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conhecimento) e governo (como promo-     país na última década, o maior padrão de
               tores do conhecimento). Nesse modelo, a   colaboração  tem sido  observado entre  a                                             Figura 4: Modelo expandido da Tríplice Hélice aplicado
               biotecnologia se insere como uma ativi-  academia e o governo, reflexo do depósito                                                            à Biotecnologia Marinha
               dade econômica essencialmente  baseada   das patentes em regime de cotitularidade
               na interdependência de atores das esferas   entre agências de fomento e universidades.
               ciência, mercado e Estado, respectivamen-  Já a colaboração entre a academia e a in-
               te. A empresa privada depende do conhe-  dústria permanece incipiente, fazendo com
               cimento da academia e de financiamento   que o padrão de colaboração não seja o
               para inovação para produzir bens e serviços.   esperado no modelo da Tríplice Hélice.
               Universidades  e  institutos  fazem  pesquisa   Um dos instrumentos normalmente                                                  Inovação                                  Oferta
               utilizando recursos públicos e privados. Por   utilizados para aproximar as partes dentro
               sua vez, governos, agências e comitês for-  do modelo academia-indústria-governo é
               mulam políticas de C,T&I e respondem pela   o estabelecimento de Polos Tecnológicos,
               estrutura de regulação, atividades que pre-  que são ambientes propícios  à  interação
               cisam estar afinadas com empresas e acade-  entre  instituições  públicas,  empresas  pri-
               mia para que sejam efetivas.             vadas e a comunidade científica. Tais Polos
                 Compreender a biotecnologia perpas-    servem como ambientes de cooperação
               sa pelo entendimento desse complexo de   entre a iniciativa empreendedora e a co-
               interdependências, por isso as três esferas   munidade acadêmica, visando ao fortale-
               podem ser utilizadas como recurso analíti-  cimento da capacidade de inovação, ge-
               co. A ideia-base sugere que inovação bio-  ração de riqueza e bem-estar da socieda-
               tecnológica só é possível no momento em   de. Ainda, esses ambientes possuem alto
               que conhecimento novo é direcionado para   potencial para transpor o abismo que há
               atender  demandas  de  desenvolvimento  so-  entre a geração do conhecimento cientí-
               cioeconômico, que em seguida são analisa-  fico e o desenvolvimento socioeconômico                                                               Demanda
               das, gerenciadas e comercializadas por enti-  (o paradigma da Inovação).
               dades privadas e empresas. Nesse caminho,   Ainda que esse modelo pareça bem                                                                                      Fonte: Elaboração própria (2022)
               há o estímulo de políticas públicas que visem   resolvido,  existem  outros  mais  recentes
               a coordenar o desenvolvimento do potencial   que reconhecem o protagonismo de in-
               de cada setor e a gerir os modelos contra-  vestidores e usuários dentro do fluxo de                              4. A Biotecnologia nas empresas
               tuais das parcerias entre os diferentes atores   desenvolvimento; a chamada hélice tripla
               (incluindo as patentes). Nessa perspectiva,   de inovação expandida. Nesta visão, o                                  O termo “Biotecnologia” abrange di-   pós-graduação em biologia molecular e
               os atores (governos, indústria e academia)   modelo da TH está ultrapassado e falha ao                            versas tecnologias empregadas na pesqui-  com a associação da  Embrapa  (Empresa
               precisam aumentar sua interação para criar   desconsiderar dois grupos centrais no mo-                            sa e na indústria, que variam desde a pro-  Brasileira de Pesquisa Agropecuária) a algu-
               inovações que contribuam para o desenvol-  delo, que são empreendedores e clientes.                               dução de enzimas por bactérias genetica-  mas universidades do Estado de São Paulo
               vimento econômico, a competitividade e o    Segundo um estudo do Instituto de Tec-                                mente modificadas até terapias utilizando   para o desenvolvimento de programas de
               bem-estar social. E é justamente nesse ponto   nologia de Massachusetts (MIT), 93% da ino-                        células-tronco. A biotecnologia em si, no   engenharia genética em animais, a biotec-
               que falha o modelo de inovação.          vação têm origem fora de empresas estabele-                              Brasil, iniciou-se por volta de 1930, quan-  nologia foi pouco a pouco se consolidando
                 A academia está distante das empresas.   cidas. A principal razão está no paradigma da                          do o Instituto Agronômico de Campinas    no cenário nacional. 
               Os empresários normalmente são avessos a   Inovação supramencionado: organizações e                               (IAC) começava a desenvolver pesquisas      Apesar de o país ser essencialmente agrí-
               inovação. E falta ao governo políticas ativas   industrias estabelecidas reconhecem o abis-                       para  melhoramento  genético  de  café,   cola, somente 10% das empresas de bio-
               e integradoras para inovação. E embora o   mo entre inovação e mercado, e optam por                               milho  e  outras  espécies.  Gradualmen-  tecnologia estão voltadas para a agricultura.
               esforço inovativo apresente crescimento no   evitar os riscos inerentes à inovação.                               te, com o surgimento de programas de     Cerca de 40% atuam em saúde humana e



                                                                                                                                                                                      Desenvolvimento da Biotecnologia Marinha 491
     490   ECONOMIA AZUL                                                                                                                                                              Desenvolvimento da Biotecnologia Marinha 491
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