1500-1822

   No ano de 1500, Juan de La Cosa desenha carta de marear do trecho de nossa costa norte, com aproximação considerável. Dois anos depois, no Planisfério de Cantino (figura), o Brasil é representado pela primeira vez e, em 1508, preciosas informações sobre a navegação na costa do Brasil figuram no Roteiro de Duarte Pacheco Pereira.
  Dentre os vários trabalhos cartográficos sobre o Brasil, nos séculos XVI e XVII, merecem destaque os de George Marcgrave, cartógrafo alemão que veio para o Brasil com Maurício de Nass

   No final do século XVII, evidencia-se a feição científica da cartografia, com o advento de método para determinação da longitude. O processo é utilizado no Brasil, em meados do século XVIII, pelos padres jesuítas Capacy e Soares. Este último levou a termo carta de terrafirme e da costa do Brasil, do Rio da Prata a Cabo Frio. Trata-se da primeira carta de grande trecho da costa brasileira, efetivamente científica.
   Em 1710, é publicado o livro “A Arte de Navegação” e “Roteiro”, de Manoel Pimentel, com magníficos subsídios para a navegação no Brasil. A assinatura do Tratado de Madri, em 1750, dá ensejo à Expedição de Limites que traz à América do Sul nomes famosos da ciência geográfica de Portugal e Espanha, para trabalho conjunto de demarcação de fronteiras. São realizadas, então, as famosas Partidas do Sul e Partidas do Norte, que resultaram em vultosos e magníficos trabalhos de cartografia. Cartas e planos caracterizam a configuração das regiões do Prata, do Paraná e do Paraguai; o Exemplo Topográfico vai compreender o extenso trecho da Ilha de Santa Catarina até o Cabo de Santa Maria, integrado em Atlas de 24 cartas e planos; o mapa hidrográfico dos Rios Amazonas e Negro é elaborado com embasamento de posições astronômicas de precisão; é feita a carta das costas do Maranhão e Pará. O Tratado de Santo Ildefonso, em 1777, dá origem a novas Partidas do Sul e do Norte. Inúmeros são os trabalhos cartográficos realizados. São elaborados plano topográfico do porto de Rio de Janeiro e cartas das costas das regiões de Santa Catarina e Rio Grande; são feitas importantes cartas do Alto Paraguai, do Madeira e da Bacia Amazônica.
   Em 1792, D. João, por motivo de saúde de D. Maria I, “assiste e provê ao despacho de Sua Majestade”. Inicia-se a fase da cartografia Joanina, responsável por notórios exemplos de trabalhos ligados ao Brasil: a Carta Plana da Costa do Brasil, de Koeller; o Plano da entrada da Barra do Pará; a carta do trecho Maranhão-Pará; a coleção de cartas do Rio Amazonas, da foz do Tapajós à foz do Negro.

   Em 1798, é criada, em Portugal, a Sociedade Real Marítima Militar e Geográfica para o Desenho, Gravura e Impressão das Cartas Hidrográficas, Geográficas e Militares, a famosa Sociedade Real Marítima, que vai dar ênfase à importância da feitura de cartas
hidrográficas. São resultado da atuação da Sociedade Real Marítima, o plano do porto da Paraíba, o plano da Ilha de Fernão de Noronha, a carta da costa setentrional do Brasil, o reconhecimento da foz do Rio Pará, o plano do porto do Rio Paraíba, o plano do porto de Pernambuco, o plano da Armação e enseada de Imbituba, a Memória que expõe todas as derrotas do Maranhão e do Pará e as cartas do canal do Amazonas, de Bailique a Macapá. É fruto, também, da iniciativa da Sociedade Real Marítima a criação da Escola de Práticos, instalada em Belém, definitivamente, para apoio à navegação segura nas costas do Maranhão e do Pará.

   Os reflexos sobre Portugal das campanhas napoleônicas são altamente negativos para a Sociedade Real Marítima, mas trazem benefícios para o Brasil. A Companhia de Guardas-Marinhas da Real Academia transfere-se para o Brasil, com o Depósito de Escritos de Academia, que integrava o acervo da Sociedade Real Marítima. É criado, então, no Rio de Janeiro, em 1808, o Arquivo Militar, ao qual foram recolhidas “mais de mil cartas e planos, em mil e duzentas folhas, fora de 58 várias perspectivas”.

   Ainda sob a inspiração do espírito da Sociedade Real Marítima, após 1808, são dignos de especial referência a Planta Hidrográfica do porto do Rio de Janeiro e a Coleção Hidrográfica de 15 mapas, desde o Rio de Janeiro até o Rio da Prata e Buenos Aires, levada a termo de 1819 a 1821.

 
Cartografia Portuguesa dos séculos XVI e XVII
 
Após o Descobrimento, expedições portuguesas levantaram a costa.

   No Planisfério de Cantino, em 1502, reproduzindo original português, surge a primeira representação cartográfica da costa, que viria a ser descrita, em minúcia, no Esmeraldo de Situ Orbis, de 1508. Mas são os Reineis, pai e filho, em 1519 com a Carta do Brasil, que traçam o inteiro litoral, do Amazonas ao Chuí.

   O Roteiro do Brasil, de Luiz Teixeira, em 1586, publica uma carta geral e cartas particulares de vários portos. Quarenta anos depois, João Teixeira Albernaz produz outros Atlas, de uma carta geral e dezenove particulares, o Livro que dá Rezão do Estado do Brasil.

 
Cabe ressaltar, finalmente, que a produção cartográfica portuguesa dos quinhentos e seiscentos forma um conjunto de preciosas instruções náutica, descrições e toponímia, destinados à navegação, cujos contornos são o que de mais preciso era possível obter na época.
 
 
  Cartografia Portuguesa dos séculos XVIII e XIX

   Durante o século XVIII declinara a primeira política cartográfica de Portugal e do mundo: com a invenção do cronômetro e a solução do problema da determinação da longitude, passava a cartografia náutica por uma verdadeira revolução.

   As cartas portuguesas do século XVII tornaram-se obsoletas e era preciso rever os levantamentos em todo o mundo. Com esse propósito, foi criada a Sociedade Real Marítima Militar e Geográfica, em Portugal que se extinguiu com as invasões francesas, mas deixou marcos importantes de seu trabalho na costa do Brasil.

   Algumas cartas bastante interessantes, hoje depositadas nas mapotecas do Serviço de Documentação da Marinha e do Palácio do Itamaraty, demonstraram a qualidade dos serviços hidrográficos portugueses desse período:

O Plano Topográfico, Porto e Entrada do Rio de Janeiro e seus Oredores, por Francisco João Roscio, 1778, considerada a mais bela e precisa carta da baia de Guanabara; a Carta Reduzida do Oceano Atlântico, por José Fernandes Portugal, 1791, traçada em cores sobre pergaminho; a Planta Hidrográfica do Porto do Rio de Janeiro, feita por oficiais da Armada Real, sob a chefia do Capitão-Tenente Diogo Jorge de Brito, em 1810, que é o marca da chegada ao Brasil da mais apurada técnica hidrográfica.