1915-1945

   São trabalhos marcantes do primeiro quartel do século XX o levantamento da Baía da Ribeira, pelo Capitão-de-Mar-e-Guerra Conrado Heck e o da Baía de Guanabara, pelo Capitão-Tenente Antônio Alves Câmara Junior.Os trabalhos de Heck, Nogueira da Gama e Alves Câmara atestam o empenho desses entusiasmados oficiais no sentido de avivar a Superintendência de Navegação, cujo dinamismo havia arrefecido em decorrência da Grande Guerra. Em 1924, a 21 de março, o nome da Repartição é novamente mudado para Diretoria Geral de Navegação. Nesse mesmo ano, de setembro até janeiro de 1925, o Capitão-Tenente Alves Câmara determina as coordenadas geográficas dos faróis da costa sul, comandando o Navio Faroleiro “Tenente Lahmeyer”.

   Nogueira da Gama, em 1928, realiza o levantamento do porto de Vitória e emprega, pela primeira vez, a rocega hidrográfica.Em1929, inicia a triangulação da Baía da Ilha Grande, sendo utilizados, também pela primeira vez, o astrolábio de 60º e os teodolitos de micrômetro ótico.
    A triangulação é levada a termo no ano seguinte, mas os trabalhos são interrompidos em decorrência da Revolução de 1930. A partir da terceira década do século XX, inicia-se o que se poderia chamar a Nova Era da Hidrografia Brasileira. Essa nova fase de nossa Hidrografia, até meados da década de 60, está delineada, com muita propriedade, no trabalho do Capitão-Tenente Mario Rodrigues Barreto, História da Hidrografia nas Costas do Brasil (1965), que dá respaldo a muitas das informações pertinentes a esse período, lançadas nessa pretendida síntese histórica.
  Nogueira da Gama, no comando do Encouraçado “Floriano”, operando como navio hidrográfico, imprime, à nossa Hidrografia, sua nova feição que, basicamente, mantém-se até nossos dias.

   Em 1931, a 26 de junho, é criada a especialidade de Hidrografia para oficiais e, mais tarde (1933), o respectivo curso para formação desses especialistas – Curso de Navegação e Hidrografia. Nessa ocasião, a Diretoria Geral de Navegação era dirigida pelo Almirante Graça Aranha, que contava com brilhantes auxiliares, como o Capitão-de-Mar-e- Guerra Nogueira da Gama, o Capitão-de-Corveta Alves Câmara e o Capitão-Tenente Ary dos Santos Rongel. São tomadas as providências objetivas para modernizar e agilizar a organização da Diretoria e é perseguida, como meta prioritária, a sistematização dos serviços de hidrografia.
   Em 1933, é publicado o I Plano Cartográfico Náutico Brasileiro (I PCNB). E são publicadas, até 1933, as primeiras cartas da atual série de cartas modernas da Diretoria: a 1601, Baía da Ilha Grande Parte Leste e a 1604, Porto de Angra dos Reis.
   Em 1934, é entregue à Diretoria o velho navio “Rio Branco”, que é classificado como Navio Hidrográfico (NHi). Nesse mesmo ano, é publicado o Tomo I dos Anais Hidrográficos, referente ao ano de 1933. Também, no ano de 1934, é iniciado o emprego da fotografia aérea nos trabalhos de hidrografia.

  Já no ano de 1935, é de se notar a regularidade da execução dos serviços de hidrografia, possivelmente fruto do I Plano Cartográfico Náutico Brasileiro (I PCNB); é terminado o levantamento da Baía da Ilha Grande e sua triangulação estende-se até o Canal de São Sebastião. É patente a eficiência dos navios a serviço da Diretoria: o “Rio Branco”, o “Tenente Lahmeyer”e o “Tenente Maria do Couto”. Ainda em 1935, o “Rio Branco”, equipado com um ecobatímetro Atlas, executa sondagens no Canal de São Sebastião, sendo usadas, no País, pela primeira vez, as sondagens sonoras.

   Atestando a regularização das atividades hidrográficas, está o cabal cumprimento do programa de trabalho previsto para o ano de 1936. É feita a ligação da triangulação do Rio de Janeiro com a de Santos, num total de 220 milhas de costa triangulada. São editados o Roteiro, a Lista de Faróis e a Lista de Sinais de Rádio; é iniciada a transmissão diária, em “broad-casting”, dos Avisos aos Navegantes.

   Em 1937, a Diretoria passa a contar com outro Navio Hidrográfico, o “Jaceguay”. Nesse ano, estende-se a triangulação de Santos a Bom Abrigo e são realizados trabalhos em Cananéia, Iguape e Mar Pequeno. São editadas oito novas cartas náuticas.

   O ano de 1938 é marcado pela necessidade de reparos dos velhos navios da Diretoria. Mesmo assim, é possível estender a triangulação até a área da carta 1800 e o Navio Hidrográfico “Rio Branco” conclui os trabalhos da carta 1700.

  O ano de 1939 é caracterizado, essencialmente, pela entrada em funcionamento, na Ilha Fiscal, da oficina de impressão de cartas. É editada a carta 1703 – Porto de Cananéia, inteiramente elaborada pela Diretoria Geral de Navegação.

  As atividades hidrográficas, no período da Segunda Guerra Mundial, sofrem solução de continuidade em sua regularidade e os serviços realizados, em sua maioria, têm, quase que exclusivamente, propósito militar. Após a guerra, reiniciam-se as atividades hidrográficas e, no final de 1945, passam à subordinação da Diretoria os Caça-Submarinos “Javari”, “Jutaí”, “Juruá” e“Juruena”.


Veja também:

Ilha Fiscal - A Sede Histórica da Hidrografia Brasileira