1946-1982

  Em 1946, o nome da Diretoria é mudado para Diretoria Geral de Hidrografia e Navegação. Ainda nesse mesmo ano, é adquirido um avião bimotor (foto), que foi preparado para carregar uma câmera Zeiss, passando a Diretoria, assim, a fazer aerofotogrametria com seus próprios meios.
 
      No início do ano de 1947, é criado o Departamento de Sinalização Náutica e seus serviços foram instalados na Ilha do Mocanguê Grande. Apesar de ter sido alcançado o rendimento pretendido para os serviços de campo durante esse período, a Diretoria publica, em novembro de 1949, a carta 1500. No ano seguinte, já trabalha regularmente nas cartas 1400 e 1800.

   O ano de 1952 trouxe novas perspectivas para os trabalhos da Diretoria. Afigura-se como necessário o levantamento do Braço Norte do Rio Amazonas. A Diretoria, embora não contasse com meios flutuantes para trabalho de tal envergadura, dispõe-se a executá-lo, contando valerse do Navio Hidrográfico “Rio Branco”.

    No dia 29 de maio de 1952, o velho quebra-gelo canadense suspende do Rio de Janeiro com destino à área de trabalho. No dia 10 de maio de 1953, o “Rio Branco” regressa ao Rio com grande volume de trabalho arrancado àquela inóspita região. O preço pago pela Diretoria é bastante elevado. Falece, na região, o Primeiro-Tenente José Ribamar Castelo Branco, em acidente de serviço e o avião da Diretoria, quando regressa de missão no Amapá, é destruído na serra de Petrópolis. Nesse desastre, falecem o Primeiro-Tenente Aviador Cid Spínola do Nascimento, o Primeiro-Sargento Mecânico João dos Santos Ferreira, o cartógrafo Augusto do Rego Barros Martins e o fotógrafo Geraldo de Farias.
 
   A segunda campanha do “Rio Branco” no braço Norte do rio Amazonas inicia-se em outubro de 1954 e tem importância relevante para o futuro da Hidrografia no Brasil.
 
    Em 10 de maio de 1955, é utilizado, pela primeira vez no País, método eletrônico para localização de sondagens, no Amapá (equipamento da marca “Raydist”, adquirido nos Estados Unidos, em abril de 1954). Tendo concluído o levantamento do Braço Norte do Rio Amazonas, o “Rio Branco” regressa ao Rio, encostando definitivamente em 23 de dezembro de 1955. É recebido, na Doca 11 de Junho, pelo Diretor-Geral e toda a Oficialidade da Diretoria e navios subordinados.
 
  O levantamento do Braço Norte do Rio Amazonas é a maior e a mais difícil campanha executada pela Hidrografia Brasileira até aquela data. Esse trabalho, além do aprendizado que proporcionou à nossa oficialidade, contribuiu favoravelmente para o ânimo dos hidrógrafos, pois se reconheceu, com a execução daquela árdua tarefa, a possibilidade de empreender-se o levantamento de grandes áreas de nossa costa, em curto espaço de tempo, desde que a Diretoria fosse dotada de moderno material flutuante.
 

Veja também:
A Hidrografia na Amazônia

 
   O Navio Hidrográfico “Rio Branco” dá baixa do serviço ativo no dia 31 de dezembro de 1956. Foi, na realidade, o “navio-escola” da moderna Hidrografia Brasileira. Grande número de oficiais hidrógrafos labutaram nele durante memoráveis campanhas, adquirindo a experiência que serviu para consolidar o renome e o prestígio internacional da Hidrografia do Brasil.

   Em conseqüência da adoção de novo Regulamento para a Diretoria, é criado, em 1953, o Departamento de Geofísica e estabelecida a instalação de Serviços Distritais de Sinalização Náutica. A criação do Departamento de Geofísica reune os estudos de oceanografia, meteorologia, magnetismo e gravimetria que, antes, estavam afetos a diversas seções e introduz, na Diretoria, os estudos de biologia marinha. Abre-se, assim, considerável campo de estudos para nossos hidrógrafos.

