ASSHOP

As viagens que os Navios de Assistência Hospitalar (NAsH) da Marinha do Brasil realizam pela Amazônia atendendo à população carente daquela região são chamadas de Operações de Assistência Hospitalar à População Ribeirinha, ou simplesmente ASSHOP. Em cada ASSHOP um Navio atende a uma determinada região escolhida antecipadamente, de acordo com uma programação feita com antecedência. Esta antecedência é necessária para se prever todos os recursos logísticos necessários em uma empreitada desta envergadura. As experiências obtidas nas passagens anteriores dos Navios são utilizadas no planejamento.

As regiões a serem visitadas são denominadas de Pólos de Saúde. As ASSHOP são realizadas nas localidades ribeirinhas mais carentes de atendimento de Saúde dos Pólos visitados. Esta carência é resultante da distância dos centros urbanos da região; da inexistência de serviços de saúde, públicos ou privados; da falta de cultura de higiene nas populações, da falta de atividades econômicas estáveis e lucrativas, e da falta de infra-estrutura de saneamento básico (água potável e esgoto tratado). Estas condições adversas resultam uma situação precária de saúde da população ribeirinha.

Os NAsH, e antes deles as Corvetas que a Marinha do Brasil possui na região há mais de quarenta anos, são conhecidos pelas populações ribeirinhas como os “Navios da Esperança”. Embarcados nestes navios, profissionais de saúde provenientes de outras regiões do Brasil lançam-se nas barrancas dos rios da Amazônia, levando alívio para essas gentes tão carentes.

PERGUNTAS MAIS FREQUENTES

1) O que é uma ASSHOP?
A sigla ASSHOP significa as operações de assistência médica, odontológica e de orientação sanitária realizadas pela Marinha do Brasil, de forma continuada há mais de 20 anos, com o emprego dos Navios de Assistência Hospitalar pertencentes e tripulados pelo pessoal da Marinha, junto às populações ribeirinhas e indígenas da Amazônia que vivem em comunidades ainda carentes, e na sua grande maioria isoladas da assistência regular de saúde e saneamento básico.
Essas são as verdadeiras operações consideradas como “O Médico da Família”.
São brasileiros da Marinha cuidando de brasileiros! 2) A Marinha realiza esse tipo de atividade de Saúde em outras regiões do Brasil?
Não. As ASSHOP somente são realizadas na Região Amazônica, englobando os estados do Acre, Amapá, Amazonas, Pará, Rondônia e Roraima. Nas demais regiões do País, os navios da Marinha desenvolvem ações de Assistência Cívico-Social (ACISO) durante as operações navais na “AMAZÔNIA AZUL” e na bacia hidrográfica do Pantanal.

3) Qual a duração de uma ASSHOP?
A área de atuação dos Navios engloba praticamente metade do território nacional, com mais de 20.000 km de vias navegáveis. Assim, dependendo da distância do Pólo de Saúde a partir da Base da Marinha em Manaus, os Navios de Assistência Hospitalar podem permanecer em viagem de 25 dias até 4 meses.

4) Quais os recursos materiais e humanos que a Marinha disponibiliza para a realização das ASSHOP?
São empregados os Navios de Assistência Hospitalar “Dr. Montenegro” (U-16) “Osvaldo Cruz” (U-18) e o “Carlos Chagas” (U-19), além de lanchas e helicópteros de emprego geral tipo UH-12 Esquilo.
Tais navios contam com salas de parto e de cirurgia, equipamentos de raios-X, espirômetro, reflotron, eletrocardiograma, ambulatórios médicos, gabinetes odontológicos completos, enfermarias, laboratórios de análises clínicas e farmácias. Possuem acomodações para equipes de até 20 profissionais de saúde, incluindo médicos, dentistas, farmacêuticos, enfermeiros e vacinadores, todos pertencentes aos quadros da Marinha.
A população ribeirinha, em reconhecimento ao atendimento inteiramente gratuito oferecido e mantido pela Marinha, passou a chamar esses Navios, carinhosamente, de “NAVIOS DA ESPERANÇA”, representando geralmente o único contato dessas comunidades com profissionais de Saúde, constituindo importante vetor de integração nacional.

