Farol de Macaé

¹Extraído do livro: Luzes do Novo Mundo


Macaé-RJ Latitude: 22º 24',9 S Longitude: 041º 42',3 W – Alcance Luminoso: 28 Milhas Naúticas – Inaugurado em 08 de março de 1902


Na Ponta de Imbetiba - onde está localizada a cidade de Macaé -, praticamente a meio caminho dos faróis de São Tomé, ao norte, e Cabo Frio, ao sul, existe um grupo de ilhas afastado 7 km do litoral. A maior e mais alta dessas ilhas é a de Sant' Anna. Possui 141 metros de altitude e pode ser avistada a 20 milhas náuticas de distância. Lá se construiu o oitavo farol do Estado do Rio de Janeiro.

A partir de 1890, a Diretoria de Faróis se empenhou não apenas em substituir os ultrapassados aparelhos lenticulares catóptricos, mas também em ampliar a rede de faróis ao longo de nosso litoral.

A implantação de novos sinais náuticos sempre dependeu de diversos procedimentos, dentre os quais, o reconhecimento do terreno e a elaboração de um projeto de engenharia. A parte mais árdua era a obtenção dos recursos necessários, dentro do limitado orçamento da Marinha. Algumas vezes, essa última etapa se estendia por vários anos. Foi o que aconteceu com o Farol de Sant' Anna ou Farol de Macaé, como agora é conhecido.

A lanterna e o aparelho lenticular, um dióptrico de 4ª ordem, foram encomendados à BBT (Paris) e recebidos em 1893. Seis anos mais tarde, o Ministro da Marinha, mais uma vez, alertava a Assembléia Legislativa sobre o atraso de certas obras, em conseqüência da falta de verbas: "Não tem podido esta secção proceder à montagem de 10 pharóes, já adquiridos, e que estão depositados, com risco de deteriorarem-se (. ..)." O Farol de Macaé foi inaugurado em 1902.

Como todos os grandes faróis de sua época, os equipamentos de Macaé incluíam o pedestal, com a cuba de mercúrio e, sobre ela, o prato de sustentação dos painéis das lentes. A luz era produzida pela queima da mistura de ar e querosene, em um véu incandescente. A máquina de rotação, tal qual um mecanismo de relojoaria, era acionada através de um grande peso que se desloca por ação da gravidade. Esse mecanismo, no qual o faroleiro tinha de dar corda a cada quatro horas, funciona hoje como alternativa, em caso de falha do sistema principal.


No início da década de 70, Macaé enfrentava o assoreamento de sua barra e o desaparelhamento de seu porto. No entanto, a Petrobras construiu ali um terminal para embarcações de apoio as plataformas de petróleo da Bacia de Campos, o que ampliou o leque de usuários do Farol Macaé.

A travessia entre o Porto de Macaé e a Ilha de Sant'Anna leva cerca de vinte minutos, em embarcação pequena. Os desembarques na ilha ocorrem apenas se autorizados pela Marinha, o que contribui para a preservação de seu ecossistema.
 

A lanterna centenária opera até hoje com excelentes resultados, graças à tradicional qualidade dos equipamentos BBT e ao zelo dos faroleiros, que a mantêm sempre limpa e proteqida contra a maresia.

¹Fonte: DANTAS, Ney – LUZES DO NOVO MUNDO – Histórias dos Faróis Brasileiros; 1ª Edição – Rio de Janeiro, RJ 2002; Editora Luminatti.