    O estabelecimento do Serviço de Sinalização Náutica do Nordeste, no Recife, em 1955, marca a criação do primeiro Serviço Distrital.
    Ainda no ano de 1955, é instalado, em Ladário, o Serviço de Sinalização Náutica de Mato Grosso. Em 1956, instala-se, em Belém do Pará, o Serviço de Sinalização Náutica do Norte.
    
   A Diretoria, desde 1908, preocupa-se com a aquisição de um navio especialmente construído para o serviço de hidrografia e, de fato, o grande problema com que lutou a nossa Hidrografia, desde o início do século, foi o da insuficiência de seu material flutuante. Dos diversos navios usados pela Diretoria, somente um, o “Rio Branco”, operou durante mais de vinte anos em serviços hidrográficos, quase ininterruptos.    As providências tomadas, em 1955, pelo Ministro da Marinha, Almirante Alves Câmara, para dotar o serviço hidrográfico de unidades especialmente construídas para esse fim, vêm libertar a Diretoria de angustiante problema e inauguram nova etapa nos trabalhos de campo.

No dia 13 de dezembro de 1955, o Arsenal de Marinha do Rio de Janeiro bate as quilhas de três Navios Hidrográficos de 45 metros e 343 toneladas que, futuramente, serão os Navios Hidrográficos “Argus”, “Taurus” e “Orion”.   
 
   Em 27 de abril de 1956, é encomendada aos Estaleiros Ishikawajima, em Tóquio, a construção de dois navios de 78 metros e 1875 toneladas que, no futuro, serão os Navios Hidrográficos “Sirius” e“Canopus”. Enquanto aguarda a prontificação dos navios, a Diretoria recebe a Corveta “Forte de Coimbra”, recentemente construída na Holanda, a fim de suprir a falta de um navio hidrográfico. É a primeira vez que a Diretoria emprega um navio novo em levantamento. Instalado a bordo dessa corveta um segundo equipamento “Raydist”, adquirido pela Diretoria, é dado impulso considerável aos trabalhos de sondagem na costa sul do País.
 
 
   Em 1956, a Diretoria publica dezesseis cartas, o maior número até a presente data alcançadoem um ano.
 
   O Navio-Escola “Guanabara”, cedido à Diretoria, efetua, no mês de novembro de 1956, no trecho da costa entre Cabo Frio e Abrolhos, a primeira campanha oceanográfica. Em fevereiro de 1957, é incorporado à Diretoria o Navio-Escola “Almirante Saldanha”, tendo sido instalado a bordo um laboratório de oceanografia e máquina de sondar de 5000 metros; o navio efetua 162 estações oceanográficas na costa do Brasil, em cumprimento ao programa do Ano Geofísico Internacional.
 
    Ao mesmo tempo, a Diretoria ocupa a Ilha da Trindade para a instalação de um posto oceanográfico.

    Em 17 de janeiro de 1958, é incorporado ao Serviço da Armada o Navio Hidrográfico “Sirius”, em Tóquio. É o primeiro navio da Marinha especialmente construído para o serviço hidrográfico. Também, é o primeiro a entrar em serviço de levantamento, o que ocorreu na foz do Rio Amazonas, em 18 de setembro. Em 15 de março, é incorporado ao Serviço da Armada o Navio Hidrográfico “Canopus”, em Tóquio.

    Em 8 de julho, o“Canopus”, de passagem pelo porto de Salvador, emprega o helicóptero orgânico em apoio aos trabalhos da triangulação da Baía de Todos os Santos. É a primeira vez que a Diretoria usa esse tipo de aeronave em serviço hidrográfico.
 
 
   Durante o ano de 1959, são incorporados ao Serviço da Armada os Navios Hidrográficos “Argus”, “Taurus” e “Orion”. Em dezembro desse ano, o “Almirante Saldanha” é classificado como Navio Oceanográfico, incorporando-se definitivamente à Diretoria.
 
