Prospecto da cidade de St. Maria de Belém do Grão-Pará
Alexandre Rodrigues Ferreira nasceu a 27 de Abril de 1756 no seio de uma família mercante baiana. Seguindo a vontade do pai iniciou a vida eclesiástica e em 1770 foi enviado para a Universidade de Coimbra. Pouco tempo depois acabou por desistir de ser sacerdote e inscreveu-se na Faculdade de Leis em 1773, na de Filosofia Natural em 1774, onde foi aluno de Vandelli, e na de Matemática em 1775. Em Janeiro de 1779 doutorou-se em Filosofia Natural. Durante o curso de Filosofia Natural aprendeu Botânica, Zoologia e Mineralogia além de Física Experimental, Química Teórica e Prática, Lógica, Metafísica e Ética. Em Maio de 1780 foi nomeado membro correspondente da Academia e Ciências de Lisboa.
Dada a sua formação e conhecimentos foi escolhido por Vandelli para chefiar a viagem filosófica à Amazónia. Assim, em Setembro de 1783, parte de Lisboa, juntamente com os seus assistentes (os desenhistas José Joaquim Freire e Joaquim José Codina e o jardineiro-botânico Agostinho Joaquim do Cabo), rumo a Belém do Pará onde chegam em Outubro. Entre o material levado encontrava-se uma cozinha de campo, um laboratório portátil, equipamento de caça e pesca, uma “mala” médica e uma pequena biblioteca (para a catalogação e identificação dos espécimes recolhidos) onde constavam um mapa da bacia do Rio Amazonas, uma cópia do manuscrito do ouvidor Xavier Ribeiro Sampaio (The diary of the philosophical Journey in the Captaincy of S. Jorge do Rio Negro (1774-1775)), os trabalhos de História Natural clássica de Piso e Marcgraf e três textos de Linnaeus sobre história natural – Systema Naturae, Genera Plantarum e Species Plantarum e mais onze livros. Ao chegar a Belém do Pará depara com uma agricultura em declínio pois as culturas não eram apropriadas e os responsáveis revelavam-se incompetentes. Aproveita também para enviar a primeira remessa de aguarelas e espécimes obtidas durante a viagem.
Em Janeiro de 1784, a expedição deixa Belém do Pará e sobe o Rio Tocantis (duas semanas) em direcção a Barcelos, mas acaba por voltar ao Pará no mês seguinte e daí prossegue para a capitania de S. José do Rio Negro. Enquanto explora o Rio Negro escreve sete memórias sobre a flora, a fauna e os costumes Índios, baseando as ideias e preconceitos a respeito dos Índios no livro History of Americas de Robertson, uma compilação de descrições de viajantes anteriores.
No final de Junho de 1784, Ferreira adoece durante dois meses com febre tropical. Entre Outubro de 1784 e Março de 1785, ao subir novamente o Rio Negro, a expedição realiza diversas incursões ao interior da floresta. Em Barcelos, têm oportunidade de descansar e preparar os espécimes para serem enviados para Lisboa e recebem instruções adicionais do Governador Caldas para explorar os Rios Branco, Araca, Paduari, Caúburis, Uaúpes, Içana e Ixíe subindo o Rio Negro em direcção ao posto militar de S. José de Marabitanas no limite territorial português, onde chegam em Novembro de 1785. Pelos sítios onde passam, analisa o estado das plantações e ajuda a melhorá-las. Durante a viagem verifica que os povos nativos eram incapazes de resistir às doenças ocidentais, o que resultava na dizimação de tribos inteiras; por outro lado tinham uma grande capacidade de mudança (por comparação com descrições de La Camine (1745) realizadas apenas alguns anos antes e que nada tinham a ver com a realidade que encontra). Constata que o interior da Amazónia se encontrava em decadência o que, segundo o próprio, se devia em grande parte à febre de realizar dinheiro rapidamente sem haver uma preocupação com o futuro da zona e dos seus recursos.
PESQUISA: PROFª LUCIANA AKIM
PEDAGOGA DO MEP(MUSEU DO ESTADO DO PARÁ)