Parceria estratégica: Marinha do Brasil fortalece setor nuclear em colaboração com a UFRJ

Intercâmbio visa avanços tecnológicos e capacitação de especialistas.

Uma reunião estratégica entre a Marinha do Brasil (MB), por meio da Diretoria-Geral de Desenvolvimento Nuclear e Tecnológico (DGDNTM), e o Centro de Tecnologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) ocorrida no dia 13 de junho, na Cidade Universitária, reafirmou a importância da cooperação para o avanço e a capacitação do setor nuclear brasileiro.

A comitiva, chefiada pelo Diretor-Geral de Desenvolvimento Nuclear e Tecnológico da Marinha, Almirante de Esquadra Alexandre Rabello de Faria, contou com a presença do Diretor do Centro Tecnológico da Marinha em São Paulo, Vice-Almirante (Engenheiro Naval) Celso Mizutani Koga, do Diretor do Centro Tecnológico da Marinha no Rio de Janeiro, Contra-Almirante Alexandre de Vasconcelos Siciliano, do Diretor do Centro de Projetos de Sistemas Navais, Contra-Almirante (Engenheiro Naval) Márcio Ximenes Virgínio da Silva, além de outras autoridades militares do  Instituto de Pesquisas da Marinha, do Instituto de Estudos do Mar Almirante Paulo Moreira, do Centro de Análise de Sistemas Navais da Marinha e do Centro Tecnológico do Corpo de Fuzileiros Navais.

O Centro de Tecnologia da UFRJ abarca tanto a Escola Politécnica (POLI) quanto o Instituto Alberto Coimbra de Pós-Graduação e Pesquisa em Engenharia (COPPE), ambos visitados pela Marinha do Brasil. O local abriga cerca de 500 professores, 4 mil alunos de graduação, 4.900 de pós-graduação e 700 servidores administrativos.

O encontro iniciou com uma palestra do Almirante de Esquadra Rabello, que apresentou "O Sistema de CT&I da Marinha". A explanação para diretores, coordenadores, professores e alunos da graduação e pós-graduação destacou a importância das parcerias e do intercâmbio de conhecimentos, visando à atualização tecnológica e à inovação sustentável e durável. A reunião reforçou a sinergia entre as instituições e serviu como incentivo para os alunos do Curso de Engenharia Nuclear e de outras áreas.

Diretor-Geral de Desenvolvimento Nuclear e Tecnológico da Marinha durante palestra.

Thaís Hauraudou, aluna de doutorado de Física Nuclear Aplicada, conta que a tecnologia nuclear abrange um leque de áreas, e que no doutorado está trabalhando com microfósseis marinhos na investigação das mudanças climáticas utilizando a Microtomografia de raios X.

"É inspirador e motivante saber que a Marinha está comprometida com a inovação e o desenvolvimento tecnológico nuclear. A palestra do Almirante Rabello nos mostrou que estamos seguindo uma carreira promissora e a importância de trabalharmos em conjunto para alcançar avanços significativos, principalmente no setor nuclear”, relatou.

A palavra foi aberta aos estudantes e pesquisadores.

A reunião incluiu visitas ao Laboratório de Análises Ambientais e Simulação Computacional, de Física Aplicada; ao Laboratório de Controle e Automação, Engenharia de Aplicação e Desenvolvimento, de Controle, Automação e Robótica; ao Laboratório de Monitoração de Processos, de Engenharia de Fatores Humanos; e ao Laboratório de Nano e Microfluídica e de Microssistemas, onde são desenvolvidas pesquisas em áreas estratégicas em benefício da sociedade.

O Chefe do Laboratório de Monitoração de Processos, professor doutor Roberto Schirru, explica que o local é um centro em pesquisas nucleares. “Focamos na aplicação de tecnologias de computação em tempo real e inteligência artificial para a segurança e operação de usinas nucleares. Desenvolvemos sistemas pioneiros como o SICA-A1 e o SICA-A2, que monitoram a segurança das usinas de Angra. Também mantemos o Sistema de Controle Ambiental de Angra 1 e 2. Nossas pesquisas abrangem diversas áreas da engenharia nuclear, utilizando técnicas avançadas de computação. Estamos comprometidos em impulsionar a inovação e a segurança no setor nuclear”.

Comitiva da Marinha no Laboratório de Monitoração de Processos.

Segundo o Almirante de Esquadra Rabello, investir em capacitação e tecnologia nuclear é um compromisso com o presente e com as gerações futuras. “Toda a tecnologia nuclear para o Programa de Desenvolvimento de Submarinos (PROSUB) está sendo desenvolvida no Brasil, com a participação relevante das universidades. Essa tecnologia autóctone não se aplica exclusivamente para fins de defesa, mas também em setores como medicina nuclear, agricultura e  segurança alimentar, fortalecendo setores da indústria nacional de importância estratégica para o desenvolvimento econômico do País.

Para a professora doutora Inayá Lima, do Departamento de Engenharia Nuclear da POLI/UFRJ e Coordenadora da Pós-Graduação do Programa de Engenharia Nuclear (PEN) da COPPE/UFRJ, a colaboração entre a UFRJ e a Marinha do Brasil, especialmente com a DGDNTM, é essencial para o progresso da engenharia nuclear no País. Esta parceria fortalece a pesquisa, a inovação tecnológica e a formação de profissionais capacitados, beneficiando nossos programas de graduação e pós-graduação.

“Essa visita reforça a importância de parcerias sólidas entre as Forças Armadas e as instituições acadêmicas, criando um ciclo virtuoso de capacitação, desenvolvimento e inovação que beneficia toda a sociedade brasileira”, enfatizou a Coordenadora.

A DGDNTM tem a missão de coordenar os esforços científicos de interesse da Marinha, supervisionando a execução do PROSUB e do Programa Nuclear da Marinha (PNM).

Também estiveram presentes o Assessor de Ciência, Tecnologia e Inovação, o Assessor de Relações Institucionais e Comunicação Social, a Encarregada da Seção de Modelagem Atmosférica do Centro de Hidrografia da Marinha, o Encarregado do Laboratório de Pesquisas em Ciências do Esporte do Centro de Educação Física Almirante Adalberto Nunes e o Ajudante da Seção de Bioanálises do Instituto de Pesquisas Biomédicas do Hospital Naval Marcílio Dias.

Participantes no auditório do Centro de Tecnologia da UFRJ.