Pesquisa Brasileira na Antártica

Coleta de algas

 

O Programa Antártico Brasileiro promove de forma multidisciplinar e interinstitucional, pesquisas nas áreas de Ciências da Atmosfera, Ciências da Terra e Ciências da Vida e, ainda, pesquisas na área tecnológica. Várias disciplinas estão envolvidas na pesquisa antártica, de modo a englobar todos os conhecimentos necessários. Entre elas: Matemática, Química; Física, Biologia, Português, Inglês, Direito e Diplomacia, Geografia, Medicina, Glaciologia, Meteorologia, Telecomunicações, Meteorologia, Astronomia e Astrofísica, Computação, Modelagem e Oceanografia.

A Marinha do Brasil, desde 1983, apoia as atividades de diversos Projetos de Pesquisa na região. As pesquisas na Antártica legitimam o status do País como Membro Consultivo do Tratado da Antártica e, assim, permite que o Brasil tenha direito a voto e veto nos fóruns da Antarctic Treaty Consultative Meetings (ATCM), garantindo ao País a participação na tomada de decisão sobre os rumos do Continente.



Módulo Criosfera

 

Atualmente 29 países são membros consultivos do Sistema do Tratado da Antártica (STA), incluindo o Brasil, e todos possuem estações de pesquisa no Continente Antártico. Cabe ressaltar que, dentre esses países, 14 possuem mais de uma estação de pesquisa na região. Esse fato denota a importância de se manter uma estrutura de pesquisa permanente no continente, permitindo ao Brasil a manutenção do status de membro consultivo do STA, com capacidade de discutir e se fazer presente nas decisões do futuro da Antártica.

O Brasil é o sétimo país mais próximo da Antártica. Em ordem alfabética, e não por distância: África do Sul, Argentina, Austrália, Brasil, Chile, Nova Zelândia e Uruguai. Por sua relativa proximidade com o Continente Antártico, o Brasil sofre a influência direta dos fenômenos naturais que lá ocorrem. Tais fatos já seriam suficientes para justificar o interesse brasileiro pelo Continente Austral. A Antártica tem papel essencial nos sistemas naturais globais e regionais, controlando as circulações atmosféricas e oceânicas, e influenciando o clima e condições de vida no globo, com destaque para o hemisfério sul, por isso, é fundamental para o Brasil estudar a Região Antártica, gênese de fenômenos naturais que atingem o território nacional.

 

Coleta de Testemunho de Gelo

 

Os fenômenos naturais do Brasil sofrem a influência direta da região antártica, afetando o clima do país em função das frentes frias e em consequência as atividades de agricultura e pecuária, e afetando a atividade de pesca, que também está ligada às variações das correntes marítimas provenientes da Antártica, que pode alterar a temperatura e a disponibilidade de alimento nas zonas pesqueiras. Além disso, o desenvolvimento de pesquisa é condição essencial para que o país mantenha sua condição de Membro Consultivo do Tratado da Antártica, possibilitando ao país ser pleno do SCAR (Scientific Committee on Antarctic Research) tendo direito a participar dos grandes projetos científicos globais, desenvolvidos em parceria internacional na Antártica.

 

Pesquisa com Aves Antárticas

 

Há ocorrência de grandes reservas de recursos minerais estratégicos ainda não explorados, cerca de 176 tipos de minerais já foram mapeados (ouro, prata, ferro, gás natural, etc.), capazes de atender a economia mundial por 200 anos. Tais recurso podem vir a ser explorados a partir de 2048, quando as partes consultivas ao STA (Sistema do Tratado da Antártica) irão se reunir para definir, novamente, o futuro do continente. O Continente Antártico possui a maior reserva de água doce do planeta, o que tem despertado o interesse de algumas nações ricas em petróleo e pobres em água potável, com projetos que possibilitem o transporte de blocos de gelo para extração de água doce nos locais carentes desse recurso.

