Mulheres entram para a história como primeiras Marinheiras de carreira da Força Naval

Leia Mais

Mulheres entram para a história como primeiras Marinheiras de carreira da Força Naval

Uma delas, a Marinheira Larissa Pacheco, conquistou, ainda, o melhor desempenho da turma de 133 alunos
14/12/2023
Primeiro-Tenente (RM2-T) Daniela Meireles
Brasília, DF

A trajetória das mulheres nas Forças Armadas ganhou um novo capítulo na última segunda-feira (11), quando 45 militares se tornaram as primeiras Marinheiras de carreira da Marinha do Brasil (MB). Após um ano de intenso treinamento, elas concluíram o Curso de Formação de Marinheiros (C-FMN), na Escola de Aprendizes-Marinheiros de Santa Catarina (EAMSC). Uma delas conquistou, ainda, o primeiro lugar da inédita turma mista de 133 alunos, gravando seu nome na história da Força Naval.

Larissa Pacheco foi a aluna de melhor desempenho e, ainda este ano, dará início a uma nova etapa da profissão, embarcada no Navio-Aeródromo Multipropósito “Atlântico”, o maior da Esquadra brasileira. “Estar a bordo de um navio é uma experiência única! Pretendo colocar em prática tudo o que aprendi, além de aprender coisas novas e conhecer novos lugares. A expectativa é de somar conhecimento”, conta ela, cuja motivação vem da chance de trabalhar pelo País, vencer desafios, adquirir novos conhecimentos e visitar lugares diferentes.


A Marinheira Larissa Pacheco à frente da turma, durante a formatura– Imagem: Marinheiro Eudson

Tamanho não é documento

A formação militar naval, que teve início no dia 30 de janeiro, incluiu disciplinas teóricas e práticas para o desempenho de serviços de agente de trânsito, ronda, rancheiro, sentinela dos postos de vigilância, plantões de alojamentos e auxiliares. Teve também atividades de formatura, cerimônias e ordem unida ― exercício coletivo, geralmente realizado em marcha, que visa promover a organização, a unidade e disciplina dos militares ―; além da prática de esportes, como regatas a remo, corridas e Treinamento Físico Militar (TFM).

Com seus 1,54 metro de altura, Larissa foi gigante e, assim como as demais alunas, deu conta de cumprir integralmente as atividades, na mesma intensidade aplicada aos alunos, apesar de algumas críticas que, lembra, circularam na internet antes mesmo do início do curso, duvidando da capacidade delas. “Desde o início fomos ensinados de que éramos todos iguais, todos militares. E a forma como a EAMSC nos formou, sempre enfatizando a igualdade e o companheirismo foi imprescindível para que não houvesse distinção”, explica a Marinheira.

Segundo o Comandante do Corpo de Alunos da EAMSC, Capitão-Tenente Luiz Antonio Fiorani de Araujo, todos responderam da mesma forma ao treinamento imposto ao longo da formação. “O Corpo de Alunos foi subdividido em duas companhias, sendo cada uma composta por três pelotões mistos. Dessa forma, não houve diferenciação entre homens e mulheres, na condução das atividades físicas, na rotina e no tratamento por parte dos monitores, exceto os índices do Teste de Aptidão Física”, reforça.


Na primeira foto, a Marinheira Larissa Pacheco, em adestramento prático, a bordo do Navio de Apoio Oceânico “Mearim” e, na segunda, durante o desfile de 7 de setembro, em Florianópolis – Imagens: Arquivo Pessoal

Referência para futuras Marinheiras

Para a 01 da turma, o treinamento naval não foi a única dificuldade enfrentada pelo grupo nos últimos meses. “Foi, sem dúvidas, um ano desafiador. Estar longe da família, com novas pessoas, passar pela transição de pessoa civil para militar e encarar o curso de formação não é uma missão fácil, mas conseguimos com êxito. A sensação é de dever cumprido. E poder abrir essa porta para outras mulheres que virão, mostrando que é possível e as impulsionando, traz um significado ainda maior a essa conquista”, comemora.

Apesar da pouca idade, a Marinheira Larissa Pacheco, de 22 anos, tem consciência de sua representatividade para quem, assim como ela, almeja servir à Pátria pelo mar. “Ser referência para alguém requer muita responsabilidade, mas abrir esse caminho para as futuras Marinheiras e quebrar as barreiras que antes existiam é o que dá sentido a todo esse trabalho. Então, me sinto grata e feliz por fazer parte desse marco histórico da Marinha do Brasil”, reflete.

Vagas abertas em Santa Catarina e Pernambuco

O edital para o Curso de Formação de Marinheiros do próximo ano já está disponível no www.marinha.mil.br/sspm. As inscrições poderão ser efetuadas de 29 de janeiro a 18 de fevereiro de 2024. Ao todo serão oferecidas 96 vagas para mulheres e 504, para homens, nas Escolas de Aprendizes-Marinheiros do Ceará (EAMCE), do Espírito Santo (EAMES), de Santa Catarina (EAMSC) e de Pernambuco (EAMPE). As oportunidades para o público feminino são para turmas em Florianópolis (SC) e Olinda (PE).

Galeria de fotos: 
Agência Marinha de Notícias