Ordem do dia

BRASÍLIA, DF.
Em 11 de junho de 2019.

ORDEM DO DIA Nº 3/2019

Assunto: 154º Aniversário da Batalha Naval do Riachuelo – Data Magna Marinha

No dia 11 de junho de 1865, o Brasil escreveu, nas páginas de sua história, uma de suas mais gloriosas passagens: a Batalha Naval do Riachuelo que deixou um legado de atos heroicos e lições de determinação e amor ao País. Seus protagonistas souberam, no ardor dos combates, dignificar, com extrema dedicação e coragem, o seu patriotismo.

O contexto era a Guerra da Tríplice Aliança, o maior conflito na história da América do Sul. A invasão de parte das Províncias do Mato Grosso e do Rio Grande do Sul, em 1864, e o apresamento no Navio Marquês de Olinda exigiram o emprego de força militar para a salvaguarda da integridade de nosso território e da soberania nacional, dando início ao estado de beligerância.

Na manhã daquele domingo, parcela de nossa Esquadra, comandada pelo Almirante Francisco Manoel Barroso da Silva, estava fundeada no Rio Paraná, nas proximidades da localidade de Corrientes, quando navios inimigos foram avistados. Eram oito navios inimigos descendo o Rio em formação de ataque, com seis chatas artilhadas a reboque, apoiadas por tropas e canhões posicionados em terra, em barrancas próximas à foz do Riachuelo.

Ao perceber a iminência do ataque, o Almirante Barroso determinou à Força Naval brasileira, composta por nove navios, que iniciasse suas manobras para o combate. Ao içar no mastro da lendária Fragata “Amazonas”, o navio Capitânia, o sinal: “O Brasil espera que cada um cumpra o seu dever”, o sentimento de abnegação prevaleceu nos nossos aguerridos marinheiros e fuzileiros, os quais perceberam que juntos poderiam superar os desafios daquela decisiva manhã.

A primeira fase do embate não foi favorável às nossas cores: a Corveta “Parnaíba”, abordada por um inimigo em número muito superior, perdeu grande parte de sua tripulação, entre eles, dois dos nossos maiores heróis: o Guarda-Marinha Greenhalgh e o Imperial Marinheiro Marcílio Dias. A Corveta “Jequitinhonha”, encalhada em um banco de areia, permaneceu sob intenso fogo das baterias inimigas em terra; e a Corveta “Belmonte”, tomada por incêndio e com rombos em seu casco, precisou encalhar para que não afundasse.

Diante da difícil situação em que se encontrava, o Almirante Barroso nos ofereceu mais um exemplo da importância da manutenção de uma elevada capacitação profissional; pois, dada a situação, percebeu que valendo-se do maior porte e da proa reforçada de seu Capitânia, poderia aplicar a tática do abalroamento, lançando-se contra as naus opositoras mais próximas. Em sucessivos ataques, a Fragata “Amazonas” abalroou e pôs a pique três navios inimigos e uma chata artilhada, iniciando a mudança do curso do combate.

Ao perceber a alteração no quadro tático, na qual a situação passou a pender a nosso favor, o Almirante Barroso, com uma demonstração de notável liderança, içou o sinal “Sustentar o fogo, que a vitória é nossa!”, renovando o ânimo de seus subordinados. Às forças inimigas, diante da coragem e determinação das forças brasileiras, somente restou a opção de se retirar do combate, rio acima, para evitar a completa destruição de seus meios.

A vitória na Batalha Naval do Riachuelo representou uma vantagem estratégica para a Tríplice Aliança ao garantir a liberdade de navegação, permitindo o transporte seguro de tropas e suprimentos, ao mesmo tempo em que limitou a mobilidade das forças inimigas. Dentre diversos ensinamentos, demonstrou que marinheiros e fuzileiros capacitados, coesos e disciplinados estão aptos a superar os mais diversos desafios.

O tempo passou, as ameaças da atualidade são multifacetadas, tornando ainda mais complexas as iniciativas para o devido combate. Como no passado, nossos marinheiros e fuzileiros, heróis de sempre, continuam trabalhando diuturnamente para defender os interesses do nosso País. A dimensão do que temos que proteger foi expandida. A Marinha, em parceria estratégica com a Petrobrás e Comunidade Científica, os bandeirantes das longitudes salgadas, incluiu uma área de 5.7 milhões de km² ao nosso território, a qual corresponde a metade de todo o continente europeu e de onde extraímos petróleo, gás, alimentos e garantimos o trânsito de quase a totalidade do nosso comércio exterior.

Para garantir a defesa dessa área, a nossa Amazônia Azul, a Marinha vem desenvolvendo seus Programas Estratégicos. No que tange ao material, o Programa de Desenvolvimento de Submarinos, intrinsecamente relacionado ao Programa Nuclear da Marinha, apresentou seus primeiros resultados com o lançamento ao mar do Submarino Riachuelo. Seguimos rumo à incorporação de um submarino com propulsão nuclear, essencial para garantir nossa soberania em área marítima com dimensão continental. Devemos, ainda, no Programa de Construção do Núcleo do Poder Naval, ressaltar o processo atinente aos navios da Classe Tamandaré que serão construídos no Brasil e que, de forma inconteste, irá significar mais um avanço tecnológico na construção naval no País.

Em consonância com o desenvolvimento científico-tecnológico que os Programas Estratégicos da Marinha oferecem à sociedade, a capacitação do pessoal, nosso maior patrimônio, ocupa lugar de maior destaque. Possuir militares preparados para construir, manter e operar os meios que a Força Naval está desenvolvendo é uma condição indissociável para a garantia dos interesses do Brasil no mar e nas hidrovias. Desta forma, a Marinha continua valorizando a meritocracia, independente dos níveis hierárquicos, como uma importante ferramenta na busca de uma adequada capacitação do nosso pessoal.

Como dizia Rui Barbosa “Esquadras não se improvisam”, estejamos, então, prontos para defender nossa integridade territorial, a soberania nacional, nossos interesses, no dia a dia, seja no combate à pesca predatória, na proteção do meio ambiente, na garantia de exploração de energia e alimento, no atendimento à nossa população mais isolada ou àquelas atingidas por desastres naturais, no combate aos crimes transfronteiriços e na garantia da nossa soberania. Uma tripulação, capacitada e motivada pelo reconhecimento da meritocracia, capaz de desenvolver, manter e operar meios modernos compatíveis com a dimensão do que temos que defender, sem dúvida alguma, garantirá que a Marinha do Brasil esteja capacitada para cumprir sua missão em um País destinado a ocupar um lugar de destaque no concerto das nações.

Aos promovidos e admitidos na Ordem do Mérito Naval, transmito os sinceros cumprimentos da Força Naval. Nesta data solene, exorto que continuem o trabalho de fortalecimento da mentalidade marítima junto à sociedade, compartilhando o entendimento que um Poder Naval crível é essencial para a sobrevivência e a prosperidade do Brasil.

Viva a Marinha! Viva o Brasil!

 


ILQUES BARBOSA JUNIOR
Almirante de Esquadra
Comandante da Marinha