Ordem do Dia

COMANDANTE DA MARINHA

BRASÍLIA, DF.
Em 13 de dezembro de 2021.

ORDEM DO DIA Nº 7/2021

Assunto: Dia do Marinheiro

 

“Honra é a força que nos impele a prestigiar nossa personalidade. É o sentimento avançado do nosso patrimônio moral, um misto de brio e de valor. Ela exige a posse da perfeita compreensão do que é justo, nobre e respeitável, para elevação da nossa dignidade; a bravura para desafrontar perigos de toda ordem, na defesa da verdade, do direito e da justiça.”

Com estas palavras, de nosso Patrono, o Almirante Joaquim Marques Lisboa, o Marquês de Tamandaré, tenho a honra, nesta data especial, de dirigir-me a todos os nossos homens e mulheres, que desde muito jovens aprendem a estabelecer o necessário equilíbrio entre a cautela de quem, ao perscrutar o horizonte, vê nuvens pesadas e prepara-se para enfrentá-las, e o sereno otimismo dos que se reconhecem como profissionais capazes de superar os desafios, conscientes do dever de preservar as glórias passadas.

Desde a concepção de nossa Nação, foi possível perceber a vocação dos brasileiros para o mar. Foi a partir dos mares, e também das nossas águas interiores, que construímos, pouco a pouco, a nossa história. Foi pelo mar que consolidamos a nossa independência e onde milhares de brasileiros sacrificaram, e continuam prontos a oferecer suas vidas, na defesa dos interesses e da LIBERDADE de todos os brasileiros.

Hoje, são por essas águas que escoamos cerca de 95% de nosso comércio exterior, onde possuímos uma reserva, incomensurável, de recursos naturais e de biodiversidade, e onde se assentam mais de 90% das reservas de petróleo e gás natural de nosso país, além do potencial de captura piscosa que pode facilmente ultrapassar os cinco bilhões de reais ao ano.

Dessa forma, na data que marca o nascimento do Marquês de Tamandaré, um dos grandes heróis de nossa Nação, devemos, por dever de justiça, registrar o valor desse grande Líder Naval, exemplo de patriotismo, coragem e paixão pelo Brasil, cuja atuação em inúmeros conflitos externos, tais como a Guerra da Independência, da Cisplatina e da Tríplice Aliança, além de diversas revoltas internas, foi preponderante para a consolidação do Brasil como um país soberano, uno e íntegro. Falo aos meus irmãos baianos, que bem sabem do batismo de fogo de Tamandaré, ainda aos 15 anos, combatendo junto com a Flotilha de Itaparica ao lado do Tenente João das Botas.

Ao longo de uma vida de dedicação à Marinha, o Almirante Tamandaré sempre se destacou por sua excepcional habilidade marinheira, e por inúmeras outras virtudes, como a humildade, o senso de justiça e, principalmente, a humanidade, evidenciadas em passagens marcantes de sua carreira.

Ainda como Capitão de Fragata, em 1848, ao ser nomeado Comandante da Fragata Dom Afonso, no suspender para as últimas experiências de máquinas de seu navio, Tamandaré foi chamado ao socorro da Galera Inglesa Ocean Monarch, que encontrava-se em chamas na costa noroeste da Inglaterra. A despeito das inúmeras dificuldades, fruto de sua liderança e do elevado espírito de sacrifício de sua aguerrida tripulação, foi possível o salvamento de um grande número de passageiros.

Hoje, ao rendermos esta justa homenagem à memória de Tamandaré, exaltamos o nosso maior Patrimônio, os milhares de homens e mulheres, militares e servidores civis, herdeiros de seus virtuosos valores, que dedicam suas vidas ao serviço da Pátria e demonstram um enorme orgulho por pertencerem a tão nobre Instituição, mantendo a crença inabalável no futuro do Brasil e movidos por um forte sentimento de patriotismo e de camaradagem, característico daqueles que acreditam e trabalham pela construção de uma sociedade mais próspera, mais justa, sempre livre e cada vez mais soberana.

A sociedade brasileira compreende a importância da responsabilidade que repousa sobre os ombros de nossa Força. A imensidão de águas que circundam nosso território, a “Amazônia Azul”, constituída por uma área marítima de 5,7 milhões de km2, bem como os quase 60 mil km de hidrovias, evidenciam o verdadeiro tesouro a ser protegido pela Marinha do Brasil, além de toda a projeção externa do interesse nacional, mormente no Atlântico Sul, da África à Antártica.

