Marinha do Brasil chefia equipe em apoio à desminagem na Colômbia

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Marinha do Brasil chefia equipe em apoio à desminagem na Colômbia

Participação no grupo faz parte da adesão do Brasil à Convenção de Ottawa
03/12/2022
Agência Marinha de Notícias
Brasília, DF

O ano era 1997 quando um oficial da Marinha do Brasil – o então Capitão de Corveta (Fuzileiro Naval) Rui Xavier da Silva, que estava internado em um hospital nos Estados Unidos da América, foi visitado pela princesa Diana. O motivo foi a amputação do pé direito, por ter pisado em uma mina em Honduras, fronteira com a Nicarágua, durante uma missão para remoção de minas na América Central. Naquele período, a princesa estava em uma campanha mundial sobre os esforços para a remoção e destruição de minas terrestres.

Hoje, dia 3 de dezembro, completam-se 25 anos desde que o Brasil assinou a “Convenção sobre a Proibição do Uso, Armazenamento, Produção e Transferência de Minas Antipessoal e sobre sua Destruição”, também conhecida como Convenção de Ottawa, firmada naquela cidade canadense em 1997. Desde então, ela já foi adotada por mais de 160 países, como parte dos esforços da comunidade internacional para reduzir os danos remanescentes às populações, decorrentes de conflitos armados.

 


A princesa Diana visitou o então Capitão de Corveta Rui em hospital nos EUA, para onde ele foi levado após o acidente em Honduras. Arquivo MB

 

Entretanto, segundo dados da Organização das Nações Unidas (ONU), após 20 anos de constante queda, o número de vítimas de minas no mundo voltou a aumentar desde 2017. Segundo a ONU, a Colômbia é um dos países com a maior contaminação de minas antipessoais, artefatos explosivos improvisados e munição falhada em seu território e, consequentemente, maior quantidade de vítimas. 

 

 

Marinha do Brasil assume Chefia de Grupo de Monitoramento da Desminagem na Colômbia

Em 2006, foi criado o Grupo de Monitores Interamericanos da Missão de Assistência da Organização dos Estados Americanos ao Plano Nacional de Desminagem da Colômbia (GMI-CO), sob a coordenação da Junta Interamericana de Defesa (JID). E desde o dia 17 de novembro deste ano, a Marinha do Brasil está à frente da chefia do GMI-CO. O cargo foi assumido pelo Capitão de Mar e Guerra (Fuzileiro Naval) Leonel Mariano da Silva Júnior, passado pelo Coronel de Engenharia Cleber Machado Arruda, do Exército Brasileiro, em cerimônia realizada nas instalações da Organização dos Estados Americanos (OEA) em Bogotá, Colômbia.

Esse grupo conta, atualmente, com militares do Brasil (Marinha e Exército) e México, realizando a avaliação e o monitoramento das organizações de desminagem humanitária militares e civis que atuam na Colômbia, conforme as normas internacionais daquele país para essa atividade. A avaliação é realizada tanto da capacitação, como do planejamento e execução das atividades. 

De acordo com o Capitão de Mar e Guerra Leonel, chefe do GMI-CO até novembro de 2024 – o sexto oficial fuzileiro naval nessa função, e que atuou também na desminagem da fronteira entre Nicarágua e Honduras, de 2001 a 2003 – a participação brasileira neste tipo de missão traz o retorno humanitário e no apoio ao desenvolvimento colombiano, mas vai além, ao reforçar a integração e solidariedade do Brasil para com as nações amigas. 

“Os militares do Grupo prestam apoio fundamental para se obter uma terra livre da suspeita de minas, permitindo o desenvolvimento sócio-econômico e a segurança das populações afetadas. Missões como essa trazem, ainda, inequívocos ganhos profissionais, ao manter nosso pessoal em contato com a evolução tecnológica e doutrinária nas ações de remoção e destruição de minas terrestres e artefatos improvisados. Elas contribuem para o desempenho de nossa tropa em outros cenários em que essa capacitação seja relevante”, afirmou.

