A Antártica

O Continente Antártico é coberto por 90% de gelo responsável por 70% da água doce do planeta, além de possuir grande influência no clima do Brasil

 

A Antártica – nome derivado de anti-ártico – é o continente mais austral do nosso planeta, a região mais fria da terra. Está congelada há mais de três milhões de anos e tem um papel essencial nos sistemas naturais globais. É o principal regulador térmico do Planeta, controla as circulações atmosféricas e oceânicas, influenciando o clima e as condições de vida na Terra. Além disso, é detentora das maiores reservas de gelo (90%) e água doce (70%) do Planeta, além de possuir recursos minerais e energéticos incalculáveis.

Conhecido, também, como o continente dos superlativos: o mais alto, o mais ventoso, o mais frio, o mais seco e o mais inóspito, a Antártica tem cerca de 14 milhões Km2 - o que equivale à área correspondente aos territórios do Brasil, Argentina, Uruguai, Chile, Peru e Bolívia, ou às terras contíguas dos EUA e México - e compreende todas as terras ao sul do paralelo de 60º S.

 

Ilustração com o comparativo entre as dimensões do Brasil (em amarelo) e do Continente Antártico (em azul)(Fonte: https://thetruesize.com)

 

O coração da Antártica é composto por um grande planalto de gelo. Dessa forma, ele apresenta altitudes que variam entre 1.500 e 4.000 metros acima do nível do mar. A região possui a maior camada de gelo do mundo, que cobre cerca de 95% do Continente Antártico. Essa capa tem uma espessura média de 2.700 m, variando entre os limites de 2.200 e 4.800m. Esse gelo, cerca de 35 milhões de Km3, representa cerca de 70% de água doce do planeta.

O gelo não só cobre a Antártica, mas também a circunda. No inverno, forma um cinturão de cerca de 1.000 Km (Pack-ice), aumentando a superfície em 18 milhões de Km2, enquanto que, nos meses de verão, recua praticamente até o litoral, exceto no Mar de Weddell e no Mar de Ross.

O vídeo abaixo demonstra a variação do inverno para o verão da superfície congelada ao redor do Continente Antártico (Fonte: Divulgação/Nasa/NSIDC)

 

 

Apesar de aparentemente ser um lugar úmido, a umidade relativa do ar é muito semelhante às que predominam nos desertos de areia, isso porque a ocorrência de precipitação de neves é rara, e quando acontece, ela se compacta rapidamente, tornando-se blocos de gelo.

Ao penetrar no mar as geleiras flutuam e se desprendem, formando icebergs, que são levados pelas correntes marinhas até se desintegrarem, devido à ação mecânica do mar e a elevação da temperatura.

(Fonte: Torsten Blackwood / EPA)

 

A separação da Antártica dos demais continentes, por mares tempestuosos, faz dela a mais isolada região do planeta e ajuda a explicar a falta de uma fauna superior. Por outro lado, em contraste com a massa continental, os mares Antárticos abrigam uma das mais abundantes comunidades biológicas do planeta.

Ao sul da convergência Antártica (60º S) está localizada a região marítima mais nutritiva do planeta, onde prolifera o krill, crustáceo de aproximadamente 5 cm, que se encontra na base da cadeia alimentar da região.

A flora, extremamente escassa (pobre), é constituída de alguns musgos e líquens. As Magnoliophyta (plantas com flores) estão representadas apenas por duas espécies nativas: uma pertencente à família Poaceae, Deschampsia antarctica Desv., e outra pertencente à família Caryophyllaceae, Colobanthus quitensis (Kunth) Bartl. Além dessas duas angiospermas, ocorre também Poa annua L., espécie de grama anual, cespitosa nativa da Europa, comum no sul do Brasil como invasora de cultivos de inverno. Muito resistente ao frio, é citada para a Ilha Rei George no Arquipélago das Shetland do Sul.

 

Ossada de baleia próxima à EACF - (Foto:Arquivo PROANTAR)

 

Já as briófitas sensu lato, encontradas na Antártica, podem ser subdivididas em dois grandes grupos taxonômicos: as Marchatiophyta (as hepáticas), representadas por 22 espécies, e as Bryophyta (os musgos), representadas por, pelo menos, 100 espécies. Muitos nomes já foram propostos para espécies da região, os quais caíram em desuso em virtude de erros na identificação e classificação.

Os liquens são os que apresentam a maior biodiversidade nos ecossistemas de áreas de degelo da Antártica, tendo importante contribuição na composição florística nas áreas de degelo. Quanto aos fungos, poucos trabalhos foram publicados até o momento, referindo-se aos que ocorrem na Antártica. 

 

Pesquisador do PROANTAR realizando coleta de Briófitas

 

O clima da Antártica é caracterizado por temperaturas extremamente baixas nas altitudes centrais; na Estação Russa de Vostok, situada a 1.240 Km do polo sul geográfico, foi registrada a temperatura mínima de -89º C. Nas altitudes mais baixas, próximo ao litoral e com a influência das águas, a temperatura média anual é de -10º C. Ventos fortes e frequentes, com intensidade de até 100 nós, afetam as condições climáticas e, no conjunto, contribuem para a rarefação da vida natural terrestre.

 

Mapa mostra congelamento ao redor da Antártica no inverno (mês de setembro) - (Foto: Divulgação/Nasa/NSIDC)

 

A Antártica tem significado especial para a comunidade internacional em termos de meio ambiente e dos efeitos causados nas condições climáticas globais. Ao longo das últimas décadas, importantes observações científicas, dentre as quais, as relativas à redução da camada protetora de ozônio da atmosfera, à poluição atmosférica e à desintegração parcial do gelo na periferia do continente, evidenciaram a sensibilidade da região polar austral às mudanças climáticas globais.

A pesquisa científica da região austral, na qual o Brasil se engajou, desde o final do século XIX, é de evidente importância para o entendimento do funcionamento do sistema Terra. Esclarecer as complexas interações entre os processos naturais antárticos e globais é essencial para a preservação da própria vida.

A condição do Brasil de país atlântico, situado a uma relativa proximidade da região antártica (é o sétimo país mais próximo), e as óbvias ou prováveis influências dos fenômenos naturais que lá ocorrem sobre o território nacional, já de início, justificam plenamente o histórico interesse brasileiro sobre o continente austral. Essas circunstâncias, além de motivações estratégicas, de ordem geopolítica e econômica, foram fatores determinantes para que o País aderisse ao Tratado da Antártica, em 1975, e desse início ao Programa Antártico Brasileiro (PROANTAR), em 1982.

A entrada do Brasil no chamado Sistema do Tratado da Antártica abriu à comunidade científica nacional a oportunidade de participar de atividades que, juntamente com a pesquisa do espaço e do fundo oceânico, constituem as últimas grandes fronteiras da ciência internacional.

 

Pesquisa realizada a bordo do NPo Almirante Maximiano