Outro recurso que vem ganhando interesse é o processamento do krill, disponível em grande quantidade nos mares austrais. Portanto, o escasseamento de recursos não renováveis do planeta poderá levar ao desenvolvimento de tecnologia que possibilite a exploração racional dos recursos da Antártica, sendo, para tal, imprescindível a presença e o correto posicionamento das nações junto à comunidade internacional.

Portanto, podemos notar que a situação geográfica do Brasil sujeita o país, diretamente e constantemente, a fenômenos meteorológicos e oceanográficos advindos da região antártica, uma vez que metade de nossa costa é atingida pelos ventos da região, e as correntes marinhas trazem recursos vivos, nutrientes e oxigênio para o nosso litoral.

Há indícios da existência de imensas reservas de recursos minerais, tanto em solo antártico como em sua plataforma continental e suas águas sustentam fauna marinha abundante, passível de explotação em grande escala.

Conforme citado anteriormente, a Antártica tem papel fundamental como regulador térmico do planeta, influenciando diretamente a incidência de chuvas ou secas e indiretamente agricultura, pecuária, pesca, dentre outros.

Com foco nisso, diversas pesquisas foram e vem sendo desenvolvidas nas áreas de meteorologia e oceanografia, buscando um melhor entendimento de como se dá essa relação entre os fenômenos originários da Antártica e o Brasil.

As pesquisas brasileiras na Antártica acontecem na EACF, nos navios, nos refúgios, acampamentos e em bases estrangeiras por meio de um sistema de cooperação previsto entre os países signatários do Tratado Antártico.

 

Pesquisas realizadas em refúgios e acampamentos

 

Interior do Refúgio Emílio Goeldi - acampamento brasileiro de verão na Antártica, localizada na Ilha Elefante, Ilhas Shetland do Sul. O refúgio pode acomodar até seis pesquisadores por até 40 dias 

 

Durante a OPERANTAR XXXIX serão apoiados cerca de 250 pesquisadores, de 23 projetos científicos. Das pesquisas selecionadas podemos citar: o estudo do vírus influenza A em amostras de fezes de aves da Antártica; e o uso de esponjas como biosensores de mudanças globais e como fonte para inovação em biotecnologia – nesta serão utilizadas técnicas de mergulho para coleta das amostras.

Projeto de Bryophyta e Fungos na Antártica

 

Fruto do Edital nº 21, de 18 de agosto de 2018, que visa contribuir significativamente para a produção científica brasileira de qualidade e para a geração de conhecimentos científicos, tecnológicos e em inovação relacionados à Antártica, o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq); o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações (MCTI); a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES); e o Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT), puderam proporcionar a novos grupos de pesquisadores, que há seis anos esperavam por essa oportunidade, a perspectiva de desenvolver projetos na Antártica. Fato esse que, dos 22 projetos selecionados, 19 são inéditos.

 

Lançamento de balão meteorológico

 

Conheça os Projetos

1 - Interação gelo marinho-oceano-atmosfera-ondas no setor Atlântico do Oceano Austral e a relação com o Clima da América do Sul - Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais - ATMOS (INPE);

2 - Conexões bentônicas em altas latitudes do hemisfério sul – BECOOL (USP);

3 - Análise do genoma e avaliação dos potenciais Anticâncer, antimicrobiano e antioxidante de briófitas presentes na Antártica e suas aplicações biotecnológicas – BRIOTECH

4 - Conquistando a Terra Inóspita: Diversidade e Dispersão de Bryophyta e Fungos na Antártica – BRYOANTAR (UNB);

5 - As múltiplas faces do carbono orgânico e metais no ecossistema subantártico: variabilidade espaço-temporal, conexões com fatores ambientais e a transferência entre compartimentos - Universidade Federal do Paraná (UFPR) - Universidade de São Paulo (USP) - O papel da criosfera no sistema terrestre e as interações com a América do Sul - CARBMET (USP/UFPR);

6 - Variabilidade química e climática nos registros dos testemunhos de gelo da Geleira da Ilha Pine – Manto de Gelo da Antártica Ocidental - Centro Polar e Climático, Instituto de Geociências – CRIOSFERA (Universidade Federal do Rio Grande do Sul UFRGS/UFF);

