Page 61 - Livro - Economia Azul
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Dessa forma, o capítulo será divido em 3  sobre a contribuição deste “setor econômico”,   Quadro 1. Matriz Insumo-Produto simplificada para uma economia de dois setores
 seções, além desta introdutória. A segunda  assim como evidencia dois avanços na apli-
 seção apresenta e define as metodologias fre-  cação do modelo Insumo-Produto e Sistema      Compras
 quentemente identificadas em estudos da Eco-  de Contas Nacionais para contas oceânicas.   Consumo   Demanda Final
 nomia do Mar/Costeira ou Azul. A terceira se-  Por fim, são apresentadas as considerações   Intermediário   Total Produto
 ção dedica-se a sintetizar os principais estudos  finais do capítulo, seguida das referências.
                                         Setor 1   Setor 2   C       I    G   E
 2. Insights dos métodos utilizados na mensuração da contribuição e   Vendas   Setor 1   Z 11   Z 12   C 1   I 1   G 1   E 1   x 1
 quantificação de impactos econômicos  Setor 2   Z 21   Z 22   C 2   I 2   G 2   E 2   x 2

 Estatísticas voltadas à avaliação da   perceber os fluxos intra e interindustriais.   Valor   Trabalho   l 1   l 2      L
 economia do mar e costeira são cada vez   Por isso, será iniciada a concisa explana-  Adicionado
 mais desenvolvidas por pesquisadores e   ção metodológica na primeira subseção.  Capital   n 1   n 2   N
 governos que já reconheceram sua im-  Bruto
 portância para a economia nacional. Des-  2.1. Modelo Insumo-Produto (IO)  Importações   m 1   m 2   M
 de a década de 1980, foram realizados   x’   x 1   x 2      C       I    G   E      X
 ao redor do mundo diversos estudos com   É o nome dado para estrutura analítica de-     Fonte: Adaptado de Miller e Blair (2009)
 a finalidade de dimensionar a contribui-  senvolvida por Wassily Leontief em meados
 ção e o impacto econômico desta porção   dos anos 1930. Sua proposta de estrutura   Onde:  impactos diretos e indiretos decorrentes de
 da economia para regiões, nações e, até   fundamental é analisar a interdependência   Z =  consumo intermediário;  alterações na demanda final de uma eco-
 mesmo, continentes (CARVALHO, 2018).   das indústrias em uma economia (MILLER;   C =  consumo das famílias;  nomia (CONSIDERA et al., 1997).
 Para entender melhor a evolução dessa   BLAIR, 2009). Ou seja, indica a atividade de   I = investimento das empresas;  Segundo Ramos (1996), a tabela de con-
 temática ao longo dos anos, é fundamen-  um grupo de indústrias que produzem pro-  G = consumo do governo;  sumo intermediário expõe para cada produto
 tal  lançar  luz  de  algumas  metodologias   dutos (outputs) e consumem bens de outras   E =  exportações;  (linhas) o valor a preço de consumidor consu-
 empregadas para o alcance dos resulta-  indústrias  (inputs)  no  processo  produtivo,   mido por cada atividade econômica (colunas)
 dos. Vale destacar que alguns métodos   condensando as informações em uma tabela   L = trabalho;  durante o processo de produção. A demanda
 podem mensurar a economia relacionada   de transações interindustriais (Quadro 1). O   N = capital;   final, de acordo com Miller e Blair (2009), é
 – direta e indiretamente – ao mar e su-  modelo IO, através da Matriz Insumo-Produ-  X = total de produção dos setores.  composta pelos setores exógenos da econo-
 plementarmente  quantificar  os  impactos   to (MIP), é geralmente construído a partir de   O modelo IO estabelece-se como um   mia, sendo eles: consumo das famílias (C),
 sociais e econômicos inerentes. O’Donou-  dados econômicos observados para uma re-  conjunto de tabelas e quadros – também   formação bruta de capital fixo e variação dos
 gue et al. (2021) citam que metodologias   gião geográfica específica e medição anual.  conhecido por Matriz Insumo-Produto   estoques (I), consumo do governo (G) e, por
 para avaliar impactos devem focar em   Dessa forma, ao exibir as ligações dos setores   (MIP) – que pode ser dividido em dois gru-  fim, a exportações (E). Ramos (1996) ainda
 uma miríade de dimensões econômica,   com a economia – conhecidas por “ligações   pos, a saber: 1º- Tabelas básicas, nomea-  comenta que o valor adicionado é o consu-
 social, espacial e ambiental, e a tendência   intersetoriais”, “encadeamentos” ou “liga-  das Tabelas de Recursos e Usos (TRUs);   mo intermediário menos o valor de produção.
 é a adaptação para considerar o máximo   ções para frente e para trás” –, contribui para   2º- Tabelas que resultam da aplicação do   O VAB, consequente do processo de produção,
 de variáveis em conjunto, formando mo-  o melhor entendimento da estrutura econô-  modelo sobre as informações contidas nas   é dividido entre os fatores de produção, tra-
 delos mais complexos e completos. Nesse   mica, assim como de sua transformação ao   tabelas básicas. As TRUs incorporam dados   balho (l) e o capital (n), além do governo (G).
 sentido, os autores apontam que os mo-  longo dos anos, o que, por conseguinte, é   da produção das atividades econômicas,   Igualmente, podemos demonstrar que
 delos insumo-produto (IO, sigla em inglês)   fundamental na concepção de politicas pú-  consumo intermediário, salários pagos, en-  o modelo IO apresenta as identidades ma-
 são os mais utilizados, possibilitando a   blicas (ZHAO et al., 2014). Ainda segundo o   cargos sociais, investimentos das empresas   croeconômicas, para tanto utilizaremos as
 mensuração da economia total ou de um   autor, a MIP é muito utilizada em várias disci-  e outros. Do segundo grupo de tabelas,   representações do Quadro 1. Somando a úl-
 setor específico, além de avaliar os impac-  plinas da  economia e largamente emprega-  a mais conhecida é a Matriz de Leontief.   tima linha e coluna do Quadro 1, obtemos as
 tos em setores, agentes e economias e   da por pesquisadores e policymakers.   Por intermédio desta, é possível calcular os   equações (1) e (2), respectivamente:



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