Ela voltou!

febre amarela

No primeiro semestre de 2017, o Brasil vivenciou um surto de Febre Amarela. No início deste ano, ela voltou a aparecer nos noticiários depois que macacos foram encontrados mortos em decorrência da doença e de terem sido confirmados vários casos em humanos.

Mas o que é a Febre Amarela?
Segundo o Ministério da Saúde, é uma doença infecciosa aguda, de curta duração (no máximo 10 dias), com gravidade variável, causada pelo vírus RNA, que ocorre na América do Sul e na África.

E como ela é transmitida?
A Febre Amarela pode apresentar dois ciclos de transmissão:

Silvestre Urbano

Nas áreas de mata, os macacos são os principais hospedeiros do vírus e os mosquitos que transmitem a doença (os Haemagogus ou os Sabethes) têm hábitos silvestres e vivem nas copas das árvores e solo. Nessa situação, os casos humanos ocorrem quando uma pessoa não vacinada adentra uma área silvestre e é picada por um mosquito contaminado.

ATENÇÃO! A morte de macacos serve como alerta para o risco de transmissão da Febre Amarela, mas o animal NÃO transmite diretamente a doença!

No ciclo urbano, o ser humano é o único hospedeiro e a doença pode ser transmitida pelo Aedes aegypti, também responsável pela transmissão da dengue, zika e chikungunya.

ATENÇÃO! Esse tipo não é registrado no Brasil desde a década de 1940.

ciclo febre amarela

Quais são os sintomas?
Os sintomas iniciais incluem febre de início súbito; calafrios; dor de cabeça; dores no corpo, principalmente, nas costas e articulações; náuseas e vômitos; fadiga; e fraqueza. Aparecem, geralmente, entre 3 e 15 dias após a picada do mosquito e podem durar, em média, 3 dias, podendo haver sensação de melhora, com diminuição dos sintomas e evolução para a cura.

ATENÇÃO! Essa sensação de melhora pode ter duração de algumas horas ou até dias e então evoluir para a forma grave da doença, apresentando sintomas como febre alta, inflamação do fígado e rins icterícia (coloração amarelada da pele e do branco dos olhos), urina escura, hemorragia e, eventualmente, choque e insuficiência de múltiplos órgãos. Entre 10 a 15% das pessoas infectadas podem desenvolver a forma grave da doença e destas, entre 20 a 50% podem morrer. A Febre Amarela pode levar à morte em cerca de uma semana se não for tratada rapidamente.

O que fazer se apresentar os sintomas?
Procure imediatamente um médico na unidade de saúde mais próxima e informe sobre qualquer viagem para áreas de risco nos 15 dias anteriores ao início dos sintomas. Informe, ainda, se você tomou a vacina contra a febre amarela e a data.

Qual é o tratamento?
Não existe tratamento específico para a Febre Amarela. Os cuidados básicos são repouso e beber bastante líquido. São contraindicados medicamentos à base de ácido acetilsalicílico (AAS, Aspirina) e anti-inflamatórios. Só use medicamentos prescritos por um médico!

Como prevenir a contaminação?

Vacinação E além da vacina, como evitar?

A única forma de evitar a Febre Amarela é por meio da vacinação, que pode ser:

Dose integral – válida para a vida toda; e

Dose fracionada – válida por 8 anos, que está sendo administrada nas áreas de risco.

A Secretaria de Estado de Saúde do Rio de Janeiro recomenda a vacinação de pessoas a partir dos 9 meses de idade e adultos até 60 anos incompletos, além de solicitar ao Ministério da Saúde que todos os 92 municípios do Rio de Janeiro sejam incluídos na área de recomendação da vacina.

Quem não pode se vacinar?

  • Crianças menores de 6 meses de idade;
  • Indivíduos com história de reação alérgica grave a alguma substância presente na vacina, como ovo de galinha etc.;
  • Indivíduos com imunodeficiência ou em uso de drogas imunossupressoras;
  • Indivíduos acima de 60 anos (neste caso, o médico deve avaliar o risco x benefício);
  • Gestantes; e
  • Mulheres amamentando crianças até 6 meses de idade (neste caso, o médico deve avaliar o risco x benefício).

Evite adentrar em matas nas áreas de risco. Em caso de moradias ou visitas próximas às matas ou locais de risco, deve-se proceder da seguinte forma:

  • Usar repelente de insetos, aplicados em toda a área de pele exposta, respeitando os intervalos orientados pelos fabricantes e após contato com a água. Existem no mercado formulações próprias para crianças entre 6 meses e 2 anos, para gestantes e também para aplicação em tecidos;
  • Usar repelentes ambientais (sprays, pastilhas e líquidos em equipamentos elétricos) no quarto de dormir;
  • Proteger a maior extensão possível de pele usando calça comprida, blusas de mangas longas e sem decotes, meias e sapatos fechados. O uso de roupas claras facilita a identificação de mosquitos e permite que eles sejam mortos antes de picarem;
  • Passar o maior tempo possível em ambientes com portas e janelas protegidas por telas;
  • Crianças menores de 6 meses de idade, que não podem receber a vacina e nem usar repelentes de aplicação direta na pele devem ser mantidas o tempo todo sob mosquiteiros e/ou em ambiente protegido por telas; e
  • Crianças maiores de 6 meses e adultos que, por contraindicação clínica, não possam ser vacinados ou que por qualquer motivo ainda não tenham recebido a vacina devem seguir as mesmas orientações descritas enquanto durar o surto de febre amarela.

Fonte: Cruz Vermelha

Ana Lúcia Castilhioni
Capitão de Mar e Guerra (RM1-S)
Conselho Editorial do Saúde Naval