Praça pode tornar-se Oficial?

Uma Praça pode tornar-se Oficial por meio de dois caminhos: fazendo concurso interno para o Quadro de Oficiais Auxiliares da Armada, como aconteceu com o Primeiro-Tenente Amaro, ou fazendo algum concurso público específico para uma profissão, concorrendo com o público geral.

Para a Praça que quer tentar uma vaga no Oficialato é necessário que, no mínimo, ela esteja como Terceiro-Sargento com três anos completos de graduação. Já se ela não tiver ensino superior, só poderá fazer a prova com, pelo menos, 18 anos de serviço.

Preparação para o Oficialato

Tenente Amaro sentia-se realizado profissionalmente, mas aquele sonho de infância de servir à Marinha ainda abria espaço para outros objetivos. O militar queria não somente ir além da carreira das Praças, mas também passar toda sua experiência para outras pessoas.

Decidiu então que iria mudar o rumo da sua trajetória profissional. Inscreveu-se em um curso preparatório, fez um programa de estudos, se debruçou sobre os livros e acumulava sete horas de estudo por dia. Tudo para se sair bem na prova do concurso interno para Oficial. Fez a primeira tentativa com 15 anos de Marinha, mas sua aprovação veio na segunda vez, com 17 anos de serviço.

"A minha aprovação foi o momento mais emocionante da minha carreira. Foi a realização de um sonho de infância. Tornar-me oficial seria a oportunidade de passar aos meus subordinados a experiência vivida nesse período e isso sempre foi um objetivo que parecia distante, visto que ingressei na MB como Praça. Entretanto, após me formar em Licenciatura em Pedagogia e já na graduação de Terceiro-Sargento, observei que eu preenchia os requisitos para a inscrição e resolvi fazer a prova ", relata.

A bússola da vitória

Se hoje Amaro saboreia o gosto da vitória tão almejada ao pertencer ao Oficialato da Marinha do Brasil, algo que ele desejava, não foi por menos. Ao longo de toda sua trajetória na Força, ele investiu o tempo inteiro nele mesmo através de estudos.

Quando era Marinheiro e trabalhou na área administrativa da Diretoria de Portos e Costas (DPC), realizou cursos de informática, inglês e gestão. Quando Cabo, exercendo funções no gabinete do Diretor e Vice-Diretor do Arsenal de Marinha do Rio de Janeiro (AMRJ), participava de Seminários e cursos internos da MB, além de iniciar o ensino superior de Licenciatura plena em Pedagogia. Já na graduação de Sargento, notou que se encaixava no perfil de candidato ao Quadro de Oficiais Auxiliares da Armada e foi em frente.

Assim que se formou em 2012 como Segundo-Tenente na turma Almirante Graça Aranha, Amaro foi servir na Escola Naval e aproveitou a função de Encarregado de Divisão para colocar em prática os ensinamentos adquiridos ao longo dos cursos de carreira, além de entender mais profundamente os conceitos de liderança, espírito de equipe e relações interpessoais.

Em seguida, ele foi convidado para exercer a função de assistente, passando pelo Comando da 2ªDivisão da Esquadra, Estado-Maior da Armada e, atualmente, na Secretaria Interministerial para os Recursos do Mar (SECIRM), onde faz parte da Equipe de Coordenação do Voo de Apoio Logistico à Estação Antartica Comandante Ferraz.

"Ir para a Antártica foi uma experiência ímpar, visto que poucos militares têm essa oportunidade. Saímos do Rio de Janeiro com destino a cidade de Punta Arenas-Chile e em seguida pousamos na Base Chilena Eduardo Frei. Lá, realizei uma visita guiada na referida base e pude acompanhar a rotina dos militares. Confesso que superou as minhas expectativas", conta ele.

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