
A Escola de Guerra Naval (EGN) sediou, no dia 19 deste mês, o “Simpósio 50 anos da adesão do Brasil ao Tratado da Antártica”, reunindo autoridades, pesquisadores e especialistas que abordaram os desafios e perspectivas da presença nacional no continente gelado. A abertura foi realizada pelo Coordenador do Núcleo de Avaliação da Conjuntura (NAC), Capitão de Mar e Guerra (da Reserva) Leonardo Mattos, que apresentou uma linha do tempo da presença internacional na Antártica. Em sua exposição, destacou as primeiras expedições científicas, a assinatura do Tratado da Antártica em 1959 e o ingresso do Brasil em 1975. Ressaltou a importância do Programa Antártico Brasileiro (PROANTAR) no âmbito científico e na geopolítica, “constituindo-se um instrumento de projeção estratégica”, pontuou.
Na sequência, o Secretário da Comissão Interministerial para os Recursos do Mar (SECIRM), Contra-almirante Ricardo Jaques Ferreira, apresentou os avanços do PROANTAR, destacando a interação entre militares e pesquisadores civis, uma marca desde o início do Programa. Sublinhou a atuação do PROANTAR na pesquisa científica, o que assegura o status consultivo do Brasil (influência política nas decisões) naquele continente, além de contribuir com a geração de conhecimento aplicável em várias áreas. Também reforçou a influência da Antártica na regulação do clima global, observando o trabalho de monitoramento climático realizado por meio do PROANTAR, além de outras iniciativas científicas do Brasil na área de proteção ambiental da Antártica, em conformidade com o Protocolo de Madri.
Em relação aos avanços, o Almirante Jaques mencionou as inovações tecnológicas do novo Navio de Apoio Antártico Almirante Saldanha, em construção no Brasil e que deverá ser concluído entre 2026 e 2027. O navio permitirá desembarcar mesmo em locais desprovidos da necessária infraestrutura. Ressaltou, ainda, a importância de parcerias com empresas, no que tange à logística e à alocação de recursos financeiros; e a necessidade de ampliar a consciência marítima, por meio da educação, com a inclusão dos temas Antártica e Amazônia Azul nos currículos.
Ciência Antártica
O Professor Doutor Paulo Câmara, da Universidade de Brasília e da Escola Superior de Defesa, abordou a relevância da Ciência Antártica. Compartilhou a sua vivência como pesquisador do PROANTAR, enfatizando que não somente os minerais, mas os recursos biológicos da região têm grandes potenciais de aplicações - medicina (antibióticos, anticongelantes), alimentação e em várias áreas da indústria. Ressaltou os aspectos estratégicos do conhecimento produzido na Antártica e assinalou a necessidade da participação científica do Brasil no Ártico. Segundo ele, a presença nessas regiões tem impacto direto no equilíbrio de poder e segurança global. “A pesquisa científica é também diplomacia e geopolítica”, disse.
Encerrando as exposições, a Mestre Gabriele Hernandez, pesquisadora do NAC, fez uma retrospectiva histórica dos interesses polares da China e do seu ingresso no Tratado da Antártica. Analisou a evolução da presença do país naquele continente (atualmente, com cinco estações de pesquisa em operação), a atuação no Ártico e os impactos da Nova Rota da Seda. Relacionou os interesses científicos, logísticos e estratégicos chineses com a busca de ampliar a influência geopolítica nessas regiões.
O Simpósio foi concluído com uma sessão de debates, em que os palestrantes responderam perguntas da plateia, promovendo reflexões sobre os rumos da presença brasileira e os desafios futuros no contexto Antártico e Ártico.