A história do EsqdHS-1

A CRIAÇÃO

          Criado através do Decreto nº 55.627 de 26 de janeiro de 1965, que estabeleceu normas para o emprego de meios aéreos para as operações navais, reformulando a Aviação Naval e restringindo o emprego de aviões à Força Aérea Brasileira (FAB), tendo como conseqüência o Aviso nº 0830 (RESERVADO) de 28 de maio de 1965, do Exmo. Sr. Ministro da Marinha, Almirante-de-Esquadra PAULO BOSISIO, que determinou a ativação imediata do 1o. Esquadrão de Helicópteros Anti-Submarino.

         Com isso, os helicópteros SIKORSKY SH-34J, tiveram sua operação transferida do 2o. Esquadrão do Primeiro Grupo de Aviação Embarcado (1o. GAE) da FAB para a Marinha do Brasil (MB), onde receberam a denominação de SH-1 e ficaram conhecidos carinhosamente como "BALEIAS". O citado decreto foi revogado pelo Decreto nº 2.538 de 8 de abril de 1998 do Exmo. Sr. Presidente da República FERNANDO HENRIQUE CARDOSO, trazendo novamente a operação das aeronaves de asa fixa para a MB.

AS PRIMEIRAS AERONAVES

          Seus primeiros quarenta dias de vida foram na Base Aérea de Santa Cruz - SBSC (RJ) da Força Aérea, onde foram ministrados, aos oficiais e praças do Esquadrão HS-1, os conhecimentos mínimos indispensáveis para a operação das novas aeronaves, tendo suas fases de instrução terrestre e aérea realizadas no período de 20ABR à 22JUN65. E lá foram recebidas quatro aeronaves SH-34J (N-3004 e N-3006 em 29JUN, N-3003 em 28SET e N-3002 em 14OUT65), em uma cerimônia onde cada oficial do 2o./1o. GAe da FAB se retirava de formatura, um a um, após o recebimento da função pelo respectivo oficial da MB.  O SH-34J N-3001 foi recebido em 19MAI66 na recém-concluída Base Aérea Naval de São Pedro D'Aldeia - SBES (RJ), assim como o N-3005, que foi recebido ao final do mesmo ano.

          O Comandante do Esquadrão e o seu Imediato trouxeram a primeira aeronave (N-3004) recebida pela Marinha do Brasil do Parque de Aeronáutica do Campo de Marte - SBMT (SP) para Santa Cruz - SBSC (RJ), após o seu "overhaul" (período de revisão geral)

 

 

AS INSTALAÇÕES

          Em 07JUL65 o Esquadrão HS-1 deslocou-se para a Base Aérea Naval de São Pedro D'Aldeia (BAeNSPA), transportando por via terrestre todo o material que constituía os acessórios das aeronaves para o Depósito Secundário - DepSec (atual Depósito Naval de São Pedro D'Aldeia - DepNavSPA) e para o Departamento de Operações da Base (atual DIACTA), e instalando-se inicialmente no Hangar nº I, o único existente à época, dividindo-o com os Esquadrões HU-1 e HI-1. Em 1967 passou a ocupar o Hangar nº II e, finalmente, em 14JUL95 também o Hangar nº III, após a desocupação deste pela 2ª ELO (Esquadrilha de Ligação e Observação) da FAB que deixava a área de São Pedro D'Aldeia, mantendo-se nestes dois hangares até os dias de hoje.

 

 

A PRIMEIRA MISSÃO ANTI-SUBMARINO

          Ainda entre os meses de Agosto e Outubro de 1965, se intensificaram os adestramentos operativos, tendo sido apresentada a teoria da Operação ASW (Antisubmarine Warfare) em cursos de apenas uma semana no Centro de Adestramento Almirante Marques Leão (CAAML), de modo que ao final do mesmo ano, na Operação UNITAS VI, deu-se a primeira participação de aeronaves A/S brasileiras baseadas no Navio-aeródromo Ligeiro (NAeL) "MINAS GERAIS" (A-11), recém-incorporado à Marinha do Brasil (06DEZ1960). O adestramento foi incrementado para a participação da UNITAS VII no ano seguinte, porém devido à situação das aeronaves, não fora concluído a tempo, tendo o HS-1 cumprido apenas tarefa de aeronave-guarda durante essa comissão.

