Tesouro de obras raras ajuda a contar a história do Brasil

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Tesouro de obras raras ajuda a contar a história do Brasil

Livro com 489 anos faz parte do acervo da Biblioteca da Marinha
15/08/2023
Capitão-Tenente (RM2-T) Camila Marques e Capitão-Tenente (RM2-T) Lisbôa
Brasília, DF

A coleção da Biblioteca da Marinha do Brasil (MB) tem muitos tesouros guardados, assim considerados por registrarem a memória científica e política de épocas remotas. Uma obra literária com 489 anos é considerada a mais antiga da Diretoria do Patrimônio Histórico e Documentação da Marinha (DPHDM). Com o título “Clarissimi philosophi, geometricorum, elementoum liber”, de Euclidis Magarensis, o exemplar é datado do século XVI, mais especificamente de 1534. Na sequência, as obras mais antigas são “Breve compendio de la sphera e a arte de navegar”, de 1551, e “L’art de naviguer”, de 1554, consideradas fontes primárias de conhecimento que fizeram parte da formação de marinheiros e cientistas.

De acordo com a Chefe do Departamento de Biblioteca da Marinha, Capitão de Fragata (Bibliotecária do Quadro Técnico) Leniza de Faria Lima Glad, também fazem parte do acervo, obras inéditas da Sociedade Real Marítima e Militar, manuscritos das expedições científico-militares enviadas ao Brasil para demarcações de limites da expansão portuguesa, dentre outras preciosidades impressas que circularam no período do Império, registrando seus interesses comerciais e geopolíticos.

O acervo raro fica na Divisão de Materiais Especiais da DPHDM, em uma sala de consulta exclusiva para atendimento de pesquisadores e configurada para prover a segurança e a preservação das obras. A Capitão de Fragata Leniza explica que “o interessado em ter acesso à obra rara pode localizar o item no catálogo da Rede de Bibliotecas da Marinha (Rede BIM), entrar em contato com a Biblioteca da Marinha, por telefone, e-mail, ou pessoalmente, e agendar sua consulta, que deve acontecer na sala da Divisão de Materiais Especiais”.

Durante o manuseio do material, é necessário o uso de luvas, com apoio sobre a mesa, para não forçar a encadernação. Além disso, deve-se evitar a tração nas páginas que podem estar fragilizadas e virem a rasgar.

A Oficial complementa que alguns materiais também estão disponíveis em formato digital, no catálogo online da Rede BIM ou no Repositório da Marinha.

L'art de naviguer, de Pedro Medina, produzido em Lyon (França), em 1554 (Coleção Real da Academia dos Guardas-Marinha)

Cartas náuticas históricas
As cartas náuticas da Biblioteca da Marinha têm como diferencial a raridade, especialmente as manuscritas, que são menos conhecidas, pois eram informações estratégicas, normalmente com circulação proibida. O acesso era privilégio dos reis, nobres, eruditos, navegadores famosos e grandes armadores das expedições marítimas. Um exemplo é a carta náutica do Atlântico, que abrange o sudoeste da Europa, as costas do Brasil e da África Ocidental, de autoria de Simão Antonio da Rosa Pinheiro, produzida no Rio de Janeiro, em 1776, desenhada em nanquim e aquarelado no pergaminho.

“Theatrum Orbis Terrarum”, um dos quatro exemplares existentes do primeiro atlas do mundo, de 1571, feito pelo cartógrafo Abraham Ortelius

Em 2022, por ocasião do Bicentenário da Independência do Brasil e da criação da Esquadra brasileira, a Biblioteca da Marinha apresentou, com destaque, a sua coleção cartográfica do período de 1722 a 1822. Por meio de diversas ações, foi possível concluir um projeto de digitalização, em coedição com a Fundação Biblioteca Nacional, que reconheceu e contribuiu para a valorização e preservação desse patrimônio histórico.

A primeira ação foi digitalizar, em alta resolução, mais de 180 imagens de mapas e atlas da coleção da Marinha. Já a segunda ação foi a de organizar a exposição "O Atlântico Sul na construção do Brasil independente", que apresentou a cartografia dos séculos XVIII e XIX, preservadas na Biblioteca da Marinha, com a museografia da DPHDM, sob a curadoria da pesquisadora do Museu de Astronomia e Ciências Afins, Heloísa Gesteira; da professora do Departamento de História na Universidade de São Paulo, Iris Kantor; e da Chefe da Divisão de Cartografia na Fundação Biblioteca Nacional, Maria Dulce de Faria. Por fim, a terceira ação foi a inclusão das imagens digitalizadas no catálogo da Rede BIM, com acesso disponibilizado na internet, além do lançamento do livro "O Atlântico Sul na construção do Brasil independente: os tesouros da cartografia na coleção da Biblioteca da Marinha (1700-1822)”.

“Todo esse processo de digitalização, em alta resolução, trouxe diversos benefícios, como a ampliação das formas de divulgação e valorização do acervo, maximizou a difusão de obras inéditas e exclusivas junto aos pesquisadores e ao público em geral. Além disso, proporcionou a sua preservação, visto que não precisam mais ser manuseadas para serem acessadas”, finalizou a Capitão de Fragata Leniza.

Para a digitalização do acervo cartográfico, foram utilizados conjuntos digitais fotográficos de alta resolução, com câmeras digitais específicas para captar imagens em grande formato, como no caso dos mapas raros da Biblioteca da Marinha.

Serviço:
Biblioteca da Marinha

Horário de funcionamento: segunda a sexta-feira (exceto feriados), das 8h15 às 16h15.
Endereço: Rua Mayrink Veiga 28, Centro, Rio de Janeiro - RJ, CEP: 20090-050.
Telefone: (21) 2516-0265 e 2516-8784.
E-mail: dphdm.referenciabm@marinha.mil.br

Veja também:
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Agência Marinha de Notícias