossa nação independente
das Tradições Navais, Comporta- dade militar ou comercial.
mento Pessoal e dos Cuidados Ma- Sobre o emprego da expres-
rinheiros (EMA-136). são “mostra de armamento” na
No "Vocabulário Portuguez e La- Marinha do Brasil, ainda em 1833
tino", de Rafael Bluteau, de 1728, consta o seguinte do relatório do
não obstante a ausência da palavra então Ministro e Secretário de Es-
“armamento”, há menção aos vocá- tado dos Negócios da Marinha,
bulos “mostra” e “armação”. O pri- Conselheiro Joaquim José Rodri-
meiro, definido como “mandar pôr gues Torres: “Para esse fim, os
os soldados em fileira para ver se Comandantes dos navios da Ar-
falta algum ou para lhes pagar o mada serão obrigados a enviar to-
seu soldo”; e o segundo, “por todo dos os seis meses, contados da
o tecido que se arma nas casas data em que o navio passar mos-
para ornamento delas”. Sentido em tra de armamento [...]”. A expres-
que “armador de igrejas” é definido são, citada pontualmente em rela-
como aquele que as orna, enquan- tórios dos anos seguintes, passou
to “armador de navios” seria quem a constar do Cerimonial Marítimo
“com licença do Príncipe, arma con- Brasileiro de 1912.
tra o inimigo um ou muitos navios Por fim, tendo em conta a rele-
de guerra”. vância da linguagem no que afeta
O "Diccionario da lingua portu- aos processos de (re)significação
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