Resumo Biográfico do CA(EN) JOÃO CÂNDIDO BRAZIL
Patrono do Corpo de Engenheiros da Marinha

O Contra-Almirante (Engenheiro Naval) JOÃO CÂNDIDO BRAZIL nasce em Angra dos Reis, no Estado do Rio de Janeiro, em 8 de março de 1848, filho de JOAQUIM RIBEIRO BRAZIL e de D. LUIZA ANGÉLICA AZEVEDO.
Ingressa na Escola Naval como Aspirante a Guarda-Marinha, em 23 de fevereiro de 1863, sendo promovido a Guarda-Marinha em 29 de novembro de 1865. Logo em seguida, é designado para embarcar na Canhoneira-Encouraçada “Barroso”. Nesse mesmo ano, segue para a campanha da Guerra do Paraguai, onde permanece durante quatro anos consecutivos, sendo um dos bravos combatentes nas ações de Curupaiti, Humaitá, Timbó, Novo Estabelecimento e Tebicuarí.
É promovido a Segundo-Tenente do Corpo da Armada em 21 de janeiro de 1867 e ao posto de Primeiro-Tenente em 12 de abril de 1868.
Em 15 de junho de 1871, parte para a Europa, com o propósito de cursar Construção Naval naquele Continente, após ter realizado as provas exigidas para tal fim, tendo sido classificado em primeiro lugar. Desembarca em Liverpool, em 27 do mesmo mês, seguindo para Londres, onde se apresenta à Legação Imperial. Na Europa, aperfeiçoa-se nos melhores estaleiros da época, dentre os quais o inglês Armstrong, em New Castle, e o francês Forges et Chantiers de la Mediterranée.
Em 1874, de volta ao Brasil, é designado em 27 de agosto do mesmo ano para a função de Diretor das Construções Navais do Arsenal de Marinha de Pernambuco. Em 29 de abril de 1875, assume a função de Diretor das Construções Navais do Arsenal de Marinha de Ladário, onde permanece até 1876, quando retorna a Pernambuco.
Ainda neste ano de 1876, aos 18 de outubro, casa-se com a senhora THEREZA GONÇALVES DA SILVA BRASIL, natural do Pernambuco, filha do Doutor GERVÁSIO GONÇALVES DA SILVA e da Senhora MARIA MICHAELA PIRES SANTIAGO DA SILVA, com quem tem os filhos Maria Luíza, João Cândido, Carlos Américo, Thereza Chistina e Luiza Emília.
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| D. Tereza Gonçalves da Silva Brazil | Da esquerda para a direita: João Cândido Brazil Junior, Luíza Ferreira Brazil, Carlos Américo Brazil, Cecília Ferreira Brazil e Luíza Emília Brazil, na Ilha de Paquetá, RJ |
Em 15 de dezembro de 1876, é nomeado Diretor Interino das Construções Navais do Arsenal de Marinha do Rio de Janeiro, sucedendo ao Engenheiro Napoleão João Baptista Level - primeiro brasileiro graduado em Engenharia Naval - o qual exercia a referida função desde 1860, período áureo de notável e contínuo progresso técnico, cujas melhorias transformam o velho Arsenal Colonial em um dos estaleiros mais avançados do país, período esse considerado como o do “Primeiro Apogeu” da construção naval no Brasil.
Em 16 de maio de 1881, é nomeado Diretor Efetivo das Construções Navais do Arsenal de Marinha do Rio de Janeiro. Durante os 18 anos em que permanece nesse Arsenal, constrói, sob planos originais, 26 navios incorporados à Esquadra, entre os quais se destacam os Cruzadores “Almirante Barroso” e “Tamandaré”, lançados ao mar em 17 de abril de 1882 e em 20 de março de 1890, respectivamente, sendo que esse último, com um deslocamento de cerca de 4.500 toneladas, tornar-se-ia o maior navio de guerra construído no país, marco que permanece até os dias atuais.
É interessante destacar que o então Tenente Brazil tinha como característica pessoal sempre executar sob seus próprios punhos os desenhos necessários à execução dos navios, além das obras necessárias para tais fins, incumbindo aos desenhistas somente a tarefa de copiá-los e refazê-los, com apuro, rigorosamente em conformidade com seus traços. Releva comentar que um dos livros de notas pessoais do Almirante Brazil faz parte do acervo ora doado por sua família.
Em 1º de dezembro de 1882, é promovido ao posto de Capitão-Tenente do Corpo da Armada.
Em 29 de março de 1889, é nomeado para criar um regulamento para os Arsenais de Marinha da República, juntamente com o Inspetor e os Diretores das Oficinas de Máquinas, Torpedos, Artilharia e Obras Civis e Militares do Arsenal de Marinha do Rio de Janeiro.
Em 8 de janeiro de 1890, é transferido do Corpo da Armada para o Quadro Extraordinário de Oficiais, quadro esse criado logo após a Proclamação da República, destinado a abrigar oficiais especialistas, bem como lentes e professores da Escola Naval.
Em 26 de abril de 1890, é classificado para o recém-criado Corpo de Engenheiros Navais, na especialidade de Construção Naval, e promovido a Capitão-de-Fragata Engenheiro Naval de 2ª Classe.
Em 20 janeiro de 1891, é promovido a Capitão-de-Mar-e-Guerra Engenheiro Naval de 1ª Classe, partindo, em seguida, para missão na Europa e Estados Unidos da América, com o objetivo de estudar a construção de submarinos.
