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  • Publicado em 06/11/2023 - 17:08
  • Atualizado em 10/09/2025 - 12:31
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Primeira Guerra Mundial

Adotando um posicionamento de neutralidade no quadro de beligerância que se estabeleceu no continente europeu a partir de 1914, somente em outubro de 1917, o Brasil passou ao estado de guerra contra o Império Alemão, após o afundamento de quatro navios mercantes brasileiros por submarinos alemães nos mares do Norte, com o agravante de ter sido feito prisioneiro o comandante de um desses navios, o NM Macau. Outros dois mercantes brasileiros ainda seriam afundados por submarinos alemães, o Acari e o Guaíba, levando o governo a ponderar sobre o envio de uma Força Naval para atuar no teatro de operações da costa ocidental africana, Atlântico Norte e Mediterrâneo, além de intensificar a vigilância nas costas e portos nacionais.

Imagem do Encouraçado São Paulo e Minas Gerais

Coube então à Marinha do Brasil o preparo e envio de uma Divisão Naval para atuar junto às Marinhas aliadas nas costas da África e no Mediterrâneo. Sob o comando do Contra-Almirante Pedro Max Fernando de Frontin, e composta pelos Cruzadores Rio Grande do Sul e Bahia; Contratorpedeiros Piauí, Rio Grande do Norte, Paraíba e Santa Catarina; além do Cruzador Auxiliar Belmonte e Rebocador Laurindo Pitta; em 1º de agosto de 1918, a Divisão Naval em Operações de Guerra (DNOG) deixou as águas de Fernando de Noronha rumo a Freetown, em Serra Leoa.

Reprodução da Fotografia de Jorge Kfuri, retratando a Classe F completa, com os três primeiros submersíveis brasileiros.

Cumpre destacar que, além de seus navios e tripulações, a Marinha do Brasil enviou para o front europeu um grupo de oito aviadores navais, que, junto a um aviador do Exército Brasileiro, foram incorporados aos esquadrões ingleses da Royal Air Force.

Na manhã do dia 23 de agosto, a DNOG partiu de Freetown em direção à Dakar, no Senegal, travessia que levaria a Divisão para uma das áreas marítimas mais conflagradas. Na noite da véspera da chegada a Dakar, a DNOG enfrentou o que seria o batismo de fogo da Esquadra brasileira na guerra antissubmarino, quando um submarino alemão atacou o Cruzador Auxiliar Belmonte com um torpedo, que não o atingiu. A resposta ao ataque foi o imediato fogo da artilharia dos navios brasileiros, em especial do Contratorpedeiro Rio Grande do Norte, ao qual foi atribuído, pelo próprio comandante da base inglesa em Gibraltar, o afundamento do referido submarino.

Fotografia retratando os Aviadores brasileiros em instrução na Inglaterra, antes de seguirem para zona de combate.

Em ofício datado de 26 de setembro de 1918, ao Chefe do Estado-Maior da Armada, o comandante da DNOG, Contra-Almirante Pedro Max Fernando de Frontin, relata que àquela data já haviam perdido a vida 86 militares, entre oficiais e praças. Foi registrado um total oficial de 157 militares falecidos até o fim da campanha, dos quais 125 tiveram suas mortes oficialmente atribuídas à "gripe espanhola". Mesmo duramente atingida pela referida doença durante a passagem pelos portos africanos de Freetown e Dakar, que vitimou cerca de 10% das tripulações de seus navios, a DNOG cumpriu seu papel, apoiando as forças de mar aliadas no patrulhamento e combate aos submarinos alemães até o armistício, em novembro de 1918.

Fotografia Retratando a Reunião de Comandantes das Forças Navais aliadas, em Gilbratar

Reunião de Comandante das Forças Navais Aliadas, em Gibraltar. Da esquerda para direita, sentados: Almirante Sato Kozo, comandante do Esquadrão japonês baseado em Malta, que escoltava os comboios aliados no Mediterrâneo; Contra-Almirante Heathcote Salusbury Grant, comandante da Estação Naval britânica em Gibraltar, a quem a DNOG era vinculada operacionalmente; Almirante Frontin; e o Almirante Albert P. Niblack, norte-americano, comandante de uma divisão de cruzadores baseada em Gibraltar. De pé, assistentes e ajudantes de ordens.

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