 
  Em dezembro de 1959, os Navios Hidrográficos “Sirius” e “Orion” concluem um dos mais notáveis trabalhos hidrográficos de nossa costa: o levantamento do Rio Pará. É nesse levantamento que se emprega, pela primeira vez no País, o distanciômetro eletrônico, telurômetro, para medição de poligonal na Ilha de Marajó. A poligonal medida no trecho Soure-Cabo Maguari evita demorada triangulação. Esse equipamento vem auxiliar os trabalhos de campo da hidrografia, substituindo, com grande vantagem, a triangulação geodésica, onde fosse possível. Assim, abrevia a duração de longas campanhas hidrográficas, como a da costa sul e a da Lagoa dos Patos e facilita a execução de trabalhos difíceis, como a amarração do Farol de Abrolhos ao continente. Daí por diante, seria usado continuadamente na Diretoria, tendo sido o elemento principal do levantamento das costas do Pará e do Maranhão.
  Em 18 de maio de 1961, é criada a Escola de Hidrografia e Navegação para a formação de praças especializadas, aguardada desde longa data.
 
   Em 18 de maio de 1962, o Vice-Almirante Alberto dos Santos Franco, durante os trabalhos da VIII Conferência Hidrográfica Internacional, em Mônaco, é eleito para o Comitê de Direção do Bureau Hidrográfico Internacional, no quinquênio 1962-67, fato que evidencia o reconhecimento internacional da Hidrografia Brasileira.
 
   No dia 28 de março de 1964, o Navio Hidrográfico “Canopus” conclui o levantamento da costa sul, que desafiou durante anos os mais avançados métodos hidrográficos. No serviço terrestre, foi utilizado o telurômetro e todas as sondagens foram localizadas eletronicamente, com o “Raydist”. O levantamento da Costa Sul, desde Torres até o Arroio Chuí, é executado em apenas trinta meses. Como resultado desse trabalho, a Diretoria publica, ainda em 1964, duas cartas novas: a 2000 – De Torres a Mostardas e a de 2100 – De Mostardas ao Rio Grande. Com a sucessiva publicação da carta 2200– Do Rio Grande ao Arroio Chuí fica recoberta por cartas modernas, na escala de 1:300.000, toda a costa sul, até a barra do Rio Doce.
 
 
  Em 5 de dezembro de 1964, são terminadas as obras de remodelação do Navio Oceanográfico “Almirante Saldanha”. As obras, que incluíram a remoção do arvoredo, a construção de uma superestrutura central, a supressão de parte do tombadilho e a substituição do motor propulsor e da rede interna, são realizadas pelo Arsenal de Marinha do Rio de Janeiro.

  Em 09 de julho de 1965, é criado o Centro de Sinalização Náutica e Reparos Almirante Moraes Rego (CAMR), que absorve a Base Almirante Moraes Rego, na Ilha de Mocanguê Grande.
   Em junho de 1967, é iniciado o levantamento hidrográfico do Rio Amazonas, no trecho Macapá-Manaus. O trabalho é iniciado pelo porto de Manaus, possibilitando a publicação da carta 4110 – Porto de Manaus, que é a primeira carta do Estado do Amazonas.
 
 

Filme

   Durante o ano de 1967, ocorrem eventos da maior importância: a publicação da primeira carta-sonar, referente ao trecho entre o Rio de Janeiro e Vitória e a publicação da primeira carta de pesca, a 23900, abrangendo o trecho do Cabo de São Tomé a Itajaí. Em 13 de outubro, é instalado, em Salvador, o Serviço de Sinalização Náutica do Leste. Em dezembro, o Navio Hidrográfico “Canopus” conclui o levantamento da região de Abrolhos,umdos mais difíceis trabalhos da Diretoria.
 
  No dia 7 de novembro de 1968, são incorporados ao Serviço da Armada os Avisos Hidrográficos “Paraibano” e “Rio Branco”. São os primeiros de uma série de seis unidades, de casco de madeira, destinadas à execução de trabalhosemáguas rasas. Os demais navios da classe são batizados como “Jaceguay” (depois “Nogueira da Gama”), “Itacurussá”, “Camocim” e “Caravelas”. O ano de 1969 é assinalado por grandes levantamentos efetuados na costa norte do País.

