Simpósio de Defesa e Segurança Internacional reúne especialistas para debater as principais ameaças do cenário geopolítico atual

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Simpósio de Defesa e Segurança Internacional reúne especialistas para debater as principais ameaças do cenário geopolítico atual

Evento ocorreu nos dias 19 e 20, no Centro de Instrução Almirante Sylvio de Camargo, no Rio de Janeiro
22/06/2023
Primeiro-Tenente (RM2-T) Thaís Cerqueira
Rio de Janeiro, RJ

Nos dias 19 e 20 de junho, o Centro de Instrução Almirante Sylvio de Camargo (CIASC) sediou o simpósio "Defesa e Segurança Internacional: questões e perspectivas". O evento teve como objetivo aprimorar a compreensão e discutir as questões mais atuais e relevantes em Defesa e Segurança, tanto no âmbito nacional quanto internacional. Além disso, buscou promover a troca de conhecimentos e experiências entre especialistas de diferentes instituições.

O simpósio propôs ser um marco no diálogo entre especialistas, acadêmicos e autoridades, proporcionando valiosa troca de conhecimentos e oportunidades de reflexão em temas de alta relevância para a Marinha do Brasil (MB) e a sociedade em geral, como afirmou o Chefe do Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas (CEMCFA), Almirante de Esquadra Renato Rodrigues de Aguiar Freire, nas palavras de abertura do evento. “Nesses dois dias, temos a oportunidade de compartilhar conhecimentos, desenvolver conceitos e promover a interação entre as Forças Armadas, o meio acadêmico, o setor industrial e representantes de entes federativos, sobre o tema de Defesa e Segurança internacional. O tema em discussão é de extrema relevância, pois trata de assuntos que permeiam o funcionamento e o processo decisório de instituições em nível nacional e internacional, em um mundo cada vez mais conectado e complexo”.

O cronograma de dois dias contou com exposições de autoridades nacionais, além de palestras ministradas por professores do King's College London (KCL), reconhecidos por sua expertise na área, como lembrou o CEMCFA: “destaco a parceria com o King's College London, esse tradicional estabelecimento de ensino, fundado em 1829, que colabora para a transformação do mundo em um lugar melhor por meio de sua liderança mundial nas áreas de educação e pesquisa. Esse fato é evidenciado pelas 14 pessoas do KCL e de suas instituições associadas que receberam o Prêmio Nobel”.

Durante a palestra de honra, o Chefe do Estado-Maior da Armada, Almirante de Esquadra José Augusto Vieira da Cunha de Menezes, relembrou a importância da interação da Marinha com o universo acadêmico. “Compartilhar conhecimentos, experiências e visões é fundamental para analisarmos os complexos aspectos relacionados ao essencial e indissociável compromisso da Força Naval com a Defesa e o desenvolvimento do Brasil. Tenho certeza que esse debate é de extremo valor para essa necessária discussão, contribuindo não somente para a Marinha, mas também para o enriquecimento do tema em si”.

Jornalista Hélter Duarte foi um dos moderadores do debate com a participação de perguntas do público presente - Imagem: CIASC

Ao reunir especialistas e autoridades de diferentes países, o evento promoveu uma compreensão mais ampla dos novos desafios enfrentados pelo cenário global, tema abordado também pelo Presidente do Conselho Superior de Comércio Exterior da FIESP, Embaixador Rubens Barbosa, durante sua explanação. “Estamos vendo os passos iniciais de uma situação que vai evoluir nas próximas décadas: uma mudança total no cenário internacional. Os primeiros sinais de um mundo pós-ocidental. Isso para nós é uma novidade, já que nos últimos 200 anos o ocidente foi quem determinou tudo no mundo. Estamos notando agora o começo de uma nova perspectiva global, que daqui a 40, 50 anos, a Ásia se tornará de novo o centro das relações econômicas e políticas e sociais”.

Ainda no primeiro dia de evento, o Vice-Decano Internacional do King´s College London, Professor Doutor Vinicius Mariano de Carvalho, abordando as perspectivas do Norte e do Sul global, trouxe diversas reflexões ao público. “Nesse ambiente, falamos sobre domínios tecnológicos e culturais muito específicos e restritos, daí a tendência de uma abordagem superficial. Hoje, existem novos mecanismos, novas linguagens e maneiras de se pensar e de se posicionar o ser humano no mundo, especialmente o humano no mundo em conflito”.

Participantes tiveram a oportunidade de ver, de perto, diversos meios operativos do Corpo de Fuzileiros Navais - Imagem: CIASC

O Comandante-Geral do Corpo de Fuzileiros Navais, Almirante de Esquadra (Fuzileiro Naval) Carlos Chagas Vianna Braga, lembrou que o mundo está em constante transformação e, nesse contexto, “grande parte das instituições tem dificuldade de se planejar olhando para frente, é mais fácil ‘olhar pelo retrovisor’. Podemos analisar a Segunda Guerra Mundial e pensar em treinar de determinada maneira, só que hoje tudo evolui muito rápido, e o Fuzileiro Naval do futuro vai ser muito diferente daquele que desembarcou nas praias do Pacífico durante a Segunda Guerra Mundial, por exemplo. Por isso, as decisões estratégicas são difíceis de serem tomadas devido ao alto índice de incerteza, o que reforça a necessidade de um estudo muito profundo para se tentar errar o mínimo possível”.

O evento foi uma realização do Corpo de Fuzileiros Navais, fruto da parceria com o King’s College London. Essa colaboração foi amparada por um Memorando de Entendimento firmado entre o Estado-Maior da Armada e a referida instituição de ensino, com o intuito de fortalecer a capacitação profissional e acadêmica dos Oficiais Fuzileiros Navais. O simpósio, organizado pelo CIASC, foi mais um exemplo do compromisso da MB em contribuir com um debate aprofundado sobre questões contemporâneas nas áreas de defesa e segurança internacional. Vale ressaltar que o evento também foi aberto ao público externo, e contou com ampla participação de acadêmicos e estudantes universitários inscritos, oriundos de diversas universidades, como UFRJ, ESTÁCIO, UFF e PUC-Rio.

Estudantes de diversas universidades marcaram presença no simpósio - Imagem: CIASC

 

Agência Marinha de Notícias