Em 21de outubro de 1892, é promovido ao posto de Contra-Almirante Graduado.
Em 18 de janeiro de 1894, de volta da missão na Europa, assume o cargo de Diretor das Oficinas de Construção Naval de Marinha do Rio de Janeiro, e em 08 de novembro do mesmo ano é nomeado Membro Efetivo do Conselho Naval.
Em 6 de setembro de 1894, falece no Rio de Janeiro sua esposa, a Senhora THEREZA GONÇALVES DA SILVA BRAZIL, aos 39 anos de idade, vítima de broncopneumonia.
Em 4 de maio de 1895, é nomeado Chefe Interino do Corpo de Engenheiros Navais.
Designado como Chefe da Comissão Naval da Europa, em 7 de dezembro de 1896, cabe-lhe a fiscalização da construção dos Cruzadores "Barroso", "Almirante Abreu" e "Amazonas", dos Encouraçados "Deodoro" e "Floriano" e dos Cruzadores-Torpedeiros "Tupy", "Tymbira" e "Tamoyo", para os quais havia planejado as especificações.
Em 1897, seu filho JOÃO CÂNDIDO BRAZIL JUNIOR, nascido em 10 de abril de 1880, ingressa na Escola Naval como Aspirante a Guarda-Marinha. Após seu casamento com LUIZA FERREIRA, João Cândido Júnior lhe dará os netos Elza, Carmen, João Cândido e Maria.
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CC João Cândido Brazil Junior (terceiro sentado da esquerda para a direita), Imediato da antiga Escola de Grumetes (atual CN) |
Em 23 de abril de 1899, o Almirante Brazil regressa ao Rio de Janeiro, sendo, em 8 de julho do mesmo ano, nomeado Consultor Técnico do Conselho Naval.
Em 14 de novembro de 1903, passa a exercer sua última comissão, a de Inspetor Geral de Engenharia Naval, cargo equivalente ao atual Diretor de Engenharia Naval.
Em 14 de novembro de 1904, casa-se em segundas núpcias com a Senhora ERNESTINA CYBRÃO, natural do Rio de Janeiro, filha do Conselheiro ERNESTO CYBRÃO e da Senhora VITÓRIA CORA GOMENSORO CYBRÃO, com quem tem uma única filha, Sylvia.
Cabe-lhe, então, no cargo de Inspetor Geral, organizar os planos e especificações para os navios do “Programa Júlio de Noronha”, cujo projeto incluía a construção de um novo Arsenal de Marinha. É para a escolha do local da construção desse empreendimento que o Almirante Brazil parte do Rio de Janeiro, rumo à enseada de Jacuecanga, no município de Angra dos Reis, na comissão chefiada pelo então Ministro da Marinha, Almirante Júlio César de Noronha.
Em 21 de janeiro de 1906, já naquele município, a bordo do Cruzador “Barroso”, que se encontrava fundeado na Baía de Jacuecanga, parte o Almirante Brazil, mais ou menos às 21h30min, em lancha pertencente ao Cruzador, cuja patronagem está aos cuidados do Capitão-Tenente Hugo de Roure Mariz, para visitar à sua mãe, a Srª Luiza Angelica de Azevedo, com já 78 anos de idade, moradora na Fazenda da Chácara. Em noite escura e chuvosa, a lancha, apesar de cautelosamente pilotada, somente logra alcançar a Ponta da Cidade por das 22h. Em virtude do adiantado da hora, pede ao CT Mariz que regresse à Jacuecanga, haja vista que desistira da visita à sua venerada mãe, a qual já estaria recolhida, não desejando perturbá-la. O Oficial, prontamente, cumpre sua determinação quanto ao regresso. Em virtude do Imediato do Encouraçado “Aquidabã”, CT Luiz Henrique de Noronha, ter convidado o Almirante Brazil a pernoitar no mencionado Encouraçado, o patrão da lancha para lá a direciona, em vez de retornar ao “Barroso”. Menos de dez minutos após o embarque do Almirante Brazil no Encouraçado "Aquidabã", às 22h45min, o CT Mariz, o qual ainda nem havia chegado ao cruzador “Barroso”, ouve um estrondoso barulho, acompanhado de um largo clarão no mar. Era o Encouraçado “Aquidabã” que soçobrava, em decorrência de violenta explosão, levando com ele 112 homens, dentre eles o Almirante João Cândido Brazil.
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| D. Luíza Angélica de Azevedo |
O Almirante João Cândido Brazil dedicou 42 anos, 10 meses e 28 dias de sua vida ao melhoramento dos meios flutuantes do país. Ao longo de sua carreira, foi agraciadao com inúmeras medalhas e condecorações, dentre as quais cabem ser destacadas a de Comendador da Ordem da Rosa, em 1883; a Medalha do Mérito Militar, em 1888, essa em especial por atos de bravura durante a Guerra do Paraguai; a de Oficial da Ordem do Cruzeiro, em 1890; e a Medalha Militar de Ouro, em 1901. Sua brilhante carreira serve de exemplo para todos aqueles que exercem a nobre arte da Engenharia Naval, e como estímulo à busca de aperfeiçoamento e de conhecimento tecnológico e científico.
Em 8 de julho de 2003, o Almirante Brazil foi nomeado Patrono do Corpo de Engenheiros da Marinha.





