Conheça a tropa motorizada da Marinha especializada em policiamento e segurança

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Militares fazem escoltas de autoridades nacionais e estrangeiras, meios e comboios
11/04/2024
Primeiro-Tenente (T) Taise Oliveira
Rio de Janeiro, RJ

É pilotando motocicletas modelo “Harley-Davidson Road King Police” que batedores do Pelotão de Motociclistas Militares do Corpo de Fuzileiros Navais da Marinha do Brasil (MB), há 75 anos, garantem a segurança em descolamentos de autoridades nacionais e estrangeiras e a escolta de meios e comboios militares. As atividades dos batedores contam com efetivo de 41 militares, sediados no Rio de Janeiro e em Brasília, capacitados e treinados para a mobilidade rápida e segura sob duas rodas.

Oriundos da Companhia de Sapadores Pontoneiros, o Pelotão de Polícia Motorizado, precursor do atual Pelotão de Motociclistas, foi criado em 11 de abril de 1949, com a missão de garantir a fluidez dos deslocamentos de comboios militares que transportam armamentos, explosivos, munição e combustíveis, além da escolta de autoridades civis e militares. A antiga Companhia de Sapadores foi transformada na Companhia de Polícia do Batalhão Naval, sediada na Fortaleza de São José, no Centro do Rio de Janeiro.

 


Pelotão de Motociclistas em desfile de 7 de Setembro, no início da Década de 50 – Imagem: Arquivo

“As atividades dos batedores são importantes, pois garantem a fluidez e integridade dos deslocamentos de comboios em trânsito, contribuindo, assim, para a segurança e para o cumprimento de quadro de horários, principalmente para os que se encontram com pouco tempo disponível para seus deslocamentos. E, para cumprir essas tarefas, os nossos batedores unem três capacidades que os diferenciam, que são: o piloto, o controlador de trânsito e o agente de segurança. A união dessas aptidões causa notório e positivo impacto nas personalidades escoltadas”, explica o Comandante da Companhia de Polícia, Capitão de Corveta (Fuzileiro Naval) Lucas Figueiredo Alhadas.

Para cada escolta realizada, um número de batedores militares é definido com base na quantidade de viaturas a serem acompanhadas, no itinerário do comboio e no horário de deslocamento. Nas mais rotineiras, as escoltas contam com 10 a 14 militares, podendo chegar a 20, como afirma o Comandante do Pelotão de Motociclistas do Rio de Janeiro, Primeiro-Tenente (Auxiliar Fuzileiro Naval), Geovane Boaventura. “Para o cumprimento das nossas missões, levamos em consideração alguns aspectos, como o número de viaturas no comboio, o itinerário a ser percorrido, o horário do deslocamento e o grau importância da escolta a ser realizada. Durante a Operação da Garantia da Lei e da Ordem, em 2018, no Rio de janeiro, por exemplo, chegamos a utilizar 20 batedores para escoltar um comboio com 90 viaturas”.

 


Batedores realizam a escolta de comboio militar durante a GLO no Rio de Janeiro – Imagem: Arquivo

Além do pelotão da Companhia de Polícia, o Grupamento de Fuzileiros Navais de Brasília possui efetivo de 16 batedores. O grupo é comandado pelo Capitão-Tenente (Fuzileiro Naval) Guilherme Baptista de Barros, e realiza escoltas para autoridades estrangeiras, a pedido do Ministério da Defesa e das Relações Exteriores. “Os batedores Fuzileiros Navais abrem caminho, garantindo a fluidez, mesmo diante de avenidas e ruas movimentadas em horários de maior fluxo de veículos. Aqui em Brasília, em um intervalo de um ano, foram mais de trinta e cinco missões de escolta, muitas delas durando mais de um dia. Realizamos escoltas para Ministros e Chefes de Governo de diversos países como: Canadá, Croácia, EUA, Holanda, Paraguai, Portugal, Uruguai, República Tcheca, entre outros”.

 


Batedores escoltam autoridades e chefes de Estado estrangeiros, em Brasília – Imagem: CT (FN) Barros

Ao longo da história, os batedores militares participaram de eventos marcantes para o País, como a escolta de transladação dos despojos mortais da Princesa Isabel e seu marido, Conde D’eu, em 1953; e da escolta do Papa João Paulo II em visita ao Rio de janeiro, em 1997. Nessa última, o ainda Soldado (Fuzileiro Naval) Nelson Tiburcio da Silva foi um dos 11 militares que escoltaram o Papa no trajeto residencial até as missas nas Igrejas da Candelária e na Catedral Metropolitana de São Sebastião do Rio de Janeiro. “Foi a escolta mais importante e mais significativa da minha carreira. Eu tinha apenas um ano de batedor. Fizemos a escolta do Papa por 4 dias durante longos trajetos e, em todos, passávamos por fiéis que se ajoelhavam e se emocionavam ao ver o Papa João Paulo passar. Foi marcante”, detalha Tiburcio que completou 28 anos como batedor, hoje na graduação de Suboficial.

 


Batedores realizaram a escolta do Papa João Paulo II em visita ao Brasil, em 1998 -  Crédito: Arquivo Marinha

Os militares atuaram também em grandes eventos com encontros internacionais como a Rio+20, em 2012; a Jornada Mundial da Juventude e Jogos Mundiais Militares, ocorridos em 2013; além das Operações de Garantia da Lei e da Ordem e da Intervenção Federal, em 2018. As atividades seguem o Código de Trânsito Brasileiro, que concede prioridade e livre trânsito a veículos precedidos de batedores.

Curso de Motociclista

Para se tornar um batedor é preciso passar pelo Curso Especial de Motociclista Militar, conduzido pela própria Companhia de Polícia do Batalhão Naval. O curso, ministrado a cada dois anos, possui duração de nove semanas com aulas teóricas e práticas de legislação de trânsito; condução de motocicletas em vias abertas à circulação; escolta de batedores; direção defensiva; mecânica, manutenção, além da adaptação à motocicleta que pesa 375 kg.

Durante o curso, os alunos são avaliados em diversos locais como o Sumaré, Alto da Boa Vista; Serra da Grota; Arco Metropolitano; Kartódromo Internacional de Guapimirim, no Rio de Janeiro e o Autódromo Internacional de Potenza, em Minas Gerais.

Assista ao vídeo e veja um pouco do trabalho dos batedores da Marinha:

Agência Marinha de Notícias