Primeira Guerra Mundial
Adotando um posicionamento de neutralidade no quadro de beligerância que se estabeleceu no continente europeu a partir de 1914, somente em outubro de 1917, o Brasil passou ao estado de guerra contra o Império Alemão, após o afundamento de quatro navios mercantes brasileiros por submarinos alemães nos mares do Norte, com o agravante de ter sido feito prisioneiro o comandante de um desses navios, o NM Macau. Outros dois mercantes brasileiros ainda seriam afundados por submarinos alemães, o Acari e o Guaíba, levando o governo a ponderar sobre o envio de uma Força Naval para atuar no teatro de operações da costa ocidental africana, Atlântico Norte e Mediterrâneo, além de intensificar a vigilância nas costas e portos nacionais.

Coube então à Marinha do Brasil o preparo e envio de uma Divisão Naval para atuar junto às Marinhas aliadas nas costas da África e no Mediterrâneo. Sob o comando do Contra-Almirante Pedro Max Fernando de Frontin, e composta pelos Cruzadores Rio Grande do Sul e Bahia; Contratorpedeiros Piauí, Rio Grande do Norte, Paraíba e Santa Catarina; além do Cruzador Auxiliar Belmonte e Rebocador Laurindo Pitta; em 1º de agosto de 1918, a Divisão Naval em Operações de Guerra (DNOG) deixou as águas de Fernando de Noronha rumo a Freetown, em Serra Leoa.

Cumpre destacar que, além de seus navios e tripulações, a Marinha do Brasil enviou para o front europeu um grupo de oito aviadores navais, que, junto a um aviador do Exército Brasileiro, foram incorporados aos esquadrões ingleses da Royal Air Force.
Na manhã do dia 23 de agosto, a DNOG partiu de Freetown em direção à Dakar, no Senegal, travessia que levaria a Divisão para uma das áreas marítimas mais conflagradas. Na noite da véspera da chegada a Dakar, a DNOG enfrentou o que seria o batismo de fogo da Esquadra brasileira na guerra antissubmarino, quando um submarino alemão atacou o Cruzador Auxiliar Belmonte com um torpedo, que não o atingiu. A resposta ao ataque foi o imediato fogo da artilharia dos navios brasileiros, em especial do Contratorpedeiro Rio Grande do Norte, ao qual foi atribuído, pelo próprio comandante da base inglesa em Gibraltar, o afundamento do referido submarino.

Em ofício datado de 26 de setembro de 1918, ao Chefe do Estado-Maior da Armada, o comandante da DNOG, Contra-Almirante Pedro Max Fernando de Frontin, relata que àquela data já haviam perdido a vida 86 militares, entre oficiais e praças. Foi registrado um total oficial de 157 militares falecidos até o fim da campanha, dos quais 125 tiveram suas mortes oficialmente atribuídas à "gripe espanhola". Mesmo duramente atingida pela referida doença durante a passagem pelos portos africanos de Freetown e Dakar, que vitimou cerca de 10% das tripulações de seus navios, a DNOG cumpriu seu papel, apoiando as forças de mar aliadas no patrulhamento e combate aos submarinos alemães até o armistício, em novembro de 1918.

Reunião de Comandante das Forças Navais Aliadas, em Gibraltar. Da esquerda para direita, sentados: Almirante Sato Kozo, comandante do Esquadrão japonês baseado em Malta, que escoltava os comboios aliados no Mediterrâneo; Contra-Almirante Heathcote Salusbury Grant, comandante da Estação Naval britânica em Gibraltar, a quem a DNOG era vinculada operacionalmente; Almirante Frontin; e o Almirante Albert P. Niblack, norte-americano, comandante de uma divisão de cruzadores baseada em Gibraltar. De pé, assistentes e ajudantes de ordens.