 


Na trasmissão de cargo do GMI-CO estiveram presentes autoridades diplomáticas do Brasil e do México, e líderes civis e militares da OEA, JID e Colômbia na área de desminagem

 

O GMI-CO contribui para os esforços da comunidade internacional de financiamento, apoio logístico e assessoria técnica para a destruição de minas terrestres antipessoais, artefatos explosivos improvisados e munições falhadas, remanescentes em solo colombiano após mais de cinquenta anos de conflitos internos. Desde 2006, o Grupo atuou principalmente na capacitação de pessoal militar colombiano para a atividade de desminagem no contexto humanitário, não de combate. 

De 2008 até 2016, o papel do GMI-CO foi monitorar diretamente as ações de desminagem humanitária, tanto nas áreas com minas industrializadas que haviam sido lançadas pelas Forças Armadas colombianas para sua proteção, como nas áreas com minas e artefatos improvisados lançados por grupos guerrilheiros. 

A partir de 2016, com o grande vulto que tais ações tomaram na Colômbia (hoje são 5.500 pessoas empregadas nessa atividade, entre militares e civis), o GMI-CO passou a priorizar a gestão da qualidade da desminagem humanitária no país. Nesse escopo, inclui-se a certificação do pessoal que vai sendo capacitado para a atividade. O GMI-CO já participou diretamente na certificação de 8 mil profissionais militares e civis, ao longo dos seus 16 anos de atuação. Por força dos acordos de paz, o pessoal do GMI-CO atua na certificação das organizações civis em unifornes do programa da OEA, como na foto que abre esta reportagem.

Dentre as instituições que são monitoradas pelo Grupo, incluem-se a Brigada de Desminagem Humanitária do Exército colombiano e o Batalhão de Desminagem e Engenheiros Anfíbios da Marinha daquele país, além de Organizações Não-Governamentais contratadas para a tarefa (atualmente quatro). 

Para o Coronel Cleber, que passou a Chefia do GMI-CO, o Grupo “contribui para que as atividades de desminagem humanitária, realizadas pelas organizações civis e militares, sejam desenvolvidas de forma segura, eficaz e eficiente, além de garantir também a transparência do processo e a qualidade dos resultados”.


Oficial do GMI-CO realiza avaliação de militar colombiano

Além dos militares do GMI-CO, a MB e o EB enviam oficiais e praças especializados para atuar como assessores e instrutores junto a essas organizações. A MB tem ainda militares destacados no “Centro de Entrenamiento Anfibio” da Marinha colombiana, atuando na capacitação dos fuzileiros navais daquele país para essa atividade. 

Para o Capitão-Tenente (Fuzileiro Naval) Vinícius Araújo, que atua como Monitor do GMI-CO desde agosto de 2021, as ações do GMI-CO são fundamentais  para a geração de capacidade e o asseguramento de qualidade. “Compartilhamos a responsabilidade de atestar quem, militar ou civil, está em condições de ser credenciado nas diversas funções dentro da desminagem humanitária”, destacou.

As ações de desminagem humanitária pós-conflitos no continente americano, com a coordenação da OEA e JID, iniciaram-se em 1993 em Honduras, alcançando ainda Costa Rica, Equador, Guatemala, Nicarágua, Peru e Suriname, além da própria Colômbia, sempre com a participação de fuzileiros navais da MB e militares do EB, todos especializados em engenharia de combate, atividade que tem em seu escopo a remoção e destruição de minas terrestres e outros artefatos explosivos. 

No campo da desminagem humanitária, os fuzileiros navais brasileiros tiveram também atuação destacada nas Operações de Paz em Angola de 1993 a 1995, sob a égide das Nações Unidas. No total dessas missões na África e nas Américas, a MB já enviou cerca de 300 oficiais e praças, engenheiros de combate.

 

Agência Marinha de Notícias