 

 

O PRIMEIRO ACIDENTE FATAL

          Em 08FEV66, o SH-34J N-3003 acidentou-se na pista da BAeNSPA, durante manobras de arrendondamento, com destruição total da aeronave e a ocorrência de três vítimas fatais, e colocando em questão a operação desta aeronave que até; o momento, trazia sérios problemas quanto às restrições para a sua manutenção devido às dificuldades estruturais da própria Base, assim como os poucos conhecimentos adquiridos da FAB, tanto pela rápida transferência destes meios para a MB, quanto por desavenças existentes na época entre esas duas Forças, em conseqüência da recente divisão do "monopólio" dos meios aéreos.

O BERÇO DA DOUTRINA A/S DO HS-1

          No período de 27JUL67 à 19SET67, através de um curso realizado na US NAVY (USN), na NAS (Naval Air Station) Los Alamitos em Los Angeles (CA), oficiais e operadores de sonar, ampliaram seus conhecimentos na doutrina anti-submarino, o que proporcionou uma maior segurança na operação dos SH-34J, que já se encontravam em desuso como arma A/S naquela Marinha.

 

 

 

O PRIMEIRO LANÇAMENTO DE TORPEDO

          O HS-1 foi o primeiro esquadrão a lançar um torpedo de um helicóptero (N-3001) da MB em 21JUL1967, colocando-se na vanguarda do emprego de armamentos aerotransportados.

 

 

O PRIMEIRO POUSO A BORDO NOTURNO

          Apesar de homologado para operações ASW noturnas, o veterano SH-34J apresentava limitações operacionais nessas condições de vôo. Esse fato foi contornado apenas mais tarde, entre os anos de 68 e 70, com o regresso de oficiais treinados na Marinha Americana e com a chegada dos modernos SH-3D, homologados oficialmente para vôo por instrumentos (IFR - Instruments Flight Rules) , traziam de volta este tipo de vôo para a MB, que tinha até então o seu uso conhecido apenas nos antigos aviões que operava. O Esquadrão realizou o primeiro pouso noturno a bordo do NAel "MINAS GERAIS" em 01MAI69.

 

A CHEGADA DOS "SEAKING" AO BRASIL

          Em 28ABR70, chegaram ao Brasil, a bordo do Navio-aeródromo CVA66 USS "AMERICA" (USN),  os quatro primeiros SH-3D (denominação americana), de numerais N-3007, N-3008, N-3009 e N-3010. Essas aeronaves começaram a operar no NAel "MINAS GERAIS" no mesmo ano.

          Nos anos seguintes, chegaram as aeronaves N-3011 e N-3012. O moral da tripulação novamente estava alto com a aquisição das novas aeronaves e o excelente treinamento de oficiais e praças que foi realizado nos E.U.A.

 

 

A REVISÃO DOS PROCEDIMENTOS

          O SH-34J N-3005, acidentou-se em 10NOV72 numa colisão com o Morro São Luís nas proximidades de SBSC, com perda total da aeronave e de quatro vidas, após uma entrada inadvertida em IMC (Intruments Meteorological Conditions). A aeronave estava em condições não apropriadas para este tipo de vôo, bem como o piloto sem o seu co-piloto. Tal fato ocasionou uma mudança no procedimento do Esquadrão, que padronizou a presença obrigatória dos dois pilotos na cabine para todos os vôos no modelo SH-34J, que até então tinha a possibilidade de ser monopilotado.

A DESATIVAÇÃO DOS SH-34J

Em 1974, os SH-34J foram definitivamente desativados pela MB, passando o HS-1 a operar apenas os SH-3D "SEAKING".

ADESTRAMENTOS COM OUTRAS MARINHAS

          Em 1975, o HS-1 teve oportunidade de operar a bordo do Porta-Helicópteros "JEANNE D'ARC" da Marinha Francesa (Marine Nationale) e do Navio-aeródromo HMS "ARK ROYAL" da Marinha Inglesa (RN - Royal Navy), o que foi muito importante para a manutenção do adestramento A/S do Esquadrão, devido à paralização do Nael "MINAS GERAIS" naquele ano.

O VÔO POR INSTRUMENTOS

          No mesmo ano de 1975, o HS-1, único esquadrão na época homologado para vôo por instrumentos pelo Ministério da Aeronáutica (Of. 064/75 do EMAer), transmitiu aos pilotos do 1º Esquadrão de Helicópteros de Instrução (HI-1) a experiência do Vôo por Instrumentos, que teria a técnica então, disseminada aos futuros Aviadores Navais, e alavancaria o emprego dessas regras de vôo (IFR) na Força Aeronaval, tornando-se uma referência nessa modalidade. No início de 1977, o Esquadrão qualificou pela primeira vez a bordo do NAel "MINAS GERAIS" seus pilotos de SH-3D em pousos noturnos por instrumentos (IFR/IMC).