    Em 27 de julho, o Navio Hidrográfico “Sirius” conclui o levantamento do trecho entre a Ilha do Machadinho e o Cabo Gurupi, possibilitando a publicação da carta 300. Os Navios Hidrográficos “Sirius” e “Canopus” concluem o levantamento do trecho entre o Cabo Gurupi e a Ilha de Santana, que permite a publicação da carta 400, abrangendo a área dos recifes Manuel Luís e outros perigos até então mal cartografados. É a culminância de, praticamente, seis anos de trabalhos.
 
  Também em 1969, o Navio Hidrográfico “Argus” opera, durante quase todo o ano, na Lagoa dos Patos, concluindo, em dezembro, o seu levantamento. Este trabalho possibilita a publicação da carta 2140 – Lagoa dos Patos.

  Ainda durante o ano de 1969, são concluídos os trabalhos de levantamentos expeditos do Rio Amazonas, que possibilitam a edição da última série de cartas de praticagem, abrangendo o trecho Manaus-Iquitos. É nesse ano, também, que o nome da Diretoria é mudado para Diretoria de Hidrografia e Navegação e que são publicadas, pela Diretoria, as Tábuas de Marés, calculadas pelo computador da Diretoria de Intendência da Marinha.

  Em 1970, pela Ordem do Dia nº 0027/70 da DHN, é criada a Comissão de Levantamentos da Amazônia (COLAM), sediada em Belém, com o propósito de efetuar o levantamento hidrográfico e hidrológico do eixo estratégico da Bacia Amazônica e seus acessos. No final de 1970, conclui-se o levantamento do Rio Amazonas, no trecho Macapá-Manaus, o que vai permitir a substituição das cartas de praticagem.
  Em 1971, são incorporados ao Serviço da Armada os Avisos Hidrográficos “Jaceguay” e “Itacurussá”.
 
   No mesmo ano, o Navio Hidrográfico “Canopus” termina o levantamento de toda a foz do Rio Amazonas e, em 1972, o levantamento da carta 100 – Do Cabo Orange à Ilha de Maracá. Em 1972, são incorporados ao Serviço da Armada os Avisos Hidrográficos “Camocim” e “Caravelas”.Em 1973, é iniciado o levantamento do Rio Paraguai, no trecho entre Corumbá (Mato Grosso) e Assunção, no Paraguai, realizado pelo Aviso Hidrográfico “Caravelas”, proveniente do Rio de Janeiro.

  Ainda nesse ano, é criada, com sede em Ladário, a Comissão de Levantamentos do Rio Paraguai (COLEPA), à qual o Aviso Hidrográfico “Caravelas” passa a ser subordinado.
  A 13 de julho de 1973, é publicada a primeira carta internacional, de acordo com os regulamentos aprovados pela Organização Hidrográfica Internacional. É a 19300 (INT 201) – Atlântico Sul – Costa Sueste da América do Sul. Ainda durante o ano de 1973, o Navio Hidrográfico “Sirius” conclui o levantamento da carta 700 – De Fortaleza à Ponta dos Três Irmãos.

  Ainda em 1973, são incorporados ao Serviço da Armada os Navios Balizadores “Faroleiro Arêas”, para atuar na área do 4º Distrito Naval; “Castelhanos”, “Mestre João dos Santos” e “Faroleiro Nascimento”, para o CAMR; e “Faroleiro Santana”, para atuar na área do 2º Distrito Naval.
O Aviso Hidrográfico “Jaceguay” muda de nome para “Nogueira da Gama”.
 
   Durante o ano de 1974, é lançado ao mar, em Niterói, no Estaleiro EBIN, o Navio Faroleiro “Almirante Graça Aranha” e, em 1º de julho de 1974, é incorporado à Marinha, no porto de Nova Iorque, o Navio Oceanográfico“Almirante Câmara”.

