A Presença Brasileira na Antártica

    Aspecto Políticos

   Em maio de 1975, o Brasil assinou o Tratado da Antártica, passando a integrá-lo com membro aderente, sem direito a voto nas deliberações. No segundo semestre desse mesmo ano, criou-se um grupo de trabalho interministerial, sob coordenação do Ministro das Relações Exteriores, com o propósito de reunir subsídios para formulação de uma política nacional relativa ao assunto e propor as primeiras medidas concretas para a atuação brasileira na Antártica.

   O grupo de trabalho, que contava com a participação de oficiais hidrógrafos, proporcionou a criação dos fundamentos da política antártica brasileira. Mas somente em 1981 o Governo decidiu ativar o Programa Antártico e enviar nossa primeira expedição ao continente austral.


Primórdios

   O Tratado de Tordesilhas, em 1494, fazia referência a uma linha direta de pólo a pólo. A disposição portuguesa de aventurar-se para o sul, no século XIV, encontra o eco em Os Lusíadas: “...Sempre, enfim, para o austro a aguda proa...”. O cabo das Tormentas, onde pereceu Bartolomeu Dias em 1487, será um marco, na epopéia dos navegadores, da proximidade dos frios antárticos, cantados por Camões.

   Expedições estrangeiras tiveram por base o Brasil, no século XIX, para chegarem à Antártica:

   - O belga Adrian de Guerlach, que desfraldou pela primeira vez o pavilhão nacional e deu nomes de brasileiros a acidentes geográficos naquela continente: Ilhas Cruls, Ilhas Sampaio Ferraz.

   - O francês Gean Baptiste Charcot, que batizou duas montanhas em um arquipélago com nomes de Rio Branco, Alencar (ministro da Marinha, na época) e Pernambuco.


Pioneiros

   Primeira Atividade Científica Nacional fora do País: em 1882, duas expedições brasileiras iriam observar a passagem de Vênus pelo disco solar: uma, chefiada pelo Capitão-de-Fragata Antonio Luiz von Hoonholtz, na região equatorial; outra, com a Corveta Parnaíba, na região subantártica, sob o comando do Capitão-de-Fragata Luiz Filippe de Saldanha da Gama, levando o astrônomo Luiz Cruls e baseada em Punta Arenas, no Chile.

   Primeiras sementes: Therezinha de Castro, que publicou em 1956, o artigo “A Questão da Antártica”, defendendo a presença brasileira naquele continente; Eurípedes Cardoso de Meneses, deputado que adotou a causa e lutou por ele na área política; e o engenheiro João Aristides Wiltgen, que fundou o Instituto Brasileiro de Estudos Antárticos (IBEA), em 1972, muito contribuíram para despertar o interesse pelo continente austral.

   Primeiras presenças: o primeiro brasileiro a visitar a Antártica foi o Dr. Durval Rosa Borges, médico e jornalista, membro da Sociedade Geográfica Brasileira, durante o Ano Geofísico Internacional (1957/58); o meteorologista e professor Rubens Junqueira Villela foi o primeiro brasileiro a atingir o Pólo Sul, a 17 de novembro de 1961, quando integrava um expedição norte-americana à Antártica, com sede no quebra-gelo Glacier.


 

   Participação da Marinha

   No início da década de sessenta, oficiais hidrógrafos passaram a atuar como observadores, em expedições chilenas à Antártica. Posteriormente, oficiais de outras especialidades também acompanharam operações inglesas, argentinas, russas, e alemães, além das chilenas.

    Com a decisão adotada pelo Governo em 1981, de enviar uma expedição brasileira à Antártica, adquiriu-se à Dinamarca um navio polar, Thala Dan, que recebeu, no Brasil, a classificação de Navio de Apoio Oceanográfico e o nome de Barão de Teffé.

   A fim de evitar despesas decorrentes da criação de um novo órgão, como se preconizara inicialmente, as tarefas que competiriam àquela foram atribuídas à Comissão Interministerial para os Recursos do Mar (CIRM), com sua secretaria executiva, a SECIRM, conduzida pelo Ministério da Marinha.

  Presença da DHN na Antártica

   O verão austral de 1982/83, enviava o Brasil a sua primeira expedição à Antártica. Dela fazia parta o NApOc "Barão de Teffé", que tinha, entre outros, os propósitos de realizar reconhecimento hidrográfico e escolher o local mais favorável para a primeira estação brasileira.

  Como conseqüência dessa expedição, o Brasil passou a ser membro consultivo do Tratado da Antártica. A operação seguinte, no verão de 83/84, tinha o propósito de aumentar a presença brasileira nas pesquisas antárticas. O Barão de Teffé conduzia os módulos da estação que receberia o nome Comandante Ferraz, homenagem póstuma ao Capitão-de-Fragata Luiz Antonio de Carvalho Ferraz, por sua intensa participação no projeto antártico brasileiro.

   Durante essa comissão o NApOc "Barão de Teffé" hidrografou a baia do Almirantado, obtendo dados para a construção de nossa primeira carta da região antártica.

  Nas operações seguintes, a estação foi ampliada e a participação do País se consolidou notadamente com a expansão da permanência das equipes: desde 1985, a ocupação de Ferraz passou a ser em tempo integral, com as equipes de verão e inverno revezando-se. Em 1986/87, o NOc Almirante Câmara cumpria pesquisa geofísica e, 1989/90, o NOc Álvaro Alberto operação logística, ambas na região antártica. Em 1994, foi incorporado o NApOc Ary Rongel, substituindo o Teffé.