40 Anos da Mulher na Marinha do Brasil: a história da mais antiga à mais moderna do Com6ºDN

CMG (T) Kátia Modesto e CB-MS Tainar

 

 

    Mais de três décadas separam a história da militar mais antiga da mais moderna do Comando do 6º Distrito Naval. A Capitão de Mar e Guerra (T) Kátia Maria Modesto Ferreira da Costa e a Cabo-MS Tainar Alves Fernandes foram convidadas a contar suas histórias na Marinha do Brasil em comemoração ao Aniversário de Ingresso das Mulheres em suas fileiras.

    A história da CMG (T) Kátia Modesto na MB começou em 27 de fevereiro de 1987, quando saiu no jornal a lista de aprovadas da 7ª turma do Quadro Auxiliar Feminino de Praças do Corpo Auxiliar Feminino da Reserva da Marinha. “No 3º ano do Ensino Médio, descobri que havia vaga para meu curso, então me informei, estudei, aprendi a nadar, passei em todas as fases e me apresentei em 9 de março de 1987. O primeiro desafio foi sair de casa aos 18 anos para um quartel que ficava em uma ilha, o Centro de Adestramento da Ilha Marambaia. Saí de casa uma menina e voltei 20 dias depois já fardada e com outra postura”.

     Marinheiro-Especializado, Cabo e Sargento até a aprovação para o Quadro Auxiliar Feminino de Oficiais em 1995. “Todo mundo que começa uma carreira sonha em chegar o mais alto possível, mas o posto de Capitão de Mar e Guerra parecia muito distante. Quando formei 2º Tenente, sabia que só dependeria do meu desempenho alcançar tal posto. Em 2017, foi a concretização desse sonho. Ser militar da Marinha foi a escolha da minha vida, eu não teria sido outra coisa. Entrei aos 18 anos e hoje, aos 51, tenho muito orgulho da minha carreira”.

    A CMG Kátia Modesto recorda que a iniciativa de ingresso da mulher na Marinha há 40 anos foi, na época, bem recebida pela sociedade, mas que ainda espera ver mulheres no comando de Organizações Militares operativas. “As pessoas admiravam a mulher de farda, pediam para tirar fotos, tinham curiosidade. Desde que ingressei, procurei entender que homens e mulheres precisariam se adaptar à nova realidade: a presença da mulher na Marinha. Hoje, sinto muito orgulho de ver Oficiais-Generais na nossa Força, com carreiras tão brilhantes. Mostramos a que viemos, conquistando nosso espaço em todas as áreas. Quero ver agora mulheres comandantes de navio, de unidades de Fuzileiros Navais, Capitanias etc”.

     “Quando eu era criança, vi um panfleto com o título ‘Venha para as Forças Armadas’. Na época, eu disse para minha mãe: vou ser como essa moça aqui. Não sabia qual área escolheria, mas tinha certeza de que seria na Marinha do Brasil”. Assim recorda a CB-MS Tainar, que escolheu o curso de Motores no Ensino Médio com o propósito de entrar pra MB. Ela passou no concurso para o Corpo Auxiliar de Praças (CAP) e iniciou o curso de formação em junho de 2019.

    Para a Cabo Tainar, os planos na carreira estão só começando. Em dezembro de 2019, concluiu, ao mesmo tempo em que se formava no CAP, a graduação de Engenharia Mecânica, curso escolhido com o objetivo de prestar concurso para o Quadro de Engenheiros. “Entrei pro CAP para ter a certeza de estar aqui dentro e ter condições de poder estudar e realizar o sonho de ser Engenheira da Marinha, porque mesmo tendo pouco tempo na casa, já sei que valerá a pena”.

    A Cabo Tainar conta que quando escolheu sua profissão teve receio de não conseguir exercê-la por ser mulher. “Tive medo de estudar, me profissionalizar e acabar atuando em área administrativa. Fui surpreendida, porque desde que cheguei em Ladário, em janeiro deste ano, trabalho na oficina e isso pra mim é muito positivo”.

    Embora muitas pessoas tenham dito que a carreira de militar não era para mulheres, a Cabo Tainar nunca pensou em mudar os planos. “Conheci muita gente que tentou me desanimar, mas era em vão, porque eu sabia o que eu queria e desde pequena tive o apoio da minha família, o que foi fundamental”.