5) Como são planejadas as ASSHOP?
As ASSHOP são operações de complexo planejamento logístico, que incluem a previsão dos custos para a manutenção dos sistemas dos navios, dos equipamentos médico, cirúrgico, odontológico e laboratorial, de suas lanchas e dos helicópteros embarcados, das necessidades de óleo combustível e de querosene da aviação, dos medicamentos que são distribuídos gratuitamente às comunidades ribeirinhas e indígenas, e do treinamento dos recursos humanos de Saúde envolvidos com as operações.
No início do ano anterior à realização das ASSHOP, a Marinha efetua levantamento das necessidades e, de posse dos dados, planeja as viagens dos navios aos diversos Pólos de Saúde, de forma a subsidiar os custos envolvidos no orçamento do Governo Federal.

6) O que são Pólos de Saúde?
Em decorrência da longa presença da Marinha na região e de um criterioso levantamento das condições de saúde e sanitária das diversas comunidades ribeirinhas situadas nos rios da bacia hidrográfica amazônica, a Marinha divide toda a região em Pólos de Saúde. Os rios mais extensos são subdivididos em dois ou mais Pólos de Saúde (por exemplo, Pólos Purus A, B e C, e Juruá A, B e C), que podem ser atendidos pelos navios até três vezes ao ano.
No que se refere à freqüência com que poderão ser visitados, dependerá do regime de cheias e vazantes de cada rio, que permita a segura navegação dos navios na área de cada Pólo de Saúde.
Para a seleção das comunidades ribeirinhas a serem visitadas são considerados, dentre outros, os seguintes aspectos:
- recursos de infra-estrutura de saúde e sanitária existentes nas sedes municipais;
- grau de dificuldade para o acesso dos recursos de saúde desde as sedes municipais;
- indicadores de saúde desfavoráveis;
- zonas endêmicas de patologias infecto-contagiosas; e
- risco de eclosão de epidemias ou de recrudescimento de patologias regionais, até então sob controle, em áreas sabidamente endêmicas.

7) Qual a abrangência dos atendimentos à saúde das comunidades?
Além dos atendimentos médico, odontológico, preventivo e corretivo, de vacinação e da realização de exames laboratoriais, as equipes da Marinha proferem palestras sobre orientações para gestantes, hábitos de higiene corporal e bucal, hábitos alimentares e higiene doméstica, particularmente voltada à destinação dos dejetos caseiros visando à preservação do meio ambiente.

8) Os navios participam de programas de saúde pública?
Em parceria com os órgãos públicos de saúde, os navios realizam inúmeras ações voltadas aos programas de imunizações, combate à desnutrição infantil, educação alimentar, prevenção e tratamento de doenças diarréicas, prevenção e tratamento das parasitoses intestinais, assistência pré-natal, prevenção do câncer do colo de útero e bucal, prevenção, diagnóstico e tratamento das doenças sexualmente transmissíveis (DST-AIDS), prevenção da cegueira, diagnóstico e tratamento da hipertensão arterial e do diabetes, saúde das populações indígenas, formação e reciclagem de Agentes Comunitários de Saúde, e prevenção de doenças profissionais e acidentes de trabalho de fluviais.
Contribuem também, para a execução de programas específicos de erradicação e controle das principais endemias da região Norte, como a malária, a hanseníase e diagnóstico e tratamento da tuberculose, leshimaniose e das hepatites B e D, além do controle dos vetores da febre amarela silvestre e da dengue.

9) Além do atendimento de saúde às populações ribeirinhas, existem outras atividades desenvolvidas pelos navios?
Como vetores de atuação da “AUTORIDADE MARÍTIMA” na Região Amazônica, os Navios de Assistência Hospitalar realizam intensa campanha essencialmente educativa de prevenção de acidentes da navegação e de segurança da vida humana a bordo de embarcações para as comunidades ribeirinhas.
Enquanto os profissionais de saúde fazem o seu trabalho, uma equipe de especialistas em segurança da navegação realiza palestras e demonstrações práticas para a população, visando à prevenção de acidentes, além de promover a legalização de embarcações dos ribeirinhos e habilitá-los para a navegação segura. São ainda distribuídas cartilhas sobre segurança da navegação e cuidados que devem ser tomados ao navegar ou utilizar o transporte aquaviário, redigidas em linguagem acessível e direta, abrangendo, inclusive, cuidados com a poluição causada pelo lixo jogado das embarcações.
Os Navios de Assistência Hospitalar também disponibilizam acesso à Internet, com treinamento dado pelos tripulantes, permitindo a ”Inclusão Digital” das comunidades interioranas da Amazônia.

