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Dessa forma, o capítulo será divido em 3 sobre a contribuição deste “setor econômico”, Quadro 1. Matriz Insumo-Produto simplificada para uma economia de dois setores
seções, além desta introdutória. A segunda assim como evidencia dois avanços na apli-
seção apresenta e define as metodologias fre- cação do modelo Insumo-Produto e Sistema Compras
quentemente identificadas em estudos da Eco- de Contas Nacionais para contas oceânicas. Consumo Demanda Final
nomia do Mar/Costeira ou Azul. A terceira se- Por fim, são apresentadas as considerações Intermediário Total Produto
ção dedica-se a sintetizar os principais estudos finais do capítulo, seguida das referências.
Setor 1 Setor 2 C I G E
2. Insights dos métodos utilizados na mensuração da contribuição e Vendas Setor 1 Z 11 Z 12 C 1 I 1 G 1 E 1 x 1
quantificação de impactos econômicos Setor 2 Z 21 Z 22 C 2 I 2 G 2 E 2 x 2
Estatísticas voltadas à avaliação da perceber os fluxos intra e interindustriais. Valor Trabalho l 1 l 2 L
economia do mar e costeira são cada vez Por isso, será iniciada a concisa explana- Adicionado
mais desenvolvidas por pesquisadores e ção metodológica na primeira subseção. Capital n 1 n 2 N
governos que já reconheceram sua im- Bruto
portância para a economia nacional. Des- 2.1. Modelo Insumo-Produto (IO) Importações m 1 m 2 M
de a década de 1980, foram realizados x’ x 1 x 2 C I G E X
ao redor do mundo diversos estudos com É o nome dado para estrutura analítica de- Fonte: Adaptado de Miller e Blair (2009)
a finalidade de dimensionar a contribui- senvolvida por Wassily Leontief em meados
ção e o impacto econômico desta porção dos anos 1930. Sua proposta de estrutura Onde: impactos diretos e indiretos decorrentes de
da economia para regiões, nações e, até fundamental é analisar a interdependência Z = consumo intermediário; alterações na demanda final de uma eco-
mesmo, continentes (CARVALHO, 2018). das indústrias em uma economia (MILLER; C = consumo das famílias; nomia (CONSIDERA et al., 1997).
Para entender melhor a evolução dessa BLAIR, 2009). Ou seja, indica a atividade de I = investimento das empresas; Segundo Ramos (1996), a tabela de con-
temática ao longo dos anos, é fundamen- um grupo de indústrias que produzem pro- G = consumo do governo; sumo intermediário expõe para cada produto
tal lançar luz de algumas metodologias dutos (outputs) e consumem bens de outras E = exportações; (linhas) o valor a preço de consumidor consu-
empregadas para o alcance dos resulta- indústrias (inputs) no processo produtivo, mido por cada atividade econômica (colunas)
dos. Vale destacar que alguns métodos condensando as informações em uma tabela L = trabalho; durante o processo de produção. A demanda
podem mensurar a economia relacionada de transações interindustriais (Quadro 1). O N = capital; final, de acordo com Miller e Blair (2009), é
– direta e indiretamente – ao mar e su- modelo IO, através da Matriz Insumo-Produ- X = total de produção dos setores. composta pelos setores exógenos da econo-
plementarmente quantificar os impactos to (MIP), é geralmente construído a partir de O modelo IO estabelece-se como um mia, sendo eles: consumo das famílias (C),
sociais e econômicos inerentes. O’Donou- dados econômicos observados para uma re- conjunto de tabelas e quadros – também formação bruta de capital fixo e variação dos
gue et al. (2021) citam que metodologias gião geográfica específica e medição anual. conhecido por Matriz Insumo-Produto estoques (I), consumo do governo (G) e, por
para avaliar impactos devem focar em Dessa forma, ao exibir as ligações dos setores (MIP) – que pode ser dividido em dois gru- fim, a exportações (E). Ramos (1996) ainda
uma miríade de dimensões econômica, com a economia – conhecidas por “ligações pos, a saber: 1º- Tabelas básicas, nomea- comenta que o valor adicionado é o consu-
social, espacial e ambiental, e a tendência intersetoriais”, “encadeamentos” ou “liga- das Tabelas de Recursos e Usos (TRUs); mo intermediário menos o valor de produção.
é a adaptação para considerar o máximo ções para frente e para trás” –, contribui para 2º- Tabelas que resultam da aplicação do O VAB, consequente do processo de produção,
de variáveis em conjunto, formando mo- o melhor entendimento da estrutura econô- modelo sobre as informações contidas nas é dividido entre os fatores de produção, tra-
delos mais complexos e completos. Nesse mica, assim como de sua transformação ao tabelas básicas. As TRUs incorporam dados balho (l) e o capital (n), além do governo (G).
sentido, os autores apontam que os mo- longo dos anos, o que, por conseguinte, é da produção das atividades econômicas, Igualmente, podemos demonstrar que
delos insumo-produto (IO, sigla em inglês) fundamental na concepção de politicas pú- consumo intermediário, salários pagos, en- o modelo IO apresenta as identidades ma-
são os mais utilizados, possibilitando a blicas (ZHAO et al., 2014). Ainda segundo o cargos sociais, investimentos das empresas croeconômicas, para tanto utilizaremos as
mensuração da economia total ou de um autor, a MIP é muito utilizada em várias disci- e outros. Do segundo grupo de tabelas, representações do Quadro 1. Somando a úl-
setor específico, além de avaliar os impac- plinas da economia e largamente emprega- a mais conhecida é a Matriz de Leontief. tima linha e coluna do Quadro 1, obtemos as
tos em setores, agentes e economias e da por pesquisadores e policymakers. Por intermédio desta, é possível calcular os equações (1) e (2), respectivamente:
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