
A Marinha do Brasil, por meio do Sistema de Abastecimento da Marinha (SAbM) e da Escola de Guerra Naval (EGN), realizou o 1º Jogo de Apoio Logístico (JAL), iniciativa inédita voltada para testar e aperfeiçoar os procedimentos de apoio logístico do SAbM em situações de desastres naturais. A fase de execução, realizada na EGN, entre os dias 11 e 14 de agosto, simulou um cenário de enchentes severas, exigindo dos participantes a tomada de decisões em tempo real sobre transporte, triagem e distribuição de gêneros e donativos, além da manutenção das linhas de abastecimento para os meios navais empregados nas atividades de suporte à população atingida. O Jogo foi concebido e conduzido pelo Centro de Jogos de Guerra da EGN, atendendo a uma demanda do Centro de Operações do Abastecimento (COpAb).
Conforme o Diretor do COpAb, Contra-Almirante (IM) Ricardo Yukio Iamaguchi, a inspiração para o exercício surgiu da experiência na Operação Taquari II, durante as enchentes que ocorreram no Sul. "A experiência na operação identificou a oportunidade de consolidar em um normativo a nossa atuação em situações de desastres naturais", observou. Ele destacou que os objetivos propostos para esse Jogo de Guerra buscaram testar situações que se aproximassem da realidade, possibilitando desenvolver tanto a parte do treinamento do pessoal, quanto avaliar e incrementar procedimentos na área do Abastecimento.
“O COpAb, como uma parte do Sistema do Abastecimento da Marinha, espera aprimorar a atuação para atender a demandas em casos de desastres naturais”, disse o Almirante Iamaguchi. Acrescentou que o JAL também possibilitou testar os normativos e procedimentos, verificando se o disposto na “teoria, efetivamente, se aplicaria a uma situação real”, pontuando que o aprendizado extraído do exercício contribui para o fortalecimento da prontidão do SAbM e amplia a capacidade da Marinha em apoiar a sociedade brasileira em momentos de maior vulnerabilidade.
Elaboração do Jogo
“Como foi o primeiro Jogo de Guerra voltado para o Sistema de Abastecimento, o desafio foi grande, pois a criação de um jogo é complexa, não resumindo-se à Fase de Execução”, observou o Capitão de Mar e Guerra (RM1) Rodrigo Metropolo Pace, Gerente do Jogo. Ele explicou que o projeto começou a ser montado em março, realizando-se, primeiramente, a especificação e a análise dos problemas e aspectos do Sistema de Abastecimento, considerando a atuação em uma situação de desastre natural na qual a Marinha fosse instada a apoiar, pelo Governo Federal ou por um Governo Estadual.
Nas primeiras fases da elaboração do Jogo, foram definidos o cenário, com aderência à realidade e pautado nas enchentes que ocorreram no Rio Grande do Sul em 2024, e os incentivos/desafios aos quais os jogadores seriam submetidos. Durante a Fase de Especificação, “foi percebida a necessidade de se estabelecer um procedimento a ser avaliado e testado no Jogo”. Então, foi inserida uma Fase de Planejamento, na qual os jogadores desenvolveram um Procedimento Operacional Padrão (POP), posteriormente testado na Fase de Execução, visando verificar a existência de possíveis lacunas e vulnerabilidades, bem como tópicos a serem inseridos, de modo a aprimorar o referido Procedimento, explicou o Gerente do I JAL.
Na avaliação do Comandante Pace, a primeira edição do JAL alcançou o seu propósito e assinalou a possibilidade de o Jogo ser incrementado no futuro, elevando-se seu nível de tático para operacional, com a respectiva ampliação de jogadores, representando, por exemplo, a Força Naval Componente e outras agências envolvidas na atuação coordenada em situações de desastres naturais.
