Comando e Controle O Desafio da Interoperabilidade

Abas primárias

Comando e Controle STen EB Claudio Marques

O Comando e Controle (C2) é, simultaneamente, ciência e arte. Ele trata do funcionamento de uma cadeia de comando e envolve três componentes imprescindíveis e interdependentes: autoridade, processo decisório e estrutura.
O C2 consiste na gestão de todas as forças em operação, desde o mais alto escalão em bases permanentes no país, até o mais baixo, através dos processos decisórios. As Forças Armadas do Brasil estão, particularmente, inseridas na Doutrina de Comando e Controle do Ministério da Defesa (MD) e, em sua estrutura, cada Força Armada possui um software para apoiar o seu Sistema de Comando e Controle.
O Centro de Análises de Sistemas Navais (CASNAV), Organização Militar da Marinha do Brasil, contribui com a sua expertise para auxiliar o Ministério da Defesa no acompanhamento das operações militares, através de seus projetos estratégicos e operativos. Dentre eles, destacamos o projeto Interoperabilidade de Comando e Controle (INTERC2), que visa a construção de um Barramento de Comunicação em uma Arquitetura Orientada a Serviços (SOA), que possibilitará a interoperabilidade dos Sistemas de Comando e Controle do Ministério da Defesa e das Forças Armadas.
De forma simplificada, um barramento de comunicação, ou middleware, tem a função de interligar os dispositivos de diversos sistemas de informação, enquanto a Arquitetura SOA é um modelo que permite o fornecimento de um determinado tipo de informação como um serviço a ser consumido por outros sistemas de informação, como, por exemplo, a localização de uma tropa amiga ou de uma força inimiga.
No caso do INTERC2, ele permite a troca de mensagens entre os sistemas de Comando e Controle das Forças Singulares; e o Sistema de Planejamento Operacional Militar (SIPLOM), empregado pelo Ministério da Defesa. Este Barramento foi totalmente desenvolvido com software livre e utiliza o modelo Joint Consultation Command and Control Exchange Data Model (JC3IEDM) para o intercâmbio dos dados. O JC3IEDM é utilizado pelos países da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) e é mantido pelo Multilateral Interoperability Programme (MIP).
A Arquitetura SOA pode ser utilizada para viabilizar a interoperabilidade entre os Sistemas de Comando e Controle no emprego de operações militares e para treinamento, o que permite capacitar os militares para o planejamento, a coordenação e o controle de Operações Conjuntas.
Outro importante componente do Sistema Militar de Comando e Controle do Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas do Ministério da Defesa é o Sistema de Planejamento Operacional Militar (SIPLOM). Este sistema, também desenvolvido pelo CASNAV, foi iniciado em 2003 e tem como objetivo apoiar as Operações Conjuntas e Singulares entre as Forças a fim de acelerar os processos decisórios e o compartilhamento de uma consciência Situacional unificada e consistente.
A versão 4.0 do SIPLOM está alicerçada na Doutrina Militar de Operações Conjuntas, sendo ferramenta indispensável aos tomadores de decisão dos níveis Político, Estratégico e Operacional no Processo de Planejamento Conjunto e na Elaboração de Planos.  O sistema é utilizado diariamente no Centro de Operações Conjuntas do Ministério da Defesa, como o sistema de apoio à decisão prioritário dos Centros de Comando e Controle.
A quarta geração do SIPLOM apoiou, em 2015, sua primeira Operação Militar: a Ágata 9, uma operação real interagências que cobriu toda a extensão da fronteira oeste do país, sob coordenação do Ministério da Defesa. O Sistema também foi utilizado nas operações Atlântico 2015, Ágata 10 e no exercício das escolas de Estado-Maior das Forças Armadas - Azuver 2015.