Page 475 - Livro - Economia Azul
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Ataques cibernéticos no ambiente ma- de navegação e garantir a operação se-
rítimo vêm mostrando a vulnerabilidade gura dos sistemas de navegação e contro-
dos sistemas de navegação integrados e le das plataformas a bordo. Esta solução Figura 3. Relações da Tecnologia Oceânica com a Sociedade
controles integrados de gerenciamento de vem demandando importantes pesquisas
plataforma, não sendo raros os casos de em subsistemas ou operações específicas
ciberataques a navios e armadores (Leite como embarcações autônomas, sistemas
et al., 2021). Atividades intencionais de portuários e sistemas de IT/OT instalados
sabotagem no sinal de posicionamento sa- a bordo de navios (Meland, 2021). Diver-
telital ou de identificação AIS são possíveis sos estudos que estão sendo conduzi-
de ocorrerem e causarem danos materiais e dos em importantes centros de pesquisa
pessoais de grandes proporções. como as Universidades de Plymouth e de
Este risco operacional aumentou de Ciência e Tecnologia da Noruega (NTNU)
intensidade a partir da década de 2000 têm mostrado a baixa conscientização da
com o boom da digitalização dos navios, comunidade marítima em relação a este
causando o surgimento de uma impor- problema, apresentando que ainda existe
tante indústria tecnológica que visa mi- um vasto campo de pesquisa e desenvol-
tigar tais problemas: a cibersegurança vimento a ser trilhado para se mitigar os
marítima. Este ramo é especializado em riscos na digitalização e conectividade dos
proteger dados de navios e companhias sistemas marítimos de navegação.
4. Desafios em Tecnologia Oceânica
Há uma diversidade de atores ligados da pesquisa pura virem protótipos que
aos estudos e ao uso do oceano, envolven- provem estes conceitos e depois produtos
do diversas áreas da ciência (oceanografia, na mão da indústria para uso do merca-
meteorologia, engenharias, ciências so- do. A compreensão desta cadeia foi muito
ciais, biologia etc.), as indústrias de pesca, bem adotada pela NASA que desenvolveu
aquacultura, de óleo & gás, de mineração, a métrica dos níveis de prontidão tecno-
energias renováveis, de turismo, o lazer en- lógica, do inglês Technology Readiness
tre outros tantos, como está exemplificado Levels-TRL (Gil, Andrade e Costa, 2014).
no diagrama circular da Figura 3. Soma-se a Nesta métrica, a pesquisa básica e o de-
isto, a diversidade cultural, social, econômi- senvolvimento de protótipos vão do TRL-1
ca, ambiental e geológica nas diversas regi- ao TRL-5, ou seja, processos de pesquisa e
ões da costa brasileira. Toda essa pluralida- invenção. O aprimoramentos piloto para
de vai se refletir nas tecnologias existentes ambientes reais, processos de inovação,
que devem suprir desde as necessidades do do TRL-5 ao TRL-7, etapa esta que já deve
pescador artesanal de áreas costeiras até as incluir empresas e startups, e as evoluções
demandas das grandes empresas de óleo & para os produtos ou serviços se tornarem
gás e mineração em águas profundas. maduros e comerciais, processos de inves-
Para o desenvolvimento tecnológi- timento comercial e de mercado que vão Fonte: Fábio Nascimento
co perene, é necessário que haja supor- do TRL-8 ao TRL-9. Esta lógica evolutiva e
te à pesquisa, ao desenvolvimento e à a sinergia entre os atores está ilustrada na
inovação, possibilitando que os conceitos figura na página ao lado.
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