10) Existe controle por parte dos navios das comunidades ribeirinhas e indígenas atendidas?
Sim. Os Navios de Assistência Hospitalar, quando zarpam da Base da Marinha em Manaus, levam um prontuário eletrônico do Pólo de Saúde que irá atender. Nesse prontuário, constam os registros do último atendimento realizado nas comunidades, contendo os dados do paciente, a localidade onde vive e a sede municipal a que pertence, o diagnóstico médico, o parecer do exame laboratorial realizado e a medicação ministrada. Dessa forma, quando o paciente retorna para o próximo atendimento, o médico tem a exata noção do seu quadro de saúde anterior, o que muito facilita a consulta e melhora a qualidade dos serviços de saúde realizados pela Marinha.

11) Já foram realizados partos a bordo dos NAsH?
Sim. Muitos brasileiros já nasceram a bordo dos navios, pois possuem salas de parto e de cirurgia bem equipadas para tais procedimentos. Quando isso ocorre é corriqueiro os pais das crianças homenagearem a Marinha, o navio, o comandante ou um dos tripulantes dando-lhes o mesmo prenome.

12) Como são formadas as equipes de saúde dos navios?
Parte dos recursos humanos empregados já pertence ao Corpo de Saúde da Marinha. Porém, para suprir eventuais deficiências de pessoal é aberto processo de seleção para as especialidades de Medicina, Odontologia, Farmácia e Enfermagem. Os profissionais são selecionados e são submetidos a um Estágio de Adaptação para Oficiais Temporários. Após o período de formação, os militares passam a compor as equipes lotadas nos navios.

13) Como participar das ASSHOP?
O profissional da área de saúde interessado em se candidatar ao Serviço Militar de Oficiais Temporários, deve dirigir-se ao Serviço de Recrutamento Distrital do Comando do Distrito Naval mais próximo à sua residência, que após processo seletivo, poderá, a critério da Marinha, embarcar por um ano nos navios e, caso haja interesse do serviço, o compromisso será renovado por até 8 anos.

14) Além do próprio navio, quais são os outros recursos disponíveis para as comunidades ribeirinhas?
Para transportar os médicos, dentistas e enfermeiros da Marinha às comunidades onde a profundidade dos rios é insuficiente para a passagem dos navios, são empregados lanchas de apoio e helicópteros da Marinha, que podem decolar e pousar a bordo do navio. Por helicóptero e pelas lanchas também são levados equipamentos médicos e odontológicos portáteis para atendimento em terra, iguais ao que são normalmente usados em situação de combate.
Quando são encontrados casos mais graves nas comunidades, o helicóptero e lanchas podem remover os pacientes para o navio com grande rapidez, inclusive para realização de cirurgias ou partos. Em muitos casos, os pacientes seguem viagem a bordo do navio, instalados em enfermarias, até que estejam em condições de serem transportados de volta às suas comunidades e entregue às famílias.

15) Porque a Marinha realiza as ASSHOP em prol das comunidades ribeirinhas e indígenas?
Embora não seja a principal missão da Marinha, que é a “DEFESA DA PÁTRIA”, mas sim uma atividade complementar da Instituição, é uma tarefa que está inserida no contexto estratégico de integração nacional, de desenvolvimento da região e da necessidade de efetiva presença do Estado Brasileiro na Amazônia, além de contribuir para a universalização da Saúde, proporcionando atendimento onde ainda não o existe de forma regular por parte dos órgãos públicos de saúde e, não raro, só os navios da Marinha lá chegam.
Nesse sentido, o emprego dos meios flutuantes da Marinha, dadas às suas características de grande mobilidade, versatilidade, auto-suficiência e capacidade de permanecer por longo período em áreas muito extensas e afastadas dos grandes centros, permite otimizar custos do orçamento da União e empregar, de forma eficaz, toda a estrutura de saúde previamente planejada, contribuindo decisivamente para a melhoria da qualidade de vida dos brasileiros que vivem na região.