CIAA em Combate ao Lixo no Mar

CIAA em Combate ao Lixo no Mar
Publicado em 22OUT2020
 

O combate ao lixo no mar se apresenta como um dos principais desafios da gestão ambiental contemporânea. Uma vez nos oceanos, os resíduos possuem grande capacidade de dispersão e espalhamento por marés, ondas, correntes e eventos naturais, trazendo diversos impactos ambientais, sociais e econômicos. Estima-se que 80% do lixo marinho tenha origem em terra, chegando aos oceanos através dos cursos d ́água, o que indica a necessidade de uma melhor gestão dos recursos hídricos e dos resíduos sólidos.

A magnitude da ocorrência de lixo no mar vem, de forma crescente e continuada, afetando a segurança da navegação e a salvaguarda da vida humana no mar. Em março de 2019, a Marinha do Brasil (MB) esteve presente no Seminário “Combate ao Lixo no Mar”, realizado no Rio de Janeiro (RJ), que reuniu representantes do Ministério do Meio Ambiente (MMA), do Ministério Público Federal (MPF), da Secretaria de Estado do Ambiente e Sustentabilidade do Rio de Janeiro, além de professores universitários e agentes de governos estaduais (https://www.marinha.mil.br/combate-ao-lixo-no-mar).

No evento, foi apresentado o 1º Plano Nacional de Combate ao Lixo no Mar (PNCLM), elaborado pelo MMA, além de apresentações e painéis que versaram sobre fontes e gestão de resíduos sólidos poluentes e urbanização da zona costeira e o impacto no acúmulo de lixo nos oceanos. O Plano é composto de um diagnóstico do problema do lixo no mar no Brasil, valores de referência, situação desejada, modelo de governança, eixos de implementação, diretrizes, indicadores, plano de ação e agenda de atividades.

Uma das ações determinadas a fim de fazer cumprir o PNCLM no âmbito da MB é “promover ações de limpeza, de forma contínua, nas OM lindeiras ao mar, manguezais e ecossistemas sensíveis, em especial nas ilhas oceânicas e costeiras e nos faróis guarnecidos. Nos casos em que for observada grande incidência de lixo proveniente do mar, efetuar o registro da quantidade de lixo recolhido”.

Nesse sentido, o Centro de Instrução Almirante Alexandrino (CIAA) está participando do “Combate ao Lixo no Mar”, por meio de ações socioeducativas, de Responsabilidade Socioambiental e ações de efetivo recolhimento de resíduos na orla deste Centro. Com esse objetivo, foi criado um Grupo Tarefa composto pela Professora Raquel Neves, SO-MO AZEVEDO, SO-MC GOMES JUNIOR, Sr. Mestre e Contra-Mestre do COMCA para operacionalizar os eventos a serem realizados.

No dia 16 de outubro, os membros do Grupo Tarefa e militares da divisão de meio ambiente, apoiados por 20 alunos da Turma 2 do Curso de Especialização em Motores, realizaram O 1º Mutirão de Limpeza DE 2020 da orla do CIAA. A ação, que depende de maré baixa para acontecer, teve duração de 2 horas e meia, começando às 7h30 com distribuição de equipamentos de proteção individual e finalizada às 10h. Nesse período, foram recolhidos 215 Kg de resíduos, sendo 35 quilos recicláveis.

 

Aluno participa de ação de Combate ao Lixo no Mar na orla do CIAA

 

Além de uma ação ambiental, os resíduos recicláveis foram doados à Cooperativa “Cooper Ecológica” que atua para gerar renda para catadores de lixo, conferindo ao Mutirão também o viés social.

O Grupo Tarefa do CIAA de Combate ao Lixo no Mar têm previsão de atuação mensal e ampliação da capacidade de recolhimento com equipamentos adicionais para o próximo mês. Trata-se de um problema complexo, que demanda uma nova postura de todos os setores da sociedade na execução de ações que sejam ao mesmo tempo desafiadoras, pragmáticas e viáveis. Melhorar a qualidade ambiental nas cidades, significa melhorar a qualidade de vida das pessoas.

Os impactos decorrentes do acúmulo de lixo no mar para diferentes esferas foram apontados pelo Institute for European Environmental Policy - IEEP (2016):

  • Meio ambiente: o lixo no mar cria uma gama crescente de pressões sobre os ecossistemas marinhos e sobre a biodiversidade. Como exemplo, sacos de plástico e redes abandonadas representam enormes riscos para tartarugas, golfinhos e focas;
  • Finanças públicas: o lixo no mar cria um ônus econômico para as autoridades locais por meio de aumento de custos e da perda do potencial de receita com atividades de turismo, lazer e recreação;
  • Economia: o lixo no mar representa perda de valor material para a economia, pois pode criar pressões econômicas no setor de transporte/navegação (motores incrustados, perda de produção e necessidade de reparos mais frequentes), custos para a pesca (“pesca fantasma”, por redes perdidas e descartadas) e custos para o turismo (perda de receitas provocada por um menor interesse do turista);
  • Social: O lixo no mar cria riscos para a saúde humana. Além de acidentes, o lixo acumulado provoca liberação de substâncias químicas, com potencial efeito adverso à saúde. Microplásticos contaminam mexilhões, ostras e outros animais que são consumidos pelo Homem.