Nova EACF - Tecnologia e Inovação

PROANTAR

A Reconstrução da Estação Antártica Comandante Ferraz - EACF está sendo um grande desafio para a Marinha do Brasil, envolvendo soluções técnicas de engenharia para garantir a segurança da edificação e das pessoas, e as condições adequadas para o desenvolvimento das pesquisas no ambiente antártico.

A Reconstrução da Estação Antártica Comandante Ferraz - EACF está sendo um grande desafio para a Marinha do Brasil, envolvendo soluções técnicas de engenharia para garantir a segurança da edificação e das pessoas, e as condições adequadas para o desenvolvimento das pesquisas no ambiente antártico. As principais condicionantes são as baixas temperaturas, os fortes ventos, a atmosfera agressiva e os abalos sísmicos. Estes, em particular, são capazes de provocar grandes estragos, dependendo da sua magnitude, devendo ser avaliados uma vez que a região possui um histórico de ocorrências, como o último observado no local, no dia 27 de agosto de 2018, de magnitude 5,6 que, embora moderada, poderia ter causado algum dano, caso não considerado no dimensionamento das fundações (Figura 1).

Os trabalhos de reconstrução envolvem ainda uma logística que busca assegurar o bom estado dos materiais e equipamentos a serem utilizados, que vão desde os cuidados com o transporte dos elementos construtivos no interior do navio, desde Xangai, até o posicionamento e a implantação de toda a estrutura e das instalações da edificação no local.

Figura 1

O projeto da Estação considerou, além da durabilidade, da estabilidade e segurança estruturais necessárias à sua vida útil no ambiente adverso, a facilidade de operação e manutenção dos equipamentos. Também foi uma das premissas a preservação ambiental, de forma a garantir o menor impacto possível. Nesse contexto, o projeto inclui sistemas para geração de energia limpa, tais como eólica e solar, além do aproveitamento do calor dos diesel-geradores (cogeração). O gerenciamento da produção, distribuição e armazenamento de energia permite um menor consumo de combustível fóssil, com a consequente redução da emissão de carbono. Assim, foi uma importante decisão adotar o estado da arte em tecnologia a fim de compatibilizar a energia gerada pelos motores diesel com recursos alternativos, além do gerenciamento do consumo com o armazenamento em baterias de longa duração.

TECNOLOGIA e INOVAÇÃO

Ao longo de todo o processo de execução dos trabalhos para a reconstrução, desde as primeiras investigações geológico-geotécnicas até a montagem dos módulos da Estação propriamente dita, estão sendo observados procedimentos com grande potencial para o desenvolvimento de inovações tecnológicas, tais como adaptações de ensaios de campo para solos congelados ou permanentemente congelados (permafrost) à utilização de sistemas de monitoramento que permitirão a aquisição de dados para análise do comportamento da edificação frente às condições impostas pela Natureza. Dessa forma, o Corpo Técnico da Marinha do Brasil, em cooperação científico-tecnológica com as instituições chinesas, que também participam das análises técnicas e da execução das obras, sejam da Universidade de Tsinghua e da China National Electronics Import and Export Corporation, poderão ainda desenvolver tecnologias para aplicação em novos empreendimentos, seja na área da pesquisa científica em geral, como na área de engenharia.

PRESERVAÇÃO DO MEIO AMBIENTE

Um grupo de pesquisadores liderado pelo IBAMA vem realizando o monitoramento da área da Estação Antártica Comandante Ferraz (EACF) a partir de coletas de solo, sedimentos, ar, água, musgos e algas, para verificação do nível e abrangência de contaminação na região. Com base nos resultados foi implementado um plano de monitoramento, com o intuito de eliminar ou atenuar a contaminação durante a reconstrução. Assim, foi realizado o Programa de Biorremediação e Monitoramento da EACF.

Dessa forma, o Brasil passou a integrar o seleto grupo de países que possuem conhecimento ambiental em solo antártico, o que possibilitou o desenvolvimento de novas técnicas na realização de obras de grande porte, com monitoramento e redução do impacto ambiental, essencial na preservação daquele continente.

Com a conclusão das obras, a Estação proverá as condições adequadas de habitabilidade e segurança, com capacidade para 64 pessoas, no verão, e 35 no inverno, permitindo a sua utilização ao longo do ano e o desenvolvimento das pesquisas antárticas. As edificações ocupam uma área de 4.500m², possuindo, além dos alojamentos (32 unidades) e dos laboratórios (14 no interior da Estação e mais cinco na área externa), um setor de saúde, uma biblioteca e sala de estar.

Há mais de três décadas os pioneiros do PROANTAR hastearam pela primeira vez a nossa bandeira na EACF. Desde então, nunca mais o nosso pavilhão deixou de tremular naquela localidade. A dimensão das futuras instalações é compatível com a importância que o Brasil conquistou no cenário Antártico, tanto como Membro Consultivo do Tratado da Antártica, desde 1983, como, a partir de 1984, do Comitê Científico de Pesquisas Antárticas – SCAR. A nova Estação atenderá às demandas de pesquisas nacionais e de cooperação internacional na área científica. Finalmente, em 2019 teremos as obras civis terminadas, com o início da sua utilização/operação prevista para o verão antártico 2019-2020.