   Em 1975, é concluído o levantamento entre Camocim e Fortaleza, dando prosseguimento ao levantamento da Costa Norte. Nesse mesmo ano, é terminado o levantamento de toda a costa brasileira em cartas de escala aproximada de 1:300.000; é editada a carta 200. Em fevereiro de 1975, com a publicação da carta 200, é concluído o I Plano Cartográfico Náutico Brasileiro (I PCNB).

   Em 9 de setembro de 1975, é incorporado à MB o Navio Faroleiro “Almirante Graça Aranha”.
 
   O ano de 1976 é marcado por data alvissareira. No dia 02 de fevereiro, em cerimônia presidida pelo Ministro da Marinha, é comemorado o primeiro centenário da Diretoria de Hidrografia e Navegação. Instituição centenária, naquele ano de 1976, empreende importantes realizações. A COLAM – Comissão de Levantamentos da Amazônia inicia o levantamento do Rio Solimões, de Manaus a Tabatinga, visando à construção de cartas sistemáticas da região; são implantados os novos balizamentos de acesso a Rio Grande e Santos, realizações que se integram à política de corredores de exportação; a DHN, como coordenadora da área V do Sistema Global de Avisos aos Navegantes, inicia as transmissões dos Avisos relativos à NAVAREA V para os Estados Unidos, França, Argentina e África do Sul; em meados do ano, é ativado o Serviço de Sinalização Náutica do Sul (SSN-5), com sede na cidade do Rio Grande; incorporado recentemente à Marinha, o Navio Faroleiro “Almirante Graça Aranha”, subordinado ao CAMR, inicia sua primeira comissão de apoio à sinalização náutica da Costa Sul.

   O início do ano de 1977 é caracterizado pela conclusão dos trabalhos de campo referentes ao levantamento hidrográfico do Rio Paraguai, desde a foz do Rio Apa até Assunção. Os trabalhos foram realizados pelo Aviso Hidrográfico “Caravelas”, com participação de representantes da Bolívia e do Paraguai. Em maio, o levantamento hidrográfico desse trecho do Rio Paraguai é considerado, efetivamente, concluído.

   Duas outras realizações de importância evidenciam-se no ano de 1977: a publicação de Carta de Localização e Acompanhamento, primeira carta da DHN totalmente calculada por computador e traçada em plotador automático, com base em programa criado e desenvolvido pelo Banco Nacional de Dados Oceanográficos (BNDO), da Diretoria; e a chegada à Tabatinga, pela primeira vez, durante o levantamento do Rio Solimões, de um navio hidrográfico – o Navio Hidrográfico “Argus”.
   
    Ainda em 1977, no litoral do Estado de Alagoas, naufraga o Navio Balizador “Faroleiro Santana”.
    Fato importante, intimamente ligado às atividades relacionadas à DHN, ocorre em 10 de abril de 1978. O Presidente da República aprova a criação do Programa de Dinamização das Atividades da Cartografia Nacional, separadas em programas para as cartografias náutica, aeronáutica e terrestre, sob coordenação da Comissão de Cartografia – COCAR. O programa concernente à DHN prevê aplicações de verbas extraorçamentárias destinadas a reequipar navios e oficinas gráficas da Diretoria.O ritmo do desenvolvimento das atividades da DHN, nos dois últimos anos da década de 70, atinge, em essência, os níveis de realizações previstos nos programas de trabalho para aqueles dois anos. Os Navios Oceanográficos “Almirante Saldanha” e “Almirante Câmara” levam a termo suas participações nas operações oceanográficas destinadas à obtenção de dados meteorológicos e oceanográficos da região atlântica equatorial, contribuição da Marinha ao Primeiro Experimento Global do GARP (“Global Atmospheric Research Program”).

