Origens

   Nas asas da imaginação, podemos voltar ao passado.

   Podemos “ver”, cinco mil anos atrás, um homem primitivo, na sua também primitiva embarcação, navegando entre bancos de areia.
Ruma para um parcel, onde sabe que encontrará peixes em abundância.

  Orienta sua navegação, utilizando-se de árvores, pedras, dunas e outros pontos conspícuos.

  Leva um pouco de água doce em um recipiente de bambu, pois já descobriu que a água do mar é salgada.

  Conta, para regressar com a ajuda do vento, que à tarde costuma soprar do mar para a terra.

  Sabe que poderá navegar passando por cima dos bancos de areia pois a maré estará cheia.

  Embora empiricamente, já tem conhecimento de hidrografia de oceanografia e de meteorologia.

  Já utiliza sinais para navegar. Nesta cena imaginária, podemos identificar três elementos básicos: o Homem, a Embarcação e o Meio ambiente.

  Os mesmos de hoje e sempre.


A Hidrografia nasce com a descoberta

  Pero Vaz de Caminha diz em sua carta:

“...Neste mesmo dia, a horas de véspera, houvemos vista de terra!
...Mandou lançar o prumo. Acharam vinte e cinco braças; e, ao sol posto, obra de uma seis léguas da terra lançamos âncora, em dezenove braças, ancoragem limpa. Ali ficamo-nos toda aquela noite.

...E quinta-feira, pela manhã, fizemos vela e seguimos em direção a terra, indo os navios pequenos diante, por dezessete, dezesseis, quinze, quatorze, doze e nove braças, até meia légua da terra, onde todos lançamos âncora, em frente à boca de um rio."

* Este é o primeiro registro de atividade hidrográfica no Brasil, contendo, inclusive, a primeira linha de sondagem realizada.

 


Carta de Mestre João, em 1500:
Primeira determinação de Latitude

“Senhor: O Bacharel mestre João, físico e cirurgião de Vossa Alteza, beijo vossas reais mãos...
...ontem, segunda-feira, que foram 27 de abril descemos em terra, eu e o piloto do capitão-mor e o piloto de Sancho de Tovare e tomamos a altura do sol ao meio-dia e achamos 56 graus, e a sombra era meridional, pelo que, segundo as regras do astrolábio, julgamos estar afastados da equinocial por 17 graus, e ter por conseguinte a altura do pólo antártico em 17 graus, segundo manifesto na esfera...
Feita em Vera Cruz no primeiro de maio de 1500.”

* * *
Da tábua de declinações do sol, obteve o mestre os 17º, no então adotado calendário Juliano, discrepante em dez dias do atual.

Das instruções técnicas de que dispunha. “...conta que se há de fazer quando juntando a altura e declinação não chegarem a noventa graus...”. Calculava:
56º + 17º = 73º

“O que menor de noventa graus for encontrado, estás apartado da linha equacional, para a parte que forem as sobras...”.
90º - 73º = 17º (de latitude sul).