Sífilis: a epidemia que você pode ajudar a combater

Enviado em: 18/10/2019

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A sífilis voltou a ser uma epidemia no Brasil. Segundo o Boletim Epidemiológico da Sífilis 2018, a taxa de detecção da doença na categoria adquirida aumentou de 44,1 para 58,1 (tendo como referência cada grupo de 100 mil habitantes) no período de 2016 para 2017. Ao mesmo tempo, a sífilis em gestantes cresceu de 10,8 para 17,2 (número de casos por mil nascidos vivos) e a sífilis congênita (no recém-nascido) passou de 21.183 casos para 24.666.

Especialistas dizem que os principais motivos para esse aumento envolvem o relaxamento da população no uso de preservativos e a falta de conclusão dos tratamentos por parte dos pacientes, dificultando o combate à doença e tornando uma das infecções sexualmente transmissíveis (IST) mais recorrentes entre jovens adultos, gestantes e idosos no país. O preconceito e o medo do julgamento social atrapalham o diagnóstico precoce da doença, pois, muitas vezes, os pacientes não informam que fizeram sexo sem preservativo.

SÍFILIS ADQUIRIDA

É uma infecção sexualmente transmissível, causada pela bactéria Treponema Pallidum.

Transmissão

É transmitida por meio de relação sexual (vaginal, anal e oral) desprotegida com uma pessoa infectada ou pode ser passada para o bebê durante a gestação ou o parto.

Sinais e sintomas

Segundo o Ministério da Saúde, pode se apresentar das mais variadas formas e classificada em quatro diferentes estágios. Os principais sinais e sintomas de cada estágio são:

  • Sífilis primária - Úlcera (cancro duro), geralmente única, no local de entrada da bactéria (pênis, vulva, vagina, colo uterino, ânus, boca ou outros locais). Geralmente não dói, não coça, não arde e não tem pus. Podem surgir ínguas na virilha. Aparece entre 10 e 90 dias (média 21 dias) após o contágio. Pode durar entre duas e seis semanas e desaparecer de forma espontânea, independentemente de tratamento.
  • Sífilis secundária - Manchas no corpo, principalmente na palma das mãos e planta dos pés, são as mais comuns, sendo, muitas vezes, confundidas com alergia ou outras doenças semelhantes. Surgem entre 6 semanas e 6 meses após o aparecimento da úlcera inicial. Desaparecem de forma espontânea em poucas semanas, independentemente de tratamento, mesmo a pessoa ainda tendo a infecção.
  • Sífilis latente - Não aparecem sinais ou sintomas, sendo o diagnóstico realizado por testes imunológicos. É dividida em sífilis latente recente (menos de 2 anos de infecção) e sífilis latente tardia (mais de 2 anos de infecção). Apesar de assintomática, pode ser interrompida pelo surgimento de sinais e sintomas da forma secundária ou terciária. A existência de histórico de relação sexual desprotegida e a alta suspeita do profissional de saúde são fundamentais para que ocorra o diagnóstico nesse estágio.
  • Sífilis terciária - Geralmente apresenta lesões cutâneas, ósseas, cardiovasculares e neurológicas, podendo levar à morte. Pode surgir décadas após o início da infecção.

SÍFILIS CONGÊNITA

Ocorre quando a gestante é portadora de sífilis e transmite a doença para o bebê durante a gestação e parto (transmissão vertical). Pode variar desde a infecção não aparente no nascimento aos casos mais graves, com sequelas permanentes ou abortamento e óbito fetal, tendo mortalidade em torno de 40% nas crianças infectadas.

Todas as crianças expostas à sífilis de mães que não foram tratadas ou não receberam tratamento adequado são submetidas a diversas intervenções e, muitas vezes, há necessidade de internação hospitalar prolongada.

Se a gestante receber o tratamento adequado e precoce durante a gestação, o risco de prejuízos para o bebê é mínimo. O diagnóstico, o tratamento e o seguimento das gestantes e parceiros sexuais durante o pré-natal contribuem para a prevenção da sífilis congênita.

Proteja-se e faça o teste da sífilis. Se o resultado for positivo, inicie imediatamente o tratamento e vá até o fim, mesmo que não apresente mais os sintomas.


Ana Lúcia da S. Castilhioni
Capitão de Mar e Guerra (RM1-S)
Coordenadora do Conselho Editorial



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