Page 449 - Livro - Economia Azul
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período supracitado, os quais potencial-  sistema Automatic Identification System
                  mente poderiam ter causado o vazamento   – AIS de embarcações. O sistema de de-
                  de óleo (FERREIRA, 2022). Mais uma vez,   tecção e previsão de deriva de manchas de
                  a oceanografia operacional demonstrou    óleo no mar é integrado através do uso de
                  sua relevante contribuição, agora em ações   ferramentas de inteligência artificial, para
                  para mitigar os danos ambientais que tan-  a detecção de comportamentos anômalos
                  to comprometeram ecossistemas costeiros   de deslocamento de navios e identificação
                  e a economia das regiões afetadas.       de manchas de óleo no mar.
                     A capacidade de monitoramento e pre-     Conquanto o evento de derrame de
                  visão do deslocamento de embarcações e   óleo no mar de 2019 seja único em mag-
                  manchas de óleo no mar tem reflexo direto   nitude e extensão, com mais de 3.000 to-
                  na capacidade de dissuasão de derrames   neladas de resíduos oleaginosos coletados
                  de óleo no mar por navios e plataformas   ao longo de aproximadamente 2.900 km
                  de exploração de  petróleo na Amazônia   de litoral (SOARES et al., 2022), derrames
                  Azul. Para fortalecer essa capacidade, o   de óleo de menor magnitude ocorrem com
                  Fundo Nacional de Desenvolvimento Cien-  grande frequência. Durante o período de
                  tífico e Tecnológico (FNDCT) aprovou em   31 de dezembro de 2021 a 10 de fevereiro
 Figura 2.  À esquerda, mapa de corren-  nordeste brasileiro atingidas pelo derra-  2022 financiamento para a constituição de   de 2022, o IBAMA identificou a ocorrência
 tes (em nós) do modelo HYCOM provido   mamento de óleo marcadas em vermelho   um Sistema de Detecção, Previsão e Mo-  de três aportes de resíduos oleaginosos em
 pelo Centro de Hidrografia da Marinha   e a distribuição de correntes oceânicas   nitoramento de Derrame de Óleo no Mar   praias da Paraíba e do Ceará e uma man-
 (CHM). O quadrado em vermelho indica   nesta região: ramo Central da Corrente   (SisMOM). O sistema contará com a partici-  cha de óleo órfã no mar, a qual não chegou
 a área de possível ocorrência do vaza-  Sul Equatorial (CCSE), Corrente Norte do   pação do INPE, IBAMA, UFBA, UFPR, UFSB,   a atingir o litoral. De forma a exemplificar
 mento de óleo. À direita, área do litoral   Brasil (CNB) e Corrente do Brasil (CB).   UFES, UFMA, UFRJ, IOUSP, IEAv, VISIONA,   o futuro funcionamento do SisMOM, o
                  UFPA, SIMEPAR, EPAGRI, UnB, UFRGS,       caso do aparecimento de manchas de óleo
 Fonte: Cortesia do Centro de Hidrografia da   UFPE, UFPI, UFAL, PUC-Rio; em adição à   no litoral da Paraíba entre 31/12/2021 e
 Marinha (CHM), 2019
                  DGDNTM, CPTMRJ, CASNAV, CHM, COM-        1/1/2022 foi analisado. Para este exercício,
                  PAAz, DGePM, IEAPM e IPqM da Marinha.    foi montada sala experimental de situação
 Graças à modelagem numérica regres-  ramo Central da Corrente Sul Equatorial   Ao SisMOM compete realizar estudo da   SisMOM, com a participação de cientistas
 siva realizada pelo grupo de trabalho, co-  (CCSE) e, posteriormente, distribuídas no   viabilidade de desenvolvimento de conste-  e técnicos do INPE, IBAMA, UFBA, UFPR,
 ordenado pela Marinha do Brasil, ANP e   ponto de bifurcação da corrente perto da   lação de microssatélites, controlados pelo   UFSB, COMPAAz, CHM e IEAPM. 
 IBAMA,  com participação de dezenas de   plataforma continental brasileira na dire-  Brasil, com capacidade de aquisição de   A Figura 3 mostra as datas e os locais
 pesquisadores e instituições, foram feitas   ção noroeste através da Corrente do Norte   imagens óticas e radar de abertura sinté-  de observações de resíduos de óleo, a der-
 investigações para determinar a região de   do Brasil (CNB) e, finalmente, na direção   tica em tempo real de áreas específicas do   rota reversa de traçadores lagrangeanos
 origem e o causador deste grave aciden-  sudoeste através da Corrente do Brasil   oceano, ao longo das principais derrotas de   lançados nos locais e datas de toque e as
 te ambiental. Foi possível identificar que o   (CB) e correntes de plataforma interna,   navios ou posição de plataformas de explo-  posições de navios petroleiros ou reboca-
 derramamento ocorreu entre 24 e 29 de   atingindo a costa brasileira em diferentes   ração de petróleo.  dores cujas derrotas  cruzaram a  derrota
 julho de 2019, em uma área a cerca de 750   áreas ao longo de toda a orla marítima,   Para a identificação de falsos positivos   dos traçadores lagrangeanos, indicados
 km da costa da Paraíba (PB) e a 390 km dos   conforme ilustrado na Figura 2.  de manchas de óleo em imagens de saté-  pelas cores de ambos. De modo demons-
 limites externos da Zona Econômica Exclu-  O cruzamento de dados de tráfego ma-  lites, concorrem os campos meteoceano-  trativo, foram realizadas integrações do
 siva brasileira, ou seja, em alto-mar (FER-  rítimo e inteligência permitiu identificar 3   gráficos observados e previstos, obtidos a   modelo OSCAR para um derrame hipo-
 REIRA, 2022). Aproximadamente 3.000   navios-tanque que trafegaram na região   partir da composição de dados satelitários   tético na posição do navio mais afastado
 toneladas de petróleo foram liberadas em   determinada pela modelagem meteocea-  e de previsões de modelos acoplados oce-  da costa (mostrado pelo ponto verde-claro
 alto-mar, transportadas para oeste pelo   nográfica conduzida no CHM, durante o   ano-atmosfera e o acesso aos dados do   mais a oeste no painel central da Figura 3),


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