OPERANDO COM AMERICANOS E INGLESES

          Naquele mesmo ano de 1977 ocorreram operações a bordo do USS "AMERICA" (CVA 66) da USN e do HMS "TIGER" da RN, tendo nesse último, operado conjuntamente com os Sea King ingleses, obtendo contato sonar e realizando com sucesso exercícios de ataque ao Submarino HMS CHURCHILL.

 

 

OS ACIDENTES GRAVES DOS SH-3D

          Em 21NOV70, ocorreu a perda total do SH-3D N-3009 em acidente num pouso em emergência próximo à Florianópolis (SC) após uma pane na sua transmissão principal.

        Em 19AGO76, houve a perda do SH-3D N-3008 e dos pilotos e tripulantes em um acidente durante uma operação ASW noturna, nas proximidades de Cabo Frio (RJ). Seus destroços foram encontrados somente em Junho de 1994. Tal acidente ocasionou a suspensão de vôos ASW noturnos até meados de 1977.

 

 

O PRIMEIRO REABASTECIMENTO EM VÔO

          O HS-1 realizou o primeiro reabastecimento em vôo de um helicóptero - HIFR (Helicopter In-Flight Refueling) da MB em Janeiro de 1978 com a Fragata "DEFENSORA" (F-41), possibilitado pela recente aquisição (1977) das Fragatas Classe "NITERÓI", o que proporcionou uma ampliação das possibilidades de emprego desses meios aéreos, extendendo suas autonomias.

 

 

AS AERONAVES SH-3 ITALIANAS

          No ano de 1984, o Esquadrão recebeu quatro helicópteros designados SH-3A (N-3013, N-3014, N-3015 e N-3016), fabricadas pela empresa AGUSTA na Itália e trazidas a bordo do Navio-Transporte de Tropa (NTTr) "BARROSO PEREIRA" (G-16).

          A 15JAN87, as aeronaves SH-3D N-3007, N-3010, N-3011 e N-3012, embarcaram no NTTr "BARROSO PEREIRA", para serem transportadas para o porto de La Spezia (Itália), e encaminhadas para a fábrica da AGUSTA para modernização e capacitação para o lançamento do MAS "EXOCET" AM-39. Retornaram ao Brasil em Maio de 1988, foram entregues ao Esquadrão e também receberem a denominação de SH-3A.

 

 

A PERDA DE AERONAVE EM ACIDENTE

          Em 08JAN89 ocorreu o acidente com a aeronave SH-3A N-3014, após a decolagem "cross deck" noturna no NAel "MINAS GERAIS", perdendo a altitude e caindo na água próximo ao navio, com a perda da aeronave e de dois tripulantes.

          AS QUALIFICAÇÕES NOS NAVIOS DA MB Em 26OUT90 foi realizado o primeiro pouso a bordo no Navio Desembarque-Doca (NDD) "CEARÁ" (G-30), quando foram qualificados pilotos para pouso em navios dessa classe. E em 17JUL96 o primeiro pouso de um SH-3B a bordo de uma unidade da MB, no Navio de Desembarque de Carros de Combate (NDCC) "MATOSO MAIA" (G-28), homologando esse navio, recém-adquirido, para o pouso das aeronaves do HS-1.

 

 

O MÍSSIL AM-39 "EXOCET"

          Em Abril de 1991, foi realizado o primeiro pouso a bordo do NAel "MINAS GERAIS" de um SH-3 armado com Míssil Ar-Superfície (MAS) AM-39 "EXOCET". E no dia 11NOV92 foi realizado o primeiro lançamento real desse míssil, com a aeronave embarcada no NDD "RIO DE JANEIRO" (G-31) contra o casco do ex-CT "MATO GROSSO". A realização desse evento fez com que o SH-3A se tornasse, até os dias de hoje, o maior braço armado da nossa Marinha.

