Marinha celebra primeira atracação de um submarino da Classe "Riachuelo" em Mocanguê

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Marinha celebra primeira atracação de um submarino da Classe "Riachuelo" em Mocanguê

Submarino “Humaitá” atracou nesta quinta-feira (4) na Base Almirante Castro e Silva em Niterói (RJ)
04/04/2024
2T (RM2-T) Larissa Vieira, Primeiro-Tenente (T) Taise e Primeiro-Tenente (T) Klojda
Rio de Janeiro, RJ

Na manhã desta quinta-feira (4), o Complexo Naval de Mocanguê (CNM) testemunhou a primeira atracação de um submarino da Classe “Riachuelo”. O Submarino “Humaitá” (S41), sediado em Itaguaí (RJ), foi transferido para o Setor Operativo da Força Naval no dia 12 de janeiro de 2024, e permanecerá atracado na Base Almirante Castro e Silva (BACS), no CNM, até este dia 5 de abril.

Um teste preliminar foi realizado, no dia 28 de março, em preparação para a atracação oficial, que ocorreu uma semana depois. O objetivo era garantir que as defensas (proteção para evitar o choque no casco com o cais) estivessem bem posicionadas, determinar a melhor abordagem para passar a prancha de embarque e escolher a posição adequada no cais. Os testes foram bem-sucedidos assegurando uma atracação segura.

Uma cerimônia alusiva à primeira atracação dos submarinos Classe “Riachuelo” foi realizada, ainda nesta quinta-feira (4), na BACS, contando com a presença de autoridades e submarinistas ilustres como o Ex-Ministro da Marinha (1984-1985) e Ex-Comandante da Força de Submarinos, Almirante de Esquadra Alfredo Karam; e o Comandante da Marinha, Almirante de Esquadra Marcos Sampaio Olsen.

"A atracação do Submarino Classe 'Riachuelo' na BACS traduz o esforço diuturno da Marinha em capacitar suas organizações prestadoras de serviço a responder por uma manutenção de tecnologias da fronteira do conhecimento. São submarinos dotados de tecnologias atuais e que atendem a uma série de atribuições que competem à Marinha. A BACS soube manter capacitação para responder à manutenção desses complexos equipamentos e sistemas recentemente incorporados à Esquadra", declarou, na ocasião, o Almirante Olsen.

Base Almirante Castro e Silva
De acordo com o Comandante da BACS, Capitão de Mar e Guerra Luiz Eduardo Cetrim Maciel, para receber o “Humaitá”, algumas adaptações estruturais foram necessárias. “Uma das características técnicas fundamentais que diferencia os submarinos da Classe ‘Riachuelo’ dos submarinos das Classes ‘Tupi’ e ‘Tikuna’ é que um dos seus equipamentos de detecção sonar encontra-se instalado nos dois bordos do submarino. Esse importante equipamento precisa ser protegido de avarias. Assim, durante a preparação do cais para a sua atracação, foram instaladas placas especiais que permitiram receber as defensas hidropneumáticas para que ele ficasse atracado sem o risco de danos ao sonar”, esclareceu.

Diretamente subordinada ao Comando da Força de Submarinos (ComForS) da Marinha do Brasil (MB), a Base de Submarinos Almirante Castro e Silva desempenha atividade industrial, provendo serviços de manutenção e facilidades de infraestrutura, contribuindo, prioritariamente, para o aprestamento dos meios navais subordinados ao ComForS e o apoio aos estabelecimentos componentes dessa Força e, de forma complementar, para os demais meios navais da Marinha. A BACS foi criada em 06 de maio de 1941, sob a designação de Base da Flotilha de Submarinos, pelo Aviso Ministerial nº 610 de 06 de maio de 1941, recebendo sua denominação atual em 27 de setembro de 1946, de acordo com o Aviso nº 1865.

