
Logística, sustentabilidade, construção naval e sistema portuário foram temas abordados no evento
O Comando do 4º Distrito Naval (Com4ºDN) realizou, no dia 22 de novembro, o simpósio “A Economia Azul e os desafios para a Amazônia Oriental”, no Centro de Instrução Almirante Braz de Aguiar (Ciaba), em Belém (PA). O evento teve como palestrantes o Comandante do 4º Distrito Naval, Vice-Almirante Edgar Luiz Siqueira Barbosa; o engenheiro civil Flávio Acatauassu, Presidente da Associação dos Terminais e Estações de Transbordo de argas da Bacia Amazônica (Amport); e o Doutor em engenharia oceânica Hito Braga, Diretor Geral do Instituto de Tecnologia da Universidade Federal do Pará.
O simpósio é alusivo ao dia 16 de novembro, no qual é celebrado o “Dia Nacional da Amazônia Azul”, instituído pela Lei nº 13.187, de 11 de novembro de 2015, data em que entrou em vigor a Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar. “Amazônia Azul” é conceito político-estratégico que ressalta a importância dos aspectos econômicos, científicos e ambientais da área marítima do Brasil.
O País possui área marítima de cerca de 5,7 milhões de km², onde são produzidos mais de 95% do petróleo, 85% do gás natural e trafegam 95% do comércio exterior. Além dos minérios, a região abriga recursos vivos, como a pesca e a nova fronteira do conhecimento, a biotecnologia marinha.
A Economia Azul
O Vice-Almirante Edgar ressaltou que a Marinha do Brasil desenvolve atividades de inspeção naval, patrulha naval e ações de presença, com o propósito de salvaguardar os interesses brasileiros. Nesse sentido, o Com4ºDN realiza estudos visando à ampliação da capacidade de atracação do píer da Base Naval de Val-de-Cães. O objetivo é possibilitar que a Base de Belém receba embarcações de porte assemelhado ao Navio-Aeródromo Multipropósito “Atlântico”, o Capitânia (maior unidade) da Esquadra brasileira.
O engenheiro Flávio Acatauassu destacou a importância da realização de pesquisas e investimentos públicos e privados para a navegação nos estreitos que ligam o rio Amazonas ao rio Pará. “A Marinha tem sido fundamental nessa parceria, porque ela estabelece as condições de segurança e salvatagem da vida humana e preservação ambiental, para que se possa singrar por essas águas. À medida que vamos aumentando nossa demanda por maiores volumes, temos que apresentar os estudos e o monitoramento exigidos pelo Com4ºDN, para que, de comum acordo, possamos ter ganho de profundidade”.
O oceanógrafo Hito Braga projeta a utilização de navios cada vez maiores nos portos do Norte do Brasil, demanda gerada pela intensificação do comércio com a Ásia. Braga destacou a pesquisa coordenada pela Universidade Federal do Pará, que realiza a batimetria (medição da profundidade) do acesso ao Porto de Vila do Conde, situado no município de Barcarena, a uma distância fluvial de 55 km de Belém. O objetivo do estudo é estabelecer os volumes a serem dragados para o aumento da capacidade operativa da zona portuária.
“Esse projeto deve ser entregue até, no máximo o meio do ano que vem. É uma primeira etapa. A outra preocupação é adaptar os portos, temos que ter trasportes de grande escala, como a ferrovia chegando até ao Norte. A hidrovia do Tocantins tem que sair. São soluções que vão deixar nosso estado mais competitivo”, destacou Hito Braga.

Evento reuniu alunos da Escola de Formação de Oficiais da Marinha Mercante e
representantes da Associação dos Diplomados da Escola Superior de Guerra