 

 

AS PREMIAÇÕES DO HS-1

          Dentre as diversas citações meritórias já recebidas, o HS-1 realizou em alto mar, a 150 NM de Vitória, um salvamento real noturno, em condições adversas, de duas vidas em 08JAN1989, laureado por este feito pela SIKORSKY HELICOPTER com o Diploma e Distintivo "Sikorsky Helicopter Rescue Award - For skill and courage while participating in a lifesaving mission with a Sikorsky Helicopter". O Esquadrão foi também consagrado por duas vezes consecutivas nos anos de 1994, 1995 e novamente em 1998 com o "Prêmio Contato CNTM", outorgado pelo Comando do Controle Naval do Tráfego Marítimo (ComCoNTraM), que é destinado às unidades aéreas da MB que mais contribuem para o controle do tráfego marítimo no país. Em abril de 1995, o HS-1 foi agraciado com a "Menção Honrosa para Unidades de Helicópteros" da Revista Aérea do Chile, pelo sucesso obtido durante uma operação de resgate no mar em maio de 1994. O Esquadrão recebeu em 1987 e 1995 o "Troféu de Segurança de Aviação" do Serviço de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos da Marinha (SIPAerM).

O RECEBIMENTO DOS SH-3 AMERICANOS

          Em 13MAI96, seis SH-3 (N-3017, N-3018, N-3019, N-3029, N-3030, N-3031), equipados com sonares mais modernos, foram recebidos pela MB na NAS Pensacola (FL) e trazidos para o Brasil a bordo do NAel "MINAS GERAIS", quando então receberam a denominação de SH-3B.

 

 

A MODERNIZAÇÃO DOS SH-3B

          As aeronaves SH-3B foram modernizadas no próprio Esquadrão a partir de abril de 1998 até meados de 2000, tornando-as capacitadas para vôos por instrumentos.

A ALTA OPERATIVIDADE DO ESQUADRÃO

          O Esquadrão HS-1 mantém um constante adestramento para poder operar sob quaisquer condições de tempo, de modo a manter a proficiência exigida para o cumprimento de suas diversas tarefas e comissões, destacando-se dentre elas: "TROPICALEX",  "ASPIRANTEX" e "TEMPEREX", onde são realizados diversos exercícios com os navios da Esquadra, "RIBEIREX" e "DRAGÃO", que consistem de exercícios do Corpo de Fuzileiros Navais (CFN) envolvendo os meios navais e aeronavais da Esquadra, "CARIBEX", "ARAEX" e "UNITAS", com operações conjuntas com as Marinhas do Cone Sul e com a Marinha dos Estados Unidos (USN), onde nessa o HS-1 operou a bordo do DD 987 USS O'BANNON, CVL 30 USS SAN JACINTO, DD 55 USS CUSHING, CV 64 USS CONSTELLATION, CVN 68 USS NIMITZ (Op. TOPEX I/87 e PASSEX/01), MCS 12 USS INCHON (Op. PISCES/78), entre outros. Além disso, tem participado, com sucesso, de buscas e resgates de embarcações e de pessoal no mar e em terra e de diversas outras missões humanitárias e transporte de autoridades.

 

 

O NOVO GUERREIRO: MH-16 SEAHAWK

          Em 2008, foram adquiridas 4 aeronaves Sikorsky S-70B Seahawk e durante a Paris Air Show 2011, foi anunciada a compra de mais duas aeronaves. O modelo adquirido pela MB é uma versão customizada do MH-60R da US Navy, capaz de realizar missões ASW e ASuW, cujas principais diferenças são o sonar HELRAS, MAS Penguin e rádios Rhode&Shwartz. Sua principal missão será a guerra antissubmarino (ASW) e utilizará o sonar DS 100 HELRAS (Helicopter Long-Range Active Sonar) e torpedos MK.46. Para missões de guerra ar-superfície (ASuW) utilizará o seu radar APS-143(C)V3 e mísseis AGM 119B Penguin MK2 MOD7, com alcance de cerca de 18MN e guiagem IR.

O ESQUADRÃO "GUERREIRO"

          Assim, o 1o. Esquadrão de Helicópteros Anti-Submarino, com seu passado repleto de glórias e de pioneirismo, continua através dos anos fiel ao seu lema "AD ASTRA PER ASPERA" ("É ARDUO O CAMINHO PARA OS ASTROS")esforçando-se para que sejam cumpridas as tarefas que lhe são atribuídas com eficiência, demonstrando a dedicação e o profissionalismo dos "GUERREIROS", chamada-fonia dos nossos helicópteros e nome dado pelos "esquadrões-irmãos" no passado devido às diversas dificuldades encontradas desde sua criação, porém sempre superadas ao longo de sua história, posicionando cada vez mais alto as asas da Aviação Naval e o nome da Marinha do Brasil.