Marinha apoia projeto de vigilância em saúde nas comunidades ribeirinhas do Pantanal

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Marinha apoia projeto de vigilância em saúde nas comunidades ribeirinhas do Pantanal

Expedição visa à coleta de dados epidemiológicos e climáticos de regiões remotas do bioma
21/11/2023
Primeiro-Tenente (RM2-T) Melina Aita Isquierdo
Ladário, MS

Navios da Flotilha de Mato Grosso, subordinada ao Comando do 6º Distrito Naval, da Marinha do Brasil, iniciaram, nesta segunda-feira (20), uma viagem de apoio a pesquisadores de mais de 20 instituições nacionais e internacionais, entre Ladário e Porto Murtinho (MS) no rio Paraguai.

A iniciativa faz parte do projeto “Navio” (Navegando para Vigilância Viral em Lugares Longínquos), focado no estudo e monitoramento da saúde das populações ribeirinhas e das mudanças climáticas e seus impactos na saúde pública.

A bordo do Navio-Transporte Fluvial “Paraguassu”, do Navio de Assistência Hospitalar (NAsH) “Tenente Maximiano” e do Navio de Apoio Logístico Fluvial (NApLogFlu) “Potengi”, os pesquisadores farão a coleta de dados epidemiológicos e climáticos, a fim de identificar e caracterizar patógenos virais circulantes nas comunidades ribeirinhas do Pantanal de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul.

 


Embarque de pesquisadores no Navio-Transporte Fluvial “Paraguassu”  – Imagem: CB-RM2-MI Nunes/Marinha do Brasil

“Os dados coletados permitirão uma compreensão mais ampla das interações complexas entre patógenos, vetores, hospedeiros e o ambiente, especialmente considerando os efeitos das mudanças climáticas nessas regiões. Ao integrar esses dados genéticos e climáticos, o projeto pretende identificar locais prioritários para vigilância, possibilitando uma previsão mais precisa de surtos e a implementação de medidas de saúde preventivas e de controle mais eficazes”, explicou o  Dr. Luiz Carlos Junior Alcantara, pesquisador titular da Fiocruz de Minas Gerais.

O projeto antecipa, também, os estudos voltados à prevenção do surgimento e aumento de doenças previstas com o alto fluxo de pessoas e veículos, após a construção da Rota Bioceânica, que deve ser inaugurada em 2025. O corredor rodoviário, com extensão de 2.396 quilômetros, possibilitará ligar o oceano Atlântico ao Pacífico, tendo Porto Murtinho como ponto de partida no País. A rota passará por Brasil, Paraguai, Argentina e Chile, promovendo aumento na comercialização e integração cultural e turística nos países envolvidos.

“A parceria da MB com o projeto é de grande importância ao Estado, pois soma esforços em prol das comunidades ribeirinhas e une as ações assistenciais junto à ciência. Ao percorrer o rio Paraguai, trajeto que inicia a Rota Bioceânica no estado de MS, o projeto possibilitará uma vigilância intensificada e em tempo real, que irá interferir na melhoria da qualidade de vida e saúde dessas populações”, declarou a Secretária-Adjunta de Estado de Saúde de MS, Dra. Crhistinne Maymone.

Além da coleta de dados e amostras de aves migratórias, de águas residuais e vetores no Pantanal, equipes de saúde embarcadas nos navios oferecerão, ao longo do rio, atendimento médico, odontológico e laboratorial a moradores das comunidades ribeirinhas.

Participam da viagem, representantes das seguintes instituições: Ministério da Saúde; Instituto de Tecnologia em Imunobiológicos (Bio-Manguinhos)/Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz); Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS); Instituto Erasmus de Rotterdam da Holanda; Secretaria de Estado de Saúde de MS e de MT; Laboratório Central de Saúde Pública de MS, MT, Minas Gerais e Paraná; Universidade de Stellenbosch, da África do Sul; Universidade de Sydney, da Austrália; universidades federais de MS, Minas Gerais e Ouro Preto; universidades estaduais do MS e de Feira de Santana da Bahia; Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa); Loccus; Instituto de Biologia Molecular do Paraná; prefeituras de Ladário, Corumbá e Porto Murtinho.

 


Pesquisadores a bordo do NAsH “Tenente Maximiano” – Imagem: CB-RM2-MI Nunes/Marinha do Brasil

Agência Marinha de Notícias
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