   Em 1979, a COLAM, valendo-se dos Avisos Hidrográficos “Itacurussá” e “Nogueira da Gama”, termina o levantamento hidrográfico do Rio Xingu, desde sua foz até a localidade de Belo Monte, na Transamazônica. O “Caravelas” completa o reconhecimento hidrográfico do Rio Paraguai, no trecho Corumbá-Cáceres, e dos Rios São Lourenço e Cuiabá. O “Itacurussá” e o “Nogueira da Gama” atingem Boa Vista, no território de Roraima, ultrapassando a corredeira do Bem Querer, estabelecendo novo limite de navegação, no Rio Branco, por navios da Marinha. O “Argus” e o “Paraibano” terminam o levantamento do Rio Solimões, que se iniciara em agosto de 1976. É impressa pela DHN a primeira Carta Especial de Bombardeio, para exercícios da Esquadra na Raia de Tiro de Alcatrazes.

 
Em 14 de novembro de 1979, é incorporado à MB o Navio Balizador “Faroleiro Mário Seixas”, doado pela SUDEPE.
   Serviços hidrográficos de envergadura na região amazônica e no Rio Paraguai e incorporação de novos navios evidenciam-se, na vida da DHN, nos três primeiros anos da década de 80. De fato, em 1980, a 26 de fevereiro, o Navio Hidrográfico “Canopus” suspende do Rio de Janeiro para realizar atualização da Barra Norte do Rio Amazonas e do Rio Pará, em trabalho conjunto com o Navio Hidrográfico “Argus” e os Avisos Hidrográficos“Nogueira da Gama” e “Itacurussá”. Em outubro, é realizado o primeiro reconhecimento hidrográfico do Rio Juruá, da foz a Eirunepê, com navio da Flotilha do Amazonas e dois avisos hidrográficos.
 
   Em 1981, nos meses de março e abril, os Avisos Hidrográficos “Paraibano” e “Rio Branco”, juntamente com o Navio-Patrulha Fluvial“Amapá”, efetuam o primeiro reconhecimento hidrográfico do Rio Javari, da foz até a localidade de Palmeira..

  Esses dois avisos, em junho, realizam outro reconhecimento hidrográfico pioneiro, o do Rio Nhamundá, entre sua desembocadura, no Rio Trombetas, e a localidade de Faro, tendo sido alcançado o ponto extremo navegável do rio, a duzentas e sete milhas da foz. Em julho e agosto, o “Paraibano” e o “Rio Branco”, com o Navio-Patrulha Fluvial “Raposo Tavares”, realizam o primeiro reconhecimento hidrográfico do Rio Içá, de sua foz até Ipiranga.
 
   Em 1982, ocorre, também, o primeiro reconhecimento hidrográfico do Rio Purus (da foz até a localidade de Boca do Acre) e do Rio Paru (da foz até a cachoeira do Paraná, a 50 milhas do foz). Os trabalhos no Rio Purus foram feitos pelos Avisos Hidrográficos “Paraibano” e “Rio Branco” e os do Rio Paru pelos “Nogueira da Gama” e “Itacurussá”. Ainda em 1982, inicia-se o Período de Modernização (PAM) do Navio Hidrográfico “Sirius”, que se estende até 1986.

   Em 1982, dois navios são incorporados à Marinha: o Navio Balizador “Comandante Varella”, que na data de incorporação (20 de maio) é recebido pela DHNe transferido à subordinação do CAMR e o Navio de Apoio Oceanográfico “Barão de Teffé” (ex-M/S Thala Dan). Esse último é incorporado à Marinha no porto de Aalborg, na Dinamarca, em 28 de setembro e é a primeira unidade da Marinha especialmente preparada para a navegação em regiões polares. O “Teffé”, ainda no ano de sua incorporação, a 20 de dezembro, suspende do Rio de Janeiro para a realização da Operação Antártica I, primeira expedição científica brasileira ao continente antártico.
 
   São, ainda, dignas de registro, no primeiro triênio da década de 80, a realização da determinação de cinco vértices de primeira ordem, por rastreamento satélite, apoiada pelo “Caravelas”, no Rio Paraguai, necessários ao fechamento e ao controle de poligonal geodésica; e a utilização, na DHN, pela primeira vez, do teodolito giroscópico Busca-Meridiano “Wild Gak 1”, para a determinação do norte verdadeiro, com o propósito de instalar as antenas da Estação-Rádio de Campos Novos.