Brasileiro é o primeiro agraciado com a Medalha Luikov no Hemisfério Sul

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Brasileiro é o primeiro agraciado com a Medalha Luikov no Hemisfério Sul

Renato Cotta é Consultor Técnico junto à Marinha e desenvolve projetos na área de ciências térmicas
08/06/2023
Primeiro-Tenente (RM2-T) Cecília Paes Ribeiro
Rio de Janeiro, RJ
Pela primeira vez, um pesquisador que atua no Hemisfério Sul e fora do conjunto de países considerados desenvolvidos é contemplado com a Medalha Luikov, mais importante premiação internacional na área das ciências térmicas. Trata-se do Professor Renato Machado Cotta, Consultor Técnico junto à Diretoria-Geral de Desenvolvimento Nuclear e Tecnológico da Marinha (DGDNTM) e Professor Titular da Instituto Alberto Luiz Coimbra de Pós-Graduação e Pesquisa de Engenharia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (COPPE/UFRJ).
 
A “Luikov Medal” é concedida a cada dois anos pelo Centro Internacional de Transferência de Calor e Massa (ICHMT), em reconhecimento a contribuições para o estudo e aplicação dos fenômenos de transferência de calor e massa e de atividades de cooperação científica internacional.
 
Colaborador da Marinha desde 1986, Renato Cotta atua desde 2018 junto às Instituições de Ciência e Tecnologia (ICT) navais, em especial no Projeto DESSAL, que estuda a recuperação de calor rejeitado em microrreatores nucleares e técnicas de dessalinização combinadas. Dentre as suas pesquisas na Marinha, destaca-se igualmente o Projeto Aqua Vitae, desenvolvido no Instituto de Pesquisas da Marinha (IPqM), que contempla processos e equipamentos para a destilação de água do mar com o calor rejeitado proveniente de motores a diesel de geração ou propulsão naval.
 
Instalações do Projeto Aqua Vitae no IPqM
 
A Luikov Medal e as Ciências Térmicas
 
Concedida bienalmente desde 1979, a Medalha Luikov homenageia o renomado cientista e professor Dimitri Lukich Luikov, destaque nos estudos sobre Ciências Térmicas do século XX, e busca reconhecer pesquisadores com notáveis contribuições à ciência e ao estudo da transferência de calor e massa, área que engloba a engenharia mecânica, engenharia química, engenharia naval, engenharia nuclear e a própria física, entre outras.
 
Dos 21 cientistas agraciados até o momento, nove atuam ou atuavam nos Estados Unidos, sete na Europa, três no Japão e dois na Rússia. “Pela primeira vez temos um cientista brasileiro e, mais do que isso, do Hemisfério Sul, sendo agraciado. Isso certamente abre uma porta importante para o grande número de pesquisadores que temos no país”, afirma o Professor.
 
As indicações para a medalha são feitas pelos membros do Conselho Científico do ICHMT e a eleição é realizada pelo Comitê Executivo do Centro. A premiação será oficialmente entregue em agosto, durante a 17ª International Heat Transfer Conference, em Cape Town, na África do Sul.
 
Trabalho desenvolvido na Marinha pelo Consultor Técnico da DGDNTM Renato Machado Cotta

 

Renato Machado Cotta é cientista e engenheiro, membro titular da Academia Brasileira de Ciências, da Academia Mundial de Ciências, além do Centro Internacional de Transferência de Calor e Massa. Também já presidiu a Associação Brasileira de Engenharia e Ciências Mecânicas e a Comissão Nacional de Energia Nuclear.

Com contribuições científicas e tecnológicas que incluem a coordenação de grandes projetos nacionais estratégicos, o pesquisador está ligado à Marinha desde 1986, quando se tornou consultor da então Coordenadoria para Projetos Especiais (COPESP), hoje Centro Tecnológico da Marinha em São Paulo (CTMSP), auxiliando no projeto das ultracentrífugas para enriquecimento isotópico de urânio. Após atuar na criação da Agência Naval de Segurança Nuclear e Qualidade (AgNSNQ), atualmente está cedido à Marinha pela Amazônia Azul Tecnologias de Defesa (Amazul) como Consultor Técnico da DGDNTM, órgão central do Sistema de Ciência, Tecnologia e Inovação da Marinha (SCTMB).
 
Além do Projeto DESSAL, que traz a possibilidade de fornecimento de eletricidade e água dessalinizada para regiões com considerável estresse hídrico e permite um aproveitamento econômico-social do esforço contínuo da Marinha para o desenvolvimento de tecnologias nucleares e não-nucleares autóctones, também é um dos responsáveis pelo Projeto Aqua Vitae. Este permite recuperar calor de baixa qualidade em quantidades suficientes de energia para utilização em processos secundários. Ou seja, o calor que normalmente seria rejeitado na natureza pode aumentar a eficiência energética em regiões isoladas como ilhas e faróis.
 
Em parceria com o IPqM, novas linhas de projetos estão em desenvolvimento. Um exemplo é o progresso do projeto de metamateriais, ainda em fase inicial, mas que, segundo Renato Cotta, “promete algumas inovações tecnológicas para os próximos anos”. “Metamateriais são materiais que não existem na natureza, materiais concebidos e fabricados para criar propriedades efetivas que não encontramos por aí. Propriedades excepcionais, inesperadas do ponto de vista físico, podem ser obtidas aparentemente alterando a estrutura e combinando materiais diferentes com uma estrutura projetada.  Um exemplo são os mantos de invisibilidade, que saíram da ficção para a realidade”, disse.
 
O IPqM
Criado em 1959, o Instituto de Pesquisas da Marinha é uma ICT subordinada à Diretoria-Geral de Desenvolvimento Nuclear e Tecnológico da Marinha e ao Centro Tecnológico da Marinha no Rio de Janeiro (CTMRJ). O IPqM trabalha em parceria com universidades, empresas e centros de pesquisas civis e militares em atividades de pesquisa científica e desenvolvimento tecnológico nas áreas de Armamento, Guerra Eletrônica, Acústica Submarina, Controle e Monitoração, Materiais e Navegação Inercial.
 
Agência Marinha de Notícias