Page 493 - Livro - Economia Azul
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conhecimento) e governo (como promo-  país na última década, o maior padrão de
 tores do conhecimento). Nesse modelo, a   colaboração  tem sido  observado entre  a   Figura 4: Modelo expandido da Tríplice Hélice aplicado
 biotecnologia se insere como uma ativi-  academia e o governo, reflexo do depósito   à Biotecnologia Marinha
 dade econômica essencialmente  baseada   das patentes em regime de cotitularidade
 na interdependência de atores das esferas   entre agências de fomento e universidades.
 ciência, mercado e Estado, respectivamen-  Já a colaboração entre a academia e a in-
 te. A empresa privada depende do conhe-  dústria permanece incipiente, fazendo com
 cimento da academia e de financiamento   que o padrão de colaboração não seja o
 para inovação para produzir bens e serviços.   esperado no modelo da Tríplice Hélice.
 Universidades  e  institutos  fazem  pesquisa   Um dos instrumentos normalmente   Inovação  Oferta
 utilizando recursos públicos e privados. Por   utilizados para aproximar as partes dentro
 sua vez, governos, agências e comitês for-  do modelo academia-indústria-governo é
 mulam políticas de C,T&I e respondem pela   o estabelecimento de Polos Tecnológicos,
 estrutura de regulação, atividades que pre-  que são ambientes propícios  à  interação
 cisam estar afinadas com empresas e acade-  entre  instituições  públicas,  empresas  pri-
 mia para que sejam efetivas.   vadas e a comunidade científica. Tais Polos
 Compreender a biotecnologia perpas-  servem como ambientes de cooperação
 sa pelo entendimento desse complexo de   entre a iniciativa empreendedora e a co-
 interdependências, por isso as três esferas   munidade acadêmica, visando ao fortale-
 podem ser utilizadas como recurso analíti-  cimento da capacidade de inovação, ge-
 co. A ideia-base sugere que inovação bio-  ração de riqueza e bem-estar da socieda-
 tecnológica só é possível no momento em   de. Ainda, esses ambientes possuem alto
 que conhecimento novo é direcionado para   potencial para transpor o abismo que há
 atender  demandas  de  desenvolvimento  so-  entre a geração do conhecimento cientí-
 cioeconômico, que em seguida são analisa-  fico e o desenvolvimento socioeconômico   Demanda
 das, gerenciadas e comercializadas por enti-  (o paradigma da Inovação).
 dades privadas e empresas. Nesse caminho,   Ainda que esse modelo pareça bem   Fonte: Elaboração própria (2022)
 há o estímulo de políticas públicas que visem   resolvido,  existem  outros  mais  recentes
 a coordenar o desenvolvimento do potencial   que reconhecem o protagonismo de in-
 de cada setor e a gerir os modelos contra-  vestidores e usuários dentro do fluxo de   4. A Biotecnologia nas empresas
 tuais das parcerias entre os diferentes atores   desenvolvimento; a chamada hélice tripla
 (incluindo as patentes). Nessa perspectiva,   de inovação expandida. Nesta visão, o   O termo “Biotecnologia” abrange di-  pós-graduação em biologia molecular e
 os atores (governos, indústria e academia)   modelo da TH está ultrapassado e falha ao   versas tecnologias empregadas na pesqui-  com a associação da  Embrapa  (Empresa
 precisam aumentar sua interação para criar   desconsiderar dois grupos centrais no mo-  sa e na indústria, que variam desde a pro-  Brasileira de Pesquisa Agropecuária) a algu-
 inovações que contribuam para o desenvol-  delo, que são empreendedores e clientes.   dução de enzimas por bactérias genetica-  mas universidades do Estado de São Paulo
 vimento econômico, a competitividade e o   Segundo um estudo do Instituto de Tec-  mente modificadas até terapias utilizando   para o desenvolvimento de programas de
 bem-estar social. E é justamente nesse ponto   nologia de Massachusetts (MIT), 93% da ino-  células-tronco. A biotecnologia em si, no   engenharia genética em animais, a biotec-
 que falha o modelo de inovação.   vação têm origem fora de empresas estabele-  Brasil, iniciou-se por volta de 1930, quan-  nologia foi pouco a pouco se consolidando
 A academia está distante das empresas.   cidas. A principal razão está no paradigma da   do o Instituto Agronômico de Campinas   no cenário nacional. 
 Os empresários normalmente são avessos a   Inovação supramencionado: organizações e   (IAC) começava a desenvolver pesquisas   Apesar de o país ser essencialmente agrí-
 inovação. E falta ao governo políticas ativas   industrias estabelecidas reconhecem o abis-  para  melhoramento  genético  de  café,   cola, somente 10% das empresas de bio-
 e integradoras para inovação. E embora o   mo entre inovação e mercado, e optam por   milho  e  outras  espécies.  Gradualmen-  tecnologia estão voltadas para a agricultura.
 esforço inovativo apresente crescimento no   evitar os riscos inerentes à inovação.   te, com o surgimento de programas de   Cerca de 40% atuam em saúde humana e



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 490   ECONOMIA AZUL                                                    Desenvolvimento da Biotecnologia Marinha 491
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