7 - Respostas do Ecossistema Pelágico às mudanças climáticas no Oceano Austral - ECOPELAGOS (Universidade Federal do Rio Grande - FURG);

8 - Um novo continente para estudos em saúde (FIOANTAR): Microbiota e Vírus Antárticos, seu potencial patogênico e biotecnológico, e sistemas de detecção de possíveis impactos no futuro para a saúde humana e animal - Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz);

9 - Evolução paleoambiental e paleoclimática da Península Antártica: correlação entre as margens Oriental e Ocidental e América do Sul com base na paleoflora - FLORANTAR (Museu Nacional, Universidade Federal do Rio de Janeiro);

10 - Estudo Geofísico da Geleira Pine e da sua Interface Gelo-Rocha - GEOPINE (CPGf/UFPa);

11 - Medicina, Fisiologia e Antropologia Antártica - Sobrevivendo no limite: da Fisiologia de Extremos a gestão da saúde na Antártica - MEDIANTAR (Universidade Federal de Minas Gerais - Instituto de Ciências Biológicas - ICB);

12 - Biocomplexidade e Interações Físico-Químico-Biológicas em Múltiplas Escalas no Atlântico Sudoeste - MEPHYSTO (Departamento de Oceanografia da Universidade Federal de Pernambuco - DOCEAN/UFPE);

13 - Esponjas como biosensores de mudanças globais e como fonte para inovação em biotecnologia - MICROBIOMAS (Universidade Federal do Rio de Janeiro - UFRJ);

14 - Micologia Antártica II: Catálogo de fungos da Antártica para estudos de sistemática, dispersão e conexões com a América do Sul e bioprospecção de substâncias para uso na medicina, indústria e agricultura - MYCOANTAR 2 (Departamento de Microbiologia Instituto de Ciências Biológicas - Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG);

15 - REDE TERRANTAR: Permafrost, solos, Mudancas Climaticas e teleconexoes na Antartica e Andes meridionais – PERMACLIMA (UFV);

16 - Brio-tecnologia antártica como alternativa para produção de medicamentos – NEVA (Universidade Federal do Pampa);

17 - Paleobiologia e Paleogeografia do Gondwana Sul: Interrelações entre Antártica e América do Sul – PALEOANTAR (Museu Nacional/UFRJ);

18 - Evolução climática do Paleoceno-Mioceno: conexões entre o Oceano Austral e a Peninsula Antártica – PALEOCLIMA (Universidade do Vale do Rio dos Sinos - UNISINOS);

19 – Processos de Ventilação Oceânica e Ciclo do Carbono no Norte da Península Antártica – PROVOCCAR (Universidade Federal do Rio Grande (FURG);

20 - Dimensões da Saúde Mental no Isolamento Antártico: Estudos dos Processos Afetivo-Cognitivos, dos Diagnósticos e do Modelo Preventivo e de Assistência Presencial e Remota (Apoio Matricial) – SAUDEANTAR;

21 - Riscos e impactos psicossociais em militares do PROANTAR expostos ao ambiente antártico – POLAR-FH; e

O INCT da CRIOSFERA, possui 8 módulos que realizam pesquisas no âmbito do PROANTAR:

22 - Centro de Estudos de Interações Oceano-Atmosfera-Criosfera – INPE;

22.2 - Centro de Biogeoquímica Polar e Sub-tropical  - CBPS (UERJ);

22.3 - Centro de Estudos de Interações Oceano-Atmosfera-Criosfera – CEOAC (INPE);

22.4 - Centro Polar e Climático – CRIOSFERA (UFRGS);

22.5 - Centro TERRANTAR: Permafrost-Criossolos-Ecossistemas Terrestres e mudanças climáticas na Antártica (UFV);

22.6 - Laboratório de Microbiologia Polar – MICROANTAR (UFMG);

22.7 - Grupo de pesquisa sobre o Oceano Austral e o Gelo Marinha – GOAL (FURG);

22.8 - Laboratório de Oceanografia, Clima e Criosfera – LAOC (USP); e

22.9 - Laboratório de Geofísica de Geleiras – LGG (COOPE).