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oceânica e marés (MUNK, 2002); (ii) a orga- de mudanças climáticas. Deve-se mencio- in situ existente, esses dados permitiram 2.1 O que é a oceanografia
nização de dados de alta resolução de tem- nar também que essas conquistas foram monitorar o estado do oceano superior na operacional? O tripé observação-
peratura da superfície do mar (TSM) pelo apoiadas de forma crucial pelo substancial larga escala, criando uma massa crítica de modelo-assimilação
Group of High Resolution Sea Surface Tem- aumento da capacidade de processamen- informações que viabilizasse seu uso em
perature (GHRSST) (DONLON et al., 2007), to computacional empregada, tanto para um sistema operacional. Da comunidade A oceanografia operacional é a área da
fundamentais para servir como condição de processar e disponibilizar os dados coleta- de meteorologia, técnicas de assimilação oceanografia dedicada à coleta de dados
contorno para modelos de previsão de tem- dos como para integrar operacionalmente de dados foram adotadas e adaptadas para observados em tempo quase real, assimi-
po a curto prazo e para o entendimento modelos de física complexa com resoluções empregar as observações oceânicas dispo- lação de dados, produção de previsão nu-
do clima oceânico; e (iii) a implantação do cada vez mais altas (e.g., LE SOMMER et níveis na correção dos campos dos modelos mérica do ambiente oceânico com diver-
sistema Argo a partir dos anos 2000 para al., 2018; CHASSIGNET e XU, 2017). Ape- numéricos e, com isso, produzir acurada sos horizontes de tempo para o futuro e
medição de perfis verticais de temperatura sar da importância dos dados observados, condição inicial para os sistemas previsores. disponibilização dessas informações para
(T) e salinidade (S) até 2000 m de profundi- sua cobertura é ainda limitada, conside- A assimilação produz uma condição inicial os interessados por essas observações e
dade, hoje com mais de 3,900 perfiladores, rando que a maioria dos dados hoje co- mais realista e, portanto, impactos positivos previsões. O sistema previsor é basica-
sendo agora expandido para coletar dados letados de EOVs são obtidos por satélites na previsibilidade dos modelos nas escalas mente composto por um modelo numéri-
de T/S em toda a coluna-d’água, da super- que amostram apenas a superfície dos de tempo curta, estendida, sazonal e ainda co da circulação oceânica, seus forçantes
fície até o assoalho, e abrigar sensores de oceanos. Isso limita a um entendimento mais longas (EDWARDS et al., 2015; MAR- atmosféricos, normalmente provenientes
CO , O , clorofila-a, entre outros (ROEMMI- parcial de fenômenos de subsuperfície, TIN et al., 2015; MOORE et al., 2019). de previsões oferecidas por modelos at-
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CH et al.2019; LETRAON et al., 2020). que só podem ser observados por senso- Na prática, a rotina da previsão oceânica mosféricos ou acoplados oceano-atmosfe-
Essa revolução dos sistemas observacio- res in situ, como os do Argo e Gliders, ou também necessitou do desenvolvimento de ra-terra-gelo, e um sistema de assimilação
nais levou a um grande avanço no enten- coletados por equipamentos lançados di- sistemas de processamento de dados para de dados, responsável pela construção da
dimento de processos físicos nos oceanos retamente por navios. Portanto, o uso de coletar diariamente observações in situ e condição inicial do modelo previsor. No
e de interação oceano-gelo-atmosfera, modelos numéricos com assimilação de por sensoriamento remoto e para realizar caso de o sistema previsor considerar as
demonstrados com a implantação de sis- dados, empregados amplamente na oce- uma verificação e controle de qualidade dos grandezas do ciclo biogeoquímico e ecos-
temas previsores de tempo e clima de alta anografia operacional, é crucial para com- dados que pudessem prover regularmente sistêmicas, a complexidade aumenta, pois,
qualidade e de investigações de cenários plementar a informação observacional. informações para a assimilação e inicializa- além das grandezas físicas como velocida-
ção dos sistemas de previsão oceânica. Sem de, temperatura e salinidade, é necessário
um bom sistema de controle de qualidade observar, modelar e assimilar nutrientes,
2. A oceanografia operacional de dados, dados com erros grosseiros pode- oxigênio, detritos, sedimentos e muitas
riam ser assimilados e comprometer subs- outras grandezas. Assim, a oceanografia
Apoiada pelo sucesso e desenvolvi- sua evolução no tempo ao longo da janela tancialmente a previsibilidade dos sistemas. operacional é calcada, portanto, no tripé
mento dos sistemas de previsão numérica de previsão, juntamente com forçantes at- Esforços foram conduzidos pela comunida- observação-modelo-assimilação, visto que
de tempo e clima realizado pelas agências mosféricos e condições iniciais acuradas do de internacional para aprimorar essa cadeia sem um desses componentes não é possí-
de meteorologia, a comunidade da ocea- estado “real” do oceano. No final dos anos de processamento de observações para fins vel realizar previsão numérica acurada que
nografia iniciou o desenvolvimento de sis- 1990, os modelos oceânicos foram capazes operacionais com base no conhecimento seja útil para os diversos setores de nossa
temas de previsão numérica dos oceanos de representar a circulação oceânica de me- científico em calibração e validação das ob- sociedade que demandam previsões.
no fim dos anos 1990 para implantar as soescala forçados por campos atmosféricos servações brutas. Por exemplo, dados de
primeiras atividades rotineiras e opera- com o ciclo diurno. Em paralelo, a radio- altura da superfície do mar (ASM) coleta- Observações
cionais de previsão da circulação oceâni- metria e a altimetria por satélites oferece- dos por satélites são recalibrados ao longo
ca. Baseado no paradigma atmosférico, ram uma cobertura global da TSM e da to- do tempo considerando novas observações Deve ser mencionado que os dados ob-
a oceanografia operacional e a previsão pografia dinâmica que permitiram mapear com sensores cada vez mais precisos. Esse servados possuem erros de diversas nature-
oceânica necessitaram de modelos numé- com frequência semanal a circulação oce- esforço é realizado continuamente com a zas, de modo que não representam exata-
ricos do oceano suficientemente confiáveis ânica global em larga e mesoescala. Com- extensão regular dos sistemas de observa- mente a realidade, que é intangível. Há o
para representar os processos oceânicos e binados com a rede de dados oceânicos ção oceânica (PENNY et al., 2019). erro de instrumentação associado ao sensor,
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