A Hidrografia na Amazônia

   A Epopéia do Rio Branco na Barra Norte

   O acesso a Macapá não era possível a navios de grande porte no início dos anos 50. Para viabilizar a exportação de manganês, tornava-se imperativo definir um canal de dez metros, ao norte das Ilhas Caviana e Mexiana, na foz do Amazonas. Em abril de 1952 chega à região o NHi Rio Branco, para cumprir a tarefa.

   No comando, o Capitão-Tenente Maximiano Eduardo da Silva Fonseca. Durante dez meses, em condições adversas, o Comandante e sua dedicada tripulação resolvem os problemas técnicos, consultando os manuais brasileiros e estrangeiros ou cultivando a criatividade.  Sinais de árvore na imponente floresta, permitindo a visada mais extensa. Quadriláteros, à noite, com três lanternas acesas e um teodolito medindo, de ponto a ponto, até fechar. Triangulação terra-navio, sondando quando possível por segmentos capazes. A inventiva, a tenacidade, a crença profissional estimulam a todos.

   Maximiano chega até o farol de Bailique. A comissão se encerrava, o regresso a casa vai ter início. Em acidente de baleeira, morre o Tenente Castelo Branco.

   Era preciso inovar para prosseguir, adquirem-se o Raydist em 55.O último capítulo desta história, com o mesmo Rio Branco, é escrito pelo Capitão-de-Fragata Paulo Irineu Roxo Freitas, em 1956, realizando a última comissão do legendário navio.


Entre 1962 e 1967: Cartas de Praticagem

   Nos anos 60, o mar interior com suas artérias era quase desconhecido. Vencendo desafios, a DHN atua vigorosamente: em 63, dois navios são empregados em conjunto pioneiramente, os NHi Sirius e Órion, no rio Pará; e de 63 a 65, a Comissão de Levantamento do Tocantins seria precursora da COLAM, a Comissão de Levantamento da Amazônia. Em 66, o Canopus faz a carta do Porto de Manaus, primeira da região amazônica.

  A Flotilha do Amazonas não tinha autonomia operativa, uma vez que, para deslocar-se, dependia inteiramente dos práticos. Seu Comandante, desde outubro de 1962 era o Capitão-de-Fragata Paulo Irineu Roxo Freitas.]

   Preocupado com a limitação operativa, iniciou-se, sem o planejamento usual, a confecção de croquis, utilizando apenas o radar, a agulha giroscópica e o ecobatímetro. Ia aperfeiçoando a técnica no transcorrer do trabalho. Em seis meses, tinha elaborado croquis para mais de 3.500 milhas do Amazonas e de afluentes navegáveis.

   O método consistia, basicamente, num caminhamento radar. À medida que o navio se deslocava, eram desenhados os contornos das margens, com base em distância-radar e marcações. Simultaneamente, registravam-se as profundidades medidas pelo ecobatímetro.


Após 67: Plano Cartográfico da Amazônia

   Com a crescente conscientização quanto à importância política e econômica da Amazônia, a DHN decidiu iniciar, em 1967, o levantamento sistemático da bacia. Para isso, foi enviado o NHi Sirius, que realizou o levantamento do porto de Manaus. Posteriormente, seguiu para a área o NHi Argus, para dar prosseguimento àquele plano, de Manaus até a foz.

  Em 1969, o NHi Taurus substituiu o Argus, continuando o levantamento em direção ao oceano, enquanto o Orion se incumbiu de seguir de Macapá para o interior

    A partir de 1970, com a criação da COLAM, Comissão de Levantamento da Amazônia, começam a chegar na área os avisos hidrográficos. O Levantamento do baixo Amazonas, que compreende o trecho entre a desembocadura do rio Negro, em Manaus, e o mar, foi concluído nesse mesmo ano.

   Em decorrência desse levantamento, foram publicadas treze cartas, delas inseridos nove planos, de trechos que exigiam representação mais detalhada.

   Alguns afluentes foram cartografados nos padrões normais de precisão da DHN: Trombetas, voltado para a exploração da bauxita; Jarí, devido ao projeto de mesmo nome; e Tocantins, em face da construção da usina de Tucuruí.