Para bem cumprir suas atribuições constitucionais, a nossa Marinha envida esforços para manter-se como uma Força Naval moderna, compatível com a importância do Brasil dentro do atual cenário geopolítico mundial. Para tal, em 2021, foi possível observar alguns frutos importantes desse trabalho, como a união das seções do casco resistente do Submarino “Tonelero” e os ajustes finais para Incorporação ao Setor Operativo do Submarino “Riachuelo”, o primeiro dos quatro submarinos convencionais que fazem parte do Programa de Desenvolvimento de Submarinos.

O Programa Fragatas “Classe Tamandaré” e de Obtenção de Meios Hidroceanográficos, bem como aqueles relacionados ao poder de combate do Corpo de Fuzileiros Navais, explicitam a busca pelo incremento da capacidade operacional da Marinha, enquanto denotam seu potencial para alavancar a indústria nacional, favorecendo a geração de empregos diretos e indiretos.

Em nossas águas marítimas e fluviais, robustecemos as Operações Interagências, atuando em sinergia com diversos Ministérios e Órgãos Governamentais, com o propósito de prevenir novos crimes e outros acidentes ambientais, ampliando o entendimento sobre a importância do Sistema de Gerenciamento da Amazônia Azul, o SisGAAz, programa estratégico dual, que visa ampliar a capacidade de monitorar e proteger nosso patrimônio marítimo.

A despeito de qualquer obstáculo, continuamos levando esperança às comunidades carentes mais isoladas da Amazônia e do Pantanal, com os Navios da Esperança, que, a partir do segundo semestre de 2022, incorporarão um novo Navio de Assistência Hospitalar, o “Anna Nery”; salvando vidas no mar; fornecendo alívio aos atingidos por desastres naturais; apoiando pesquisas científicas na Antártica, onde releva destacar o recente anúncio da melhor oferta para a construção de um novo Navio de Apoio Antártico; além de estarmos participando, e nos destacando, em operações de paz em várias partes do mundo.

Redobramos os nossos esforços e as atenções para que o Atlântico Sul, a grande artéria por onde circula parte significativa de nossa economia, mantenha-se como uma Zona de Paz e Cooperação entre nações amigas, com destaque para a participação de nossos meios navais, juntamente às Marinhas dos Estados Unidos da América, França, Itália, dentre outras, em Operações na área marítima do Golfo da Guiné, realizadas com o propósito de combater a pirataria e incrementar a segurança marítima dessa região.

Em 2021, na busca pelo melhor emprego do orçamento nos projetos da Marinha, alcançamos uma solução criativa e eficaz. O desenvolvimento de um Sistema de Apoio à Decisão Orçamentária, o SAD-ORC, pelo pessoal da Marinha, que, por meio de modelagem matemática, é capaz de otimizar a alocação orçamentária pela Alta Administração Naval, maximizando resultados e gerando economia estimada, já em 2022, de cerca de 15% do orçamento previsto.

Ao nos aproximarmos do ano em que comemoraremos o 200º aniversário de nossa Independência, uma vez mais, na longa e honrada história da Marinha, os ensinamentos e a postura de Tamandaré nos servem de farol em meio a qualquer tormenta. Logo, neste momento de celebração, conclamo a todos, Marinheiros, Fuzileiros Navais e Servidores Civis, meus companheiros de combate, que, em suas atividades na Marinha do Brasil, sigam confiantes e firmes, no rumo de nossos sonhos e ideais. Apropriemo-nos, juntos, do lema de um dos mais antigos Corpos de Bombeiros do Brasil – o do bicentenário Arsenal de Marinha do Rio de Janeiro: – “Frente ao impossível, tentaremos!”

Por fim, o mais nobre cumprimento a todos os que foram honrados com a Medalha Mérito Tamandaré, cujas cerimônias de imposição estão ocorrendo nos diversos Distritos Navais e no exterior. Certo de que continuaremos juntos no mesmo “Barco”, seguindo como disseminadores das belas tradições da Marinha do Brasil e da importância da “Amazônia Azul” para a Soberania e a Prosperidade de nosso País e de todos os brasileiros. Parabéns aos marinheiros de hoje, de ontem e de sempre, com ou sem uniforme, da ativa ou da reserva! Parabéns a todos os patriotas, mesmo desuniformizados, que vibram, com a minha, com a sua, com a nossa Marinha!

 

Tudo pela Pátria!

 

Viva a Marinha!

 

ALMIR GARNIER SANTOS
Almirante de Esquadra
Comandante da Marinha