Com a aquisição dos antigos submarinos da Classe “Humaitá”, em 1971, surgiu a necessidade de ampliação do cais para atracação dos novos meios. As obras de ampliação iniciaram em 22 de setembro de 1972, aumentando o cais em 70 metros. Em 1986, na administração do então Ministro da Marinha, o Almirante de Esquadra Alfredo Karam, foi concluída a obra no cais, que o configurou como se encontra atualmente, possuindo comprimento de 432 metros, especialmente adaptado para o atendimento aos submarinos da Classe “Tupi” e “Tikuna”, servindo também de porto aos Navios de Socorro Submarino (NSS) “Felinto Perry” e “Guillobel”, tendo já recebido o Navio-Escola “Brasil”, Fragatas da Classe “Niterói”, navios mercantes diversos e até plataformas.

Segundo o Comandante do Submarino “Humaiá”, o Capitão de Fragata Martim Bezerra de Morais Júnior, “a atracação ao cais da BACS representa, para os submarinos da Classe ‘Riachuelo’, um retorno ao seio da Esquadra e um momento de nostalgia para todos os submarinistas, uma vez que os submarinos das Classes anteriores, ‘Tupi’ e ‘Tikuna’, têm o Mocanguê como Sede”.

Já na avaliação do Comandante Cetrim, a possibilidade de atracação dos submarinos da Classe “Riachuelo” na BACS permitirá ao Comando da Força de Submarinos aumentar a flexibilidade durante as diversas operações a serem conduzidas com os novos submarinos. “Por estarmos estrategicamente situados na Baía de Guanabara, dependendo da zona de patrulha em que se deseje operar, o período para posicionamento desses submarinos poderia ser reduzido. Adicionalmente, pelo fato de a BACS ser a principal responsável pelas atividades de mergulho, podemos apoiar a nova Classe em diversos tipos de manutenção e reparo abaixo da linha d'água quando eles estiverem atracados conosco” conclui o Comandante da BACS.

Submarino “Humaitá”
Dotado com propulsão diesel-elétrica, o Submarino “Humaitá” é o segundo da classe “Riachuelo” a ser incorporado à Marinha do Brasil. Conta com uma tripulação de 60 militares capacitados para operarem os modernos sensores, mísseis, torpedos e minas com que são equipados os novos submarinos brasileiros, construídos no âmbito do Programa de Desenvolvimento de Submarinos (PROSUB).

 


Após atracação, a tripulação se dedica à manutenção do submarino – Imagem: Marinha do Brasil

O Capitão de Fragata Martim relata que os próximos passos do “Humaitá” envolvem um retorno à Ilha da Madeira, em Itaguaí, para realizar o primeiro período de manutenção atracado. Após isso, a embarcação seguirá com as missões determinadas pela Esquadra e continuará a Avaliação Operacional dos submarinos da classe. “O Submarino ‘Humaitá’ é um vetor imprescindível na proteção da Amazônia Azul, considerando as suas capacidades em termos de sensores e armamentos. Convergindo sempre com os interesses marítimos do País em garantir a soberania do Estado Brasileiro”, afirmou o Comandante.

Com o objetivo de proteger a Amazônia Azul e garantir a soberania brasileira no mar, a Marinha do Brasil investe na expansão da Força Naval, com iniciativas estratégicas como o PROSUB, que prevê a construção de quatro submarinos com propulsão diesel-elétrica em território nacional. Até o momento, além do “Humaitá”, já foram prontificados os submarinos “Riachuelo” (S40) e “Tonelero” (S42), este último lançado ao mar em 27 de março, entrando em sua fase de testes. Ainda está prevista a entrega de mais um submarino convencional, o “Angostura” (S43). Além da modernização da Força de Submarinos, o PROSUB capacitará o País para a construção do seu primeiro Submarino Convencionalmente Armado com Propulsão Nuclear, o “Álvaro Alberto”, objeto precípuo do programa e um incremento sem igual no Poder Naval brasileiro e na Defesa Nacional.

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Agência Marinha de Notícias