Cão de faro a bordo de navios da Marinha

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Cão de faro a bordo de navios da Marinha

Saiba como é o trabalho desses cachorros treinados para identificar entorpecentes
05/07/2023
Primeiro-Tenente (RM2-T) Luciana Almeida
Manaus, AM

O trabalho de identificar entorpecentes escondidos em cargas e bagagens, por vezes, pode ser mais dificultoso sem equipamentos específicos. No entanto, essa tarefa torna-se mais eficiente com o uso do faro apurado de cães treinados. É o caso da Fiona, da raça Pastor Belga de Malinois, do canil do 1° Batalhão de Operações Ribeirinhas, subordinado ao Comando do 9° Distrito Naval, em Manaus (AM), que atua como cão de faro, na região Amazônica.

A rotina do animal foi acompanhada durante uma missão da Marinha do Brasil (MB), quando a cadela, de dois anos e meio, atuou junto a dois militares Fuzileiros Navais, em Patrulhas Navais, vistoriando embarcações no rio Negro, no estado do Amazonas. As malas enfileiradas, de um lado, e os proprietários das bagagens, do outro, configuram o cenário organizado pelo militar na função de "segurança", que é o primeiro a chegar ao local a ser inspecionado, para que o cão de faro inicie, em seguida, seu trabalho. O segundo militar é o “condutor”, que fica ao lado do animal, utilizando a guia, para que a inspeção aconteça, ordenadamente, e para conduzir quais bagagens devem ser inspecionadas.

Um dos adestradores da Fiona, o Segundo-Sargento (Fuzileiro Naval) Roni de Alexandre Costa, explica que essa raça tem como características a inteligência, o olfato mais apurado e o porte físico mais resistente. "A Fiona é filha de uma cão de faro, que também trabalhou para o Batalhão, mas já foi para a reserva. Ela tem uma irmã e um irmão, que também estão em nosso canil, na mesma função. Porém, destaco que a fêmea acaba sendo mais eficiente que o macho por ser mais focada. O macho, por exemplo, se sentir o cheiro da urina de outro cachorro ou de uma cadela que tenha passado pelo local, acaba ficando disperso, diferente da fêmea, pois ela não se distrai com facilidade", compara.

Treinamento da Fiona, a bordo do Navio-Patrulha Fluvial “Pedro Teixeira”, durante uma missão – Imagem: SO-PL Ibraim

A rotina da Fiona, em terra, inicia-se cedo, com alimentação e treinamento físico-militar, com os militares da equipe Faro, seguida de adestramento específico da área de atuação dela, ou seja, encontrar entorpecentes em bagagens. O Segundo-Sargento (FN) Roni explica que eles utilizam um piloto, ou seja, uma amostra controlada do produto para que ela tente encontrar. Quando identifica o cheiro, a cadela encosta o focinho e deita perto da bagagem. Quando ele confirma que o alvo foi encontrado, a Fiona é imediatamente premiada com uma bola pequena de borracha, objeto de sua diversão diária. "Na cabeça do cachorro, é como se fosse uma diversão, em que ao achar o 'piloto', jogamos a bola para brincar", explica o adestrador.

Já ao estar embarcada para missões ribeirinhas, a rotina de alimentação e exercícios dos cães é modificada, por conta do espaço restrito nos navios, mas mantendo os momentos de caminhada pela manhã e fim da tarde. "O animal, naturalmente, fica mais estressado, por ficar mais tempo recluso, e em espaço reduzido. Entretanto, para amenizar essas mudanças, dormimos ao lado dela, fazemos carinho constante e mantemos uma rotina de atividades físicas para que ela fique melhor", destaca.

Assista à reportagem da Fiona no YouTube:

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Agência Marinha de Notícias