Psicólogos podem entrar na Marinha por duas portas de entrada

Quem escolhe fazer Psicologia tem uma visão diferenciada das pessoas e opta por uma profissão que está voltada para ajudar o próximo. Aqui na Marinha, existem várias áreas que os psicólogos podem trabalhar e beneficiar quem precisa”, comenta o Capitão de Fragata Marcelo Pretti da Marinha do Brasil (MB), psicólogo especializado na área clínica. 

Importante para a equipe de apoio da MB, os psicólogos, que celebram seu dia em 27 de agosto, podem ingressar na Marinha por meio de duas portas de entrada: pelo concurso do Quadro Técnico (QT), voltado para carreira, ou pelo  processo seletivo do Serviço Militar Voluntário de Oficiais temporários (SMV-OF).

Marinha do Brasil: o sonho desde criança

Desde pequeno, Comandante Pretti tinha vontade de ser militar, já que seu pai era Cabo da MB. Quando o via uniformizado, sua imaginação ia longe, pois ele se imaginava também de farda branca. 

"Eu sempre achei bonito aquele uniforme e cresci com essa visão na minha cabeça. Desde criança, queria ser igual o meu pai: ser da Marinha do Brasil e vestir a tão sonhada farda branca”, fala emocionado ao relembrar de um sonho antigo.

Ao mesmo tempo em que queria entrar na Marinha, sempre gostou da área de Psicologia e ao longo de sua vida soube que era isso que queria fazer profissionalmente. Fez então a faculdade e no último ano dos estudos, em 1997, fez o concurso para a MB e passou.

“Me formei em setembro de 1997 e no início de 1998 eu já estava na MB. Isso fez uma grande diferença, pois com 24 anos eu já estava com a minha vida estabilizada, coisa que provavelmente eu não teria nessa idade se não estivesse aqui dentro. Hoje tenho 20 anos na instituição”, recorda ele.

O psicólogo sempre trabalhou na sua área. Passou por diversas Organizações Militares (OM) na MB e exerceu muitas atividades, como elaboração dos perfis e exames psicológicos, realização de testes para seleção de candidatos e trabalhos em atendimento clínico, no qual ficou dois anos e meio.

Pioneirismo na Psicologia de Submarinos

O Comandante Pretti foi o primeiro psicólogo a trabalhar diretamente com submarinistas, mergulhadores e mergulhadores de combate no Centro de Instrução e Adestramento Almirante Áttila Monteiro Aché (CIAMA), em Niterói, no Rio de Janeiro, no período de 2009 a 2012.

“Eu atuava para dar suporte a esses militares que trabalhavam em áreas de risco e operações especiais, foi desafiador, pois eu fui o primeiro psicólogo. Foi a melhor experiência da minha vida, porque não era uma atividade teórica e sim real”, conta entusiasmado.

A partir do momento em que o psicólogo foi servir no CIAMA, ele começou a pesquisar sobre a Psicologia no submarino. “Comecei a pesquisar sobre essa área e a partir do meu estudo foi determinado que fosse criada a Psicologia de Submarinos na Marinha. Hoje, há a função de psicólogos de submarinos”, conta.

Aprendizado em diversas áreas

O Comandante Pretti revela que sua satisfação não é só pela profissão, mas também pelo aprendizado em várias áreas, que acaba sendo refletido na sua vida. Para ele, há diversos benefícios em ser psicólogo na Marinha.

“O psicólogo irá se realizar aqui dentro, assim como eu sou. São várias as vantagens: o salário, principalmente para início de carreira é muito bom; a estabilidade, que não fez eu ficar estagnado e por isso sou Capitão de Fragata hoje; os cursos de aprimoramento que a Marinha oferece, entre outros. A MB dá um leque de atividades para os psicólogos se desenvolverem aqui dentro”.

Veja as duas portas de entrada da Marinha para os psicólogos

Na Marinha do Brasil, o psicólogo pode exercer seu trabalho em várias áreas, como: Atendimento Clínico, Recrutamento e Seleção, Organizacional, Escolar, Psicologia da Aviação, Psicologia do Submarino e a Psicologia Operativa.

Quadro Técnico (QT)

É o concurso público para homens e mulheres com menos de 36 anos no dia 1° de janeiro do ano do curso de formação e que tenham a graduação completa. Fazendo o concurso para o QT, o candidato entra para a Marinha no posto de 1° Tenente, recebendo remuneração de cerca de R$ 11 mil. Como ele será de carreira, ao longo dos anos será promovido e poderá chegar até o posto de Capitão de Mar e Guerra.

No concurso, os candidatos fazem prova com 50 questões de conhecimentos profissionais e redação e, caso sejam aprovados dentro do número de vagas, também realizam os Eventos Complementares, que são: Inspeção de Saúde, Teste de Aptidão Física (corrida e natação), Verificação de Dados Biográficos e Prova de Títulos.

Processo Seletivo para o Serviço Militar Voluntário de Oficiais (SMV-OF)

Já o SMV é um vínculo entre o militar e a Marinha, que pode ser renovado anualmente, podendo chegar a oito anos, período máximo de serviço.

Quem desejar fazer o SMV-OF deverá ter menos de 45 anos no dia 31 de dezembro do ano do curso de formação, ter a formação em Psicologia. O Processo Seletivo aceita tanto homens quanto mulheres.

O militar do SMV é nomeado ao posto de Guarda-Marinha recebendo remuneração de cerca de R$6.993. O processo seletivo é realizado por prova de 50 questões de Português (25) e Formação Militar Naval (25), além dos Eventos Complementares que englobam Verificação de Dados Biográficos, Inspeção de Saúde, Prova de Títulos e Verificação Documental.

Saiba mais:
Concurso do Quadro Técnico
Serviço Militar